Músicos de Imperatriz recebem auxílio na pandemia

Com a atividade musical inviabilizada, profissionais da área recorreram a benefício criado por lei em 2021. Foto: Camila Barbosa Rodrigues.

Árion Barbosa

“Antes da pandemia era ótimo, porque tinha pelo menos dois shows na semana. E quando não dois, tinha pelo menos um, e dava para manter as coisas mensalmente”, conta Emerson Rodrigues, 22 anos, ex-backing vocal de uma banda de forró, atualmente desempregado. Ele se cadastrou para receber o Auxílio Emergencial Mestre Osório. Fundo criado pela lei ordinária nº 1.858/2021, o benefício prevê o pagamento de três parcelas no valor de R$ 400 a 234 músicos da cidade, segundo resultado preliminar.

Osório Mendes Neto foi um compositor, poeta e folclorista da região tocantina. Desde 2015, ocupava a vice-presidência do Consecma (Conselho Estadual de Cultura do Maranhão). Ele faleceu em 21 de fevereiro, devido a complicações da Covid-19. O auxílio recebe seu nome em homenagem ao legado do artista.

Impedidos de exercer a profissão regularmente, artistas que trabalhavam em contato direto com o público tiveram que se reinventar. Na falta de oportunidades, Emerson conta que precisou ajudar a mãe no salão de beleza para adquirir renda. “Se já estava difícil antes da pandemia, imagine agora para procurar emprego.” Para o cantor, as autoridades devem ajudar a classe. “Tanto em questão financeira, quanto em cestas básicas”.

Músico jovem está cantando no palco.
:: Emerson conseguia sobreviver com o dinheiro das apresentações. Foto: Acervo pessoal: Emerson Rodrigues.

 

Gabriel Santos Albuquerque, 23 anos, cantor da cena underground imperatrizense, concorda com Emerson. E acrescenta que “o governo deveria investir em políticas públicas de incentivo à cultura.” Ele opina que a prefeitura deve propor festivais on-line com diversidade de gêneros musicais. “Essa seria uma forma de olhar para outros artistas que não são tão reconhecidos na nossa cidade, mas que existem e resistem.”

Para Anderson Conceição Lima, 35 anos, também músico da região, as ações do Estado até existem, mas ainda há muito o que melhorar. “Muito morosas. E num contexto de emergência, isso dificulta ainda mais.”

O Brasil chegou a números alarmantes na pandemia, atingindo a média móvel de 3 mil mortos por dia, logo após uma semana com recorde de 4 mil óbitos em 24 horas em abril, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

Diante do cenário, Emerson não está otimista quanto ao futuro. “Depois que a pandemia passar, se passar, eu acho que vai ser bem difícil, porque não vai voltar 100%. E sempre vai ficar nesse impasse de tocar e ter medo. Essa coisa de aglomerar e aumentar de novo os casos, acho que sempre vai ficar assim.”

Gabriel acredita que, aos poucos, a situação irá se normalizar. Mas deixa um pedido:

“O que eu quero enxergar é uma valorização do músico, da música.
Na remuneração e no reconhecimento maior da arte em si, porque música é lazer, identidade e filosofia de vida.”

 

Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2 sob orientação da profa. Yara Medeiros.

 

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