Inteligência Artificial: Como a UEMASUL constrói o futuro no interior do Maranhão

Repórteres: Déborah Barbosa, Julio Nascimento e Nicole Bianca 

Foto: Arquivo Pessoal

Quem acompanha o ritmo do comércio em Imperatriz no Maranhão, pode não perceber à primeira vista, mas os códigos que vão ditar os rumos do desenvolvimento regional já começaram a ser escritos. Longe de ser um privilégio exclusivo dos grandes polos da região Sudeste, a Inteligência Artificial (IA) ganha destaque inédito no Maranhão com a chegada do novo curso de graduação em Inteligência Artificial da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL).

Essa iniciativa no interior do estado está conectada com um debate global e urgente. Como apontado na coletânea de estudos “Inteligência Artificial e o Futuro da Comunicação” (FACHA, 2023), a rápida evolução dos modelos de linguagem, como os algoritmos baseados na arquitetura “Transformer”, está reconfigurando não apenas o mercado de trabalho, mas a forma como produzimos conhecimento, tomamos decisões corporativas e nos comunicamos. 

Embora ferramentas de IA tragam benefícios em eficiência e análise de dados, elas também impõem desafios complexos, que vão desde os limites de atualização das bases de dados (como o histórico corte temporal das plataformas) até o risco de dependência tecnológica e isolamento social. No Maranhão, o fortalecimento do ensino superior focado em IA surge para unir a jornada acadêmica ao interesse prático do empresariado local na otimização de processos que vão do agronegócio ao varejo de serviços. 

Mas afinal, o que estudará um graduando em Inteligência Artificial na UEMASUL? O curso de Inteligência Artificial funcionará no turno vespertino e serão disponibilizadas 30 vagas, com ingresso previsto para o primeiro semestre de 2027. Para atender à nova graduação, a instituição já conta com professores da área de tecnologia em seu quadro, incluindo docentes que estão concluindo o doutorado. O planejamento garante profissionais suficientes para atender aos três primeiros semestres do curso. 

A infraestrutura também já está preparada para o início das atividades, com laboratórios disponíveis para os três primeiros semestres. Além disso, a instituição iniciou o processo de licitação para a aquisição de novos equipamentos voltados ao desenvolvimento de atividades em inteligência artificial. Para esclarecer dúvidas e dar os detalhes da implantação do curso, conversamos com Murilo Barros Alves, doutor em Engenharia de Produção e Sistemas e membro da Comissão Elaboradora do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Inteligência Artificial da UEMASUL, em uma conversa sem rodeios, ele destrincha o panorama tecnológico e empresarial da cidade e mostra importância da implementação do curso de graduação.

Foto: Arquivo pessoal
Murilo Alves é membro da Comissão Elaboradora do PPC do Curso de Inteligência Artificial da UEMASUL.

“Ficando bem claro que esse curso não é para formar usuários de inteligência artificial. Esse é um curso para formar profissionais que criam inteligências artificiais.”

Imperatriz Notícias: Por que surgiu a necessidade de criar um curso de Inteligência Artificial na UEMANSUL?

Murilo Barros Alves: Primeiro pela visão de mercado. A gente observa que hoje o mercado está exigindo um profissional que tenha habilidades de trabalhar com inteligência artificial. Em todas as áreas, pode ser no comércio, na indústria, no atacado e no varejo. Por isso nós tivemos essa ideia de elaborar um projeto pedagógico para a construção de um curso que realmente entregasse ao mercado esse tipo de profissional.

IN: Quais são as principais áreas em que um profissional formado em Inteligência Artificial pode atuar?

MBA: Eu vejo que praticamente 90% das áreas que tem no mercado hoje, o profissional pode trabalhar. Inclusive o grande objetivo do nosso curso é formar um profissional capaz de resolver problemas, ou seja, a empresa tem um problema e esse profissional entra com a proposta de trabalhar com inteligência artificial para resolver.

IN: O curso foi pensado apenas para atender à demanda regional ou também prepara profissionais para o mercado nacional e internacional?

MBA: Hoje com a tecnologia, eu posso estar aqui (Imperatriz), e ao mesmo tempo posso estar trabalhando em uma empresa de Londres ou Canadá. A gente forma um profissional cuja prioridade tende a ser atender às necessidades regionais, mas que também tem plenas condições de atender às demandas de qualquer lugar do mundo.

IN: Quais habilidades e conhecimentos os estudantes desenvolvem durante a graduação?

MBA: Quem trabalha com tecnologia tem que ter um bom conhecimento de matemática e, principalmente, de estatística, porque ela é fundamental para o trabalho com inteligência artificial. Então, esse estudante vai ter habilidades de programação, análise de dados e machine learning. Essas são necessidades fundamentais na hora de se construir uma inteligência artificial. Ficando bem claro que esse curso não é para formar usuários de inteligência artificial. Esse é um curso para formar profissionais que criam inteligências artificiais.

IN: Que perfil de estudante costuma se identificar com essa graduação?

MBA: Normalmente é aquele que tem afinidade com questões tecnológicas. O pessoal das ciências exatas, da matemática e da física. Mas isso não é um fator restritivo, desde que todos os profissionais que têm essa vontade de trabalhar com tecnologia se enquadrem no perfil de quem pode iniciar nesse curso.

IN: Há uma preocupação em ensinar o uso ético responsável da inteligência artificial? Como isso vai ser trabalhado? 

MBA: Nós temos uma preocupação muito grande com essa questão da ética. Temos uma carga horária destinada exatamente a trabalhar o processo ético da utilização da inteligência artificial, porque todas as ferramentas podem ser utilizadas para benefício da humanidade e também para malefícios. A nossa preocupação é dar essa consciência ética aos nossos discentes sobre a utilização dessas tecnologias.