Prática de aceitar a corrida e negociar valores extras via chat antes de buscar o passageiro vira alvo de fiscalização; entenda por que isso viola as regras das plataformas.
Moradores de Imperatriz que dependem de aplicativos de transporte enfrentam um novo desafio: a negociação prévia. O roteiro é quase sempre o mesmo: o usuário solicita a viagem, um motorista aceita, mas, em vez de se dirigir ao local de embarque, envia uma mensagem no chat do aplicativo solicitando um “valor por fora” para compensar a distância ou o trânsito.
O relato de quem depende do serviço
Para o microempreendedor Ryan Brito, que depende da agilidade dos aplicativos para gerir seu negócio, a situação beira a extorsão. Ele relata que o problema não é esporádico, mas uma barreira diária.
“Depender de Uber e 99 em Imperatriz acaba sendo bem estressante. A gente trabalha com horários apertados e não tem tempo para ficar negociando. A primeira coisa que o motorista faz é perguntar para onde vou e já lançar um valor alto, muitas vezes injusto. Se não aceitamos, eles ficam parados gastando nosso tempo e não cancelam, forçando a gente a desistir”, desabafa Ryan.
O empreendedor destaca ainda o prejuízo financeiro direto: “Muitas vezes, quando cancelamos pela demora ou pela insistência deles, ainda somos cobrados com a taxa de desistência. Para quem é microempreendedor, isso dificulta muito a vida, porque meu negócio depende do tempo”.
Justificativa
A principal alegação dos motoristas para a prática é que o valor repassado pelas plataformas não compensa os custos com combustível e manutenção. No entanto, Ryan rebate: “A justificativa é que o app paga pouco, mas quem acaba sofrendo e saindo mal na história é o cliente”.
Juridicamente, a negociação “por fora” no chat é considerada prática abusiva. Segundo o Código de Defesa do Consumidor (Artigos 30, 39 e 42), o valor aceito no início da corrida constitui o contrato final.
Orientações ao usuário:
Prints são provas: Guarde a captura de tela da conversa onde o valor extra é solicitado.
Não pague via Pix externo: O seguro da viagem só cobre valores transacionados dentro do sistema oficial.
Denuncie no Procon: O Procon de Imperatriz orienta que as reclamações sejam formalizadas para que as plataformas sejam notificadas e multadas.
Reportagem de Laiza Cristina Rego
Local: Centro de Imperatriz