“O Brasil me ofereceu toda a documentação, todo o apoio e ainda deu a opção de escolher para onde queríamos ir”, garante a venezuelana Saret Tamarony

“Eu estou legalizada no Brasil. Minha família tem todos os documentos”

Texto: Izabella Souza

Foto: Arquivo pessoal Saret Tamarony

A situação e crise atual da Venezuela foi o que levou Saret Tamarony, seus três filhos e o seu esposo a virem para o Brasil. A família de Saret mora há um ano e quatro meses em Imperatriz, sendo que nesse tempo, residiram sete meses na casa de uma amiga que os acolheu e hoje estão morando em uma outra, alugada, no bairro Sebastião Régis.

Saret escolheu Imperatriz, pois tinha uma amiga morando na cidade. Essa amiga conheceu a irmã de Saret na Espanha, elas fizeram amizade e, com toda a situação envolvendo a Venezuela, a família entrou em consenso para decidir quem viria primeiro. Como ela é quem tem mais filhos, ao total de três, enquanto os irmãos têm apenas um, foi a que saiu da situação de vulnerabilidade primeiro. A mãe ainda se encontra na fronteira, juntamente com os seus irmãos.

Saret revela a primeira impressão que teve do país: “O Brasil é bom, sua gente é boa, se comparado a outros países. Porque tenho uma amiga no Peru, que foi maltratada lá, humilhada, golpeada, tanto pelas autoridades quanto pelo povo. Em Colômbia foi o mesmo, mas no Brasil não, me ofereceu toda a documentação, todo o apoio. E ainda deu a opção de escolher para onde queríamos ir”, relata.

No seu país, a venezuelana era professora de formação e hoje, no Brasil, enfrenta dificuldades para arrumar emprego. Uma das opções seria a de dar aulas de espanhol, no entanto, Saret ainda não fala muito bem o português. O seu marido trabalhava na Venezuela como motorista de caminhão e por enquanto, ajuda fazendo “bicos”, arrumando empregos temporários para garantir o básico à família.

Ela comenta que a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Mercosul tem prometido trabalhar juntos com o Brasil para melhor ajudar os venezuelanos e que há dois tipos de sistema: os que vêm da Venezuela refugiados e aqueles que migram já com residência temporária, caso de Saret. Diferente dos refugiados, os residentes têm que arcar com sua manutenção e com os custos de vida, incluindo aluguel, alimentação, entre outros. Porém, ela ressalta: “Quando preciso, o país me dá uma ajuda, pois sou estrangeira, mas não é como os casos de quem vêm como refugiados”.

Com relação à língua, Saret afirma que ainda sente dificuldade. “Ainda não falo o português corrido. Não estou acostumada a falar umas palavras completas, e há algumas que têm significados diferentes. Lá, uma palavra significa algo, e aqui pode ser uma ofensa, um xingamento, portanto, evito falar algumas palavras até que tenha o conhecimento certinho do que significa. Uma só palavra que falo errado, já fica complicado”, explica de forma descontraída a professora.

Saret e sua família nem cogitam voltar para a Venezuela. Ela diz que aqui se sente acolhida, não é humilhada, nem maltratada, os filhos estão estudando e por mais que existam dificuldades, porque são três crianças para alimentar, acha bom viver no país. “Eu estou legalizada no Brasil, minha família tem todos os documentos”, essa é a segurança da venezuelana e de sua família.

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