“Eu acho que a pauta da representatividade tem uma força enorme’, diz a jornalista Jaqueline Fraga

Autora do livro reportagem Negra Sou, Jaqueline conta a história de mulheres negras que ocupam algumas das profissões mais cobiçadas do Brasil

Jornalista deu início ao livro em um projeto de TCC

Texto: Andréia Liarte

Fotos: Divulgação

A jornalista pernambucana Jaqueline Ferreira Fraga, 30 anos, é formada em jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e autora do livro-reportagem Negra Sou-a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho, que conta a história de cinco mulheres negras que conquistaram espaço em algumas das profissões mais valorizadas do Brasil.  “Eu acho que a pauta da representatividade tem uma força enorme. A gente tem, sim, que mostrar nossos resultados, as nossas conquistas para inspirar as meninas e as mulheres negras que estão por aí”, acredita. A escritora frisa que sempre é preciso denunciar o discurso da exceção, da exclusão.  “É contar essas histórias pra que todas saibamos que somos capazes, mas também lutar pra que todas tenhamos as melhores condições de acesso à educação, etc e etc”.

De acordo com Jaqueline, tudo começou por meio de um trabalho de conclusão de curso.  “Meu desejo de escrever esse livro-reportagem vem lá de trás, 2016, porque no TCC eu escrevi a série de reportagens que eu trago no livro hoje”. Ela conta que o seu desejo, já naquele momento, era o de publicar a obra logo após a defesa.  “Mas, enfim, estudante, não é? Início de carreira, ainda não tinha essas condições, todo o entendimento digamos assim, de pesquisar e saber como funciona um processo editorial”.

Para a jornalista, existe uma grande diferença entre o trabalho em uma redação e o universo do livro-reportagem.  “A gente precisa de tempo pra entrevistar as pessoas, para decupar, pra apurar, pra sentir todo processo, imaginar como a gente quer descrever aquela história. Isso é muito diferente de uma rotina diária do jornalismo factual, por exemplo, porque a gente fica produzindo notícia após notícia”.

Livro traz histórias com poder de encorajar outras mulheres

Franqueza

Jaqueline conta que, aos poucos, foi ganhando a confiança de suas entrevistadas.  “Elas me contavam situações que elas e as mães delas enfrentaram. E são temas que mexem com a gente, que emocionam. Então é uma conversa bem aberta, bem franca. Eu acho que isso foi essencial, também, pra que eu conseguisse passar a verdade, os sentimentos daquelas mulheres nas histórias, nas reportagens que eu produzi”, acredita.

A autora ressalta, ainda, a importância de que o jornalista tenha todos os cuidados na hora de falar sobre os seus personagens.  “A gente não quer diminuir ninguém, menosprezar a história de alguém. A gente quer contar aquela história da melhor forma possível”.

Com todos os cuidados que tomou na produção da obra, a repórter diz que tem encontrado um público bem eclético de leitores. “A maior parte são realmente de mulheres negras que eu acho que se identificam com o título, com a história, com tudo que eu trago no livro.  Mas também tem um percentual bem bacana de pessoas não negras, de mulheres brancas, homens brancos também, que dão bastante retorno positivo. Isso é engrandecedor”.

Para Jaqueline, o livro abriu os olhos de muitas pessoas e tem despertado nelas o desejo de combater o preconceito.  “Realmente desenvolve essa consciência crítica nas pessoas que começam a dizer: ‘Ah, vou me policiar mais com relação a isso’. ‘Ah, eu tô entendendo de outra forma’. Foi incrível conhecer essas mulheres, conhecer essas histórias. Então o livro desperta sim, transforma sim”.

A entrevista original com a jornalista foi feita no contexto da pesquisa Jornalistas escritores de livros-reportagem no Nordeste, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo de Fôlego, do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz, pela estudante e pesquisadora Viviane Reis Silva. 

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