O impacto e o crescimento das doulas no suporte à gestação em Imperatriz

Aliando suporte emocional, educação perinatal e técnicas de alívio dador, profissionais transformam a experiência da maternidade na região.

Pintura da placenta: Árvore da vida Foto: Suzana Rossi

Por: Gabriel Araujo

Gerar uma vida é um processo repleto de transformações profundas que vão muito além das mudanças físicas visíveis no corpo da mulher. Entre as expectativas da chegada de um bebê, medos, anseios e dúvidas costumam acompanhar as gestantes e suas famílias. É nesse cenário que a presença da doula tem se consolidado como um pilar essencial em Imperatriz, oferecendo suporte físico, informativo e emocional contínuo antes, durante e após o parto.

Embora o conceito de doula seja antigo, em Imperatriz essa movimentação organizada começou a ganhar força no ano de 2017. Duas pioneiras, Aleny Moraes e Agda Porto, iniciaram os primeiros trabalhos de doulagem na cidade. Desde então, o papel dessas profissionais ganhou espaço tanto nas clínicas particulares quanto no atendimento voluntário e comunitário.

A atuação da doula é voltada de forma exclusiva para mulheres que buscam um acompanhamento humanizado. Para exercer a função, realiza-se um curso de aperfeiçoamento profissional, o qual não exige formação técnica ou nível superior prévio. Durante a capacitação, aprende-se a compreender as mudanças hormonais e físicas da gestante a cada trimestre, além de técnicas não farmacológicas para o alívio das dores do parto.

A enfermeira e doula Eduarda Bandeira, que atua na área há quatro anos, descobriu a profissão ainda durante a sua graduação em enfermagem, ao se encantar com a possibilidade de oferecer um cuidado individualizado e acolhedor. Ela faz questão de desmistificar um ponto central sobre a profissão: a doula não realiza procedimentos médicos e nem substitui os técnicos de saúde. “A doula não substitui nenhum profissional da equipe de saúde. Ela atua como uma presença contínua de apoio, ajudando a gestante a se sentir mais segura, informada e protagonista de suas próprias escolhas”, esclarece Eduarda.

Esse suporte integral faz toda a diferença para quem vivencia o processo. A advogada Camilla Vieira, mãe de primeira viagem, contratou o serviço de doula durante a sua gestação e descreve a experiência como um divisor de águas. “Ter uma doula durante a minha gestação foi essencial, a melhor escolha que eu já fiz. Ela me preparava para o que eu sentiria, me dava suporte nas dúvidas e anseios. Senti-me totalmente acolhida por alguém que realmente entendia o que eu estava passando”, relata Camilla, que hoje recomenda o acompanhamento para todas as grávidas que conhece.

O trabalho da doula começa muito antes do momento de dar à luz. Um dos focos principais é a educação perinatal, que prepara não apenas a mãe, mas também o companheiro ou acompanhante para a jornada que está por vir. Através de aulas teóricas e práticas, os casais aprendem sobre a fisiologia do parto, medidas de conforto, primeiros socorros, amamentação e engasgo do recém-nascido.

Eduarda Bandeira, que recentemente inaugurou uma clínica voltada a esse atendimento em Imperatriz, pontua que a gestação e o nascimento dizem respeito à família como um todo. O envolvimento do parceiro nas consultas ajuda a fortalecer o papel de suporte desse acompanhante no momento do parto. Além disso, a atuação da doula estende-se ao período do pós-parto, uma fase delicada e muitas vezes solitária para a mulher. As profissionais auxiliam no estabelecimento da amamentação imediata e orientam sobre as técnicas corretas de pega, minimizando as dificuldades iniciais enfrentadas por muitas mães.

Além do suporte clínico e informativo, a doulagem também engloba práticas que celebram a gestação de forma artística e afetiva, como as pinturas gestacionais (conhecidas como “arte gestacional”) e a realização de chás de bênçãos. Esses rituais ajudam a fortalecer o vínculo entre a mãe e o bebê, trazendo leveza ao final da gravidez. Contudo, por se tratar de um serviço personalizado e contínuo, o acompanhamento particular de uma doula ainda possui um custo elevado, tornando-se inacessível para muitas famílias. Ciente dessa barreira, algumas profissionais buscam caminhos para democratizar o acesso à informação.

A doula Suzana Rossi ingressou na área em 2023, motivada pela experiência transformadora que teve em seu próprio parto ao ser acompanhada por Alene Moraes. Hoje, ela concilia a rotina de cuidados com o próprio filho focando na vertente educativa e comunitária da profissão. Ela realiza rodas de conversa, oficinas e palestras voluntárias em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e comunidades de Imperatriz. “Trabalho com palestras e rodas de conversa abordando a maternidade e a violência obstétrica, ensinando as mulheres a identificarem seus direitos. Faço esse trabalho de forma voluntária porque compreendo que a gestação e o parto precisam ser desmistificados, e que a informação de qualidade deve chegar a quem mais precisa”, conclui Suzana.

Ao unir ciência, sensibilidade, arte e informação, o movimento de doulas em Imperatriz segue expandindo e transformando o ato de nascer em uma experiência mais segura, consciente e humana.