“Eu me apaixonei pelos brasileiros e pelo Brasil, mesmo com o choque cultural”, confessa o dinamarquês Kent Ortmeyer

“Eu acredito que é aqui que eu vou passar o resto dos meus dias”

Texto: Igor Aguiar

Foto: Arquivo pessoal Kent Ortmeyer

Um jovem aventureiro com apenas 21 anos de idade resolveu viajar para o Brasil e descobrir as belezas do país tropical. O dinamarquês Kent Ortmeyer pegou uma mochila, desembarcou em terras ludovicenses junto com um amigo em 2001 e se encantou com tudo. Depois de um período de três meses fazendo uma verdadeira tour pelo Nordeste até chegar ao Rio de Janeiro, voltou para o seu país natal.

Admite que não sabia falar nada em português e lembra de ter feito um curso rápido para entender melhor a língua.  “Eu não queria ser aquele gringo que não entende nada, que ninguém entende”. Ele brinca dizendo: “Lá na Dinamarca eu fiz um curso de português de 30 horas totais, grande quantidade de 30 horas de português”, brinca. Ele afirma que a adaptação à língua só se deu após várias vindas ao Brasil e declara ter tido dificuldade com a conjugação dos verbos, que “não foi fácil de entender de primeira”. Além do português, Kent fala mais quatro idiomas: sueco, inglês, dinamarquês e alemão.

Em uma de suas visitas a São Luís conheceu a sua primeira esposa, que é imperatrizense e, por volta de 2014, veio morar nesta cidade. Desde então se consolidou como professor de inglês e apostou na profissão como a melhor alternativa de vida por aqui. Começou a divulgar suas aulas colocando placas de anúncio na academia em que malhava. Sua didática é bem mais exclusiva que os cursos convencionais, o que leva o seu trabalho a ter uma ótima qualidade. “Eu faço uma coisa bastante personalizada, de alto nível, entrego um produto de alto valor”, explica Kent.

O dinamarquês fala do amor pelo Brasil e relata que a sua recepção ao chegar foi a melhor possível. Mas também comenta sobre a diferença cultural que o surpreendeu em alguns pontos, como o calor e a desorganização em locais públicos. “Eu me apaixonei pelos brasileiros e pelo Brasil, mesmo com o choque cultural”, afirma. Ele destaca os ritmos musicais locais e faz uma comparação com seu país de origem. “A gente não tem o costume de dançar em pares na Dinamarca, isso me chamou a atenção aqui, o forró, o sertanejo, esses tipos de dança que as pessoas vão em pares”. Ele ainda confirma que é fã do forró das antigas, como as bandas Calcinha Preta e Limão com Mel.

Sobre a evolução do povo brasileiro, o professor de inglês destaca uma leve mudança no seu comportamento. “Eu acho que não é só o Brasil que está passando por mudanças, é o mundo todo. Uma coisa que tenho visto mudando é a mentalidade dos brasileiros de 20 anos atrás pra hoje, as pessoas estão mais inconformadas com a corrupção”, relata.

Apesar dele não ter a naturalização brasileira ainda, pretende acelerar esse processo, porém, Kent tem o visto permanente definitivo para morar no Brasil. Sobre voltar a viver na Dinamarca, não cogita mais a possibilidade. “Eu acredito que é aqui que eu vou passar o resto dos meus dias”, conclui o professor.

 

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