Destinada para a melhoria da Vila Nova, as obras de drenagem e asfaltamento do PAC II têm gerado um resultado completamente oposto: ruas intrafegáveis, lama, poeira, transtornos para os moradores, queda nas vendas do comércio e instabilidade para quem vive, trabalha ou passa por aqui.
O PAC II ou Novo PAC, que destina R$ 22.791.527,64 para uma obra de drenagem e asfaltamento na Grande Vila Nova estava prevista para acabar neste mês de abril. Em nota destinada à imprensa, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Sinfra) informou que a previsão de entrega foi estendida para o começo do segundo semestre. Entretanto, os moradores não acreditam que até lá tudo esteja pronto. Enquanto isso, eles sofrem simultaneamente com a lama e a poeira, e com a dificuldade de acesso ao comércio local e até às suas próprias casas.
“Todo dia nós passa por essa situação aqui, ó. É constrangedor demais, ter que dar uma volta grande pra poder chegar já compromete o horário da gente tá no nosso destino”. Quem fala é Melquisedeque Santos, vendedor externo de uma empresa provedora de serviços de internet localizada na Rua Dom Marcelino. A fala foi dada na Rua Tiradentes, uma das mais castigadas pela falta de infraestrutura. O que se vê é lama, valas abertas, buracos, entulhos para tampar os buracos, esgoto escorrendo pelos cantos e até no meio da rua.
Para Yasmim Siqueira, engenheira de alimentos, pesquisadora pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e responsável técnica pela sorveteria do pai, a Sorvetes Jó-fryos, na esquina entre as ruas Euclides da Cunha e Padre Anchieta, “a Vila Nova antigamente era muito conhecida por ser um bairro extremamente perigoso. Hoje em dia ela é conhecida por ser um bairro sem infraestrutura”.

A obra, que acontece desde o começo do segundo semestre do ano passado, pouco andou mas impactou diretamente o funcionamento do comércio. A Rua Euclides é a mais comercial e movimentada do bairro, ao menos era. Segundo Yasmim, os lojistas reclamam da queda no faturamento e chegam a questionar a continuidade dos seus negócios. “A gente teve uma perda de quase 50% no movimento comercial ou mais, se a gente for colocar na ponta do lápis. Só para você ter ideia, a gente teve demissão de funcionário. Atualmente a gente só está com três funcionários de carteira assinada, a gente tinha quatro. É uma coisa que a gente não imaginava que acontecesse, aconteceu e todo comerciante está tentando lidar da melhor forma”.
Maria Felix Oliveira, atualmente dona de casa e moradora do bairro há 50 anos, confirma. “Eu tenho um pontinho alugado bem aqui na frente da minha casa, e o cara tá na maior dificuldade pra pagar o aluguel, né? Muita dificuldade mesmo. Minha cunhada bem aqui do Comercial Nathaly, a minha amiga aqui do salão, a maior dificuldade para honrar com os compromissos porque a clientela não vem”.

A demora para a finalização das obras obriga a mudança do tráfego para as ruas paralelas e transversais, que não estão em boas condições. A Rua Padre Anchieta, de acordo com Yasmim, “viu” asfalto somente na gestão de Jomar Fernandes, prefeito de 2001 a 2004. A gravidade da falta de infraestrutura é tanta que afeta até mesmo as entregas por aplicativo, que têm sustentado as vendas da Jó-fryos e outras empresas locais. “Até pelo Ifood tem dia que é ruim de achar motoqueiro para fazer entrega. Tem dia que a encomenda fica aqui na sorveteria trinta minutos e está só procurando motoqueiro no app. Acho que o pessoal vê que é na Vila Nova e diz ‘não vou’, entendeu?”.
Tanto ela quanto Maria Felix reclamam da demora para o fim da obra no bairro. As tubulações foram instaladas a partir da ponte da Rua Euclides, que divide a Vila Nova do Jardim São Luís, e devem seguir por menos de dois quilômetros. “Se a gente está desde o ano passado e até hoje ela não chegou na esquina da igreja, que até lá conta uns cinco a seis quarteirões, imagina o tanto de tempo que vai chegar até na rua do [Centro de Ensino] Caminho do Futuro. Porque daqui pra lá, se eu não me engano, são cinco a seis quarteirões. É uma obra que vai durar um ano? Dois anos?”, declara Yasmim.

A drenagem e o asfaltamento prometidos parecem distantes de se concretizarem e, enquanto isso, o que resta é aguardar. “Já tem mais de um ano que esse novo prefeito assumiu e essa obra é muito lenta, a passo de tartaruga. Cada quarteirão desse estão passando mais de 30 dias para arrumar. Como é que vai ser? Eu espero em Deus e nos governantes que isso seja solucionado o quanto antes, né?”, afirma Maria Felix.
Reportagem de Luiza Ribeiro
Local: Rua Tiradentes e Rua Euclides da Cunha, Vila Nova















