Casos recentes reforçam a preocupação com o aumento de pessoas desaparecidas e o sofrimento de quem aguarda por respostas.
Por Ludymilla Souza
Famílias desesperadas. Um pedido por respostas. Uma espera que parece não ter fim. Em Imperatriz e na região, o número de casos de pessoas desaparecidas tem preocupado moradores e mobilizado as forças de segurança. Enquanto as investigações seguem, familiares convivem diariamente com a angústia de não saber o paradeiro de quem amam.
Um dos casos é o de Rodrigo, desaparecido desde o dia 29 de maio. Ele foi visto pela última vez na região da Estrada do Arroz, na companhia de outro rapaz, que posteriormente foi encontrado morto nas proximidades da Chácara Show. Outro desaparecimento é o de Antônio Francisco, morador de Buritirana, que saiu de casa no dia 5 de junho e nunca mais foi visto.

Entre as histórias que mais chamam atenção está a de João Victor, de apenas 15 anos. O adolescente morava com a mãe em Buriticupu e veio passar alguns dias na casa da avó, no bairro Boca da Mata, em Imperatriz. Na noite do dia 29 de maio, desapareceu sem deixar pistas.
A mãe relata o desespero vivido desde então.
“Sou mais uma mãe desesperada atrás do seu filho, atrás de resposta, atrás de justiça. Até o momento a gente não está tendo nada. Eu me sinto impotente de não poder ajudar meu filho.”
Outro caso é o de João Paulo. Há cerca de dois meses, a família aguarda notícias e cobra respostas das autoridades.
“A gente queria saber notícia dele, de qualquer jeito. A mente da gente não para de pensar no que aconteceu.”
A preocupação não é apenas das famílias diretamente afetadas. Moradores afirmam que os desaparecimentos têm se tornado cada vez mais frequentes em Imperatriz e cobram mais segurança e agilidade nas investigações.
Dados reforçam esse cenário. Somente na região Nordeste, entre janeiro e maio deste ano, foram registrados 569 casos de pessoas desaparecidas. Desse total, 353 são homens, 165 mulheres e 51 não tiveram o sexo informado. Cerca de 406 desaparecidos tinham mais de 18 anos, enquanto 137 eram crianças ou adolescentes de até 17 anos. Os números representam uma média de aproximadamente quatro desaparecimentos por dia.
Segundo o delegado Alex Coelho, cada caso passa por uma investigação individualizada. O trabalho começa com o levantamento da rotina da pessoa desaparecida, histórico familiar, possíveis problemas psicológicos e outras informações que possam ajudar a direcionar as buscas. Ele destaca que a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente também atua em casos envolvendo menores de idade e que diligências vêm sendo realizadas para localizar os desaparecidos registrados na região.
O delegado explica que, em qualquer situação de desaparecimento, o primeiro passo é procurar imediatamente uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência. A partir desse registro, a Polícia Civil inicia oficialmente os procedimentos de investigação e busca. Dependendo das circunstâncias do caso, a ocorrência pode ser encaminhada aos distritos policiais ou, caso existam indícios de homicídio, à Delegacia de Homicídios. Além disso, o desaparecimento é incluído no Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, ferramenta utilizada para auxiliar na localização dessas pessoas.
A polícia também reforça que a colaboração da população é fundamental. Quem tiver qualquer informação sobre pessoas desaparecidas pode entrar em contato pelo telefone 190 ou pelo número da CIOPS, contribuindo para que essas famílias tenham, finalmente, uma resposta.
A reportagem em formato audiovisual pode ser acessada no perfil oficial da TV Difusora Imperatriz no Instagram