Laiza Cristina Rego
Usina de Estreito e a oscilação diária do rio
Outro ponto crítico detalhado pela Defesa Civil é a variação no nível da água, um fenômeno que costuma pegar muitos banhistas de surpresa. Essa oscilação não ocorre apenas de um dia para o outro, mas pode acontecer em questão de poucas horas ao longo do mesmo dia, sendo diretamente influenciada pela vazão e operação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Estreito.
Para tentar mitigar esse impacto e dar mais previsibilidade aos frequentadores, existe um arcabouço regulatório. Conforme a Resolução nº 70 da Agência Nacional de Águas (ANA), o período de operação especial do reservatório de Estreito, voltado para a Temporada de Praias no Rio Tocantins, ocorre anualmente a partir de 1º de julho até o segundo domingo de setembro.
O dispositivo estabelece que as operações da usina devem minimizar as flutuações provocadas por vazões entre os reservatórios de Lajeado e Estreito. Mesmo com a resolução, o monitoramento preventivo é indispensável. A Defesa Civil de Imperatriz realiza o acompanhamento diário do nível e da vazão do rio, publicando boletins informativos atualizados diretamente no site oficial da Prefeitura. Esse banco de dados é a base de trabalho para os guarda-vidas.
Os profissionais são rigorosamente instruídos a acompanhar essas informações técnicas e associá-las à observação visual de campo, avaliando a força da correnteza e o avanço da água sobre a areia. Caso detectem qualquer anomalia ou aumento de risco, eles têm autonomia para alertar a população e restringir o acesso a determinadas áreas.
Operação integrada e proteção aos mais vulneráveis
Quando a temporada começar oficialmente, a atuação da Defesa Civil será pautada pelo trabalho preventivo e integrado. O órgão funcionará como um elo de suporte logístico e operacional, apoiando as demais secretarias municipais e forças de segurança, saúde, trânsito, turismo e limpeza urbana.
Dentre as atribuições do órgão na areia, destacam-se a vistoria constante das áreas de banho, o auxílio direto às equipes de guarda-vidas com treinamentos contínuos, a delimitação física dos espaços considerados seguros e o monitoramento das condições climáticas locais.
Por fim, o planejamento para 2026 dá uma atenção especial aos grupos mais vulneráveis no tumulto das praias: crianças, idosos e pessoas com deficiência. A estratégia adotada pela Defesa Civil será essencialmente educativa e começará logo na chegada do cidadão à praia.
As equipes atuarão conscientizando os responsáveis sobre a obrigatoriedade de nunca deixar essas pessoas sozinhas na água ou na arena. Além disso, haverá o estímulo ao uso de pulseiras de identificação. A orientação é que o acessório contenha o nome do vulnerável, o telefone de contato do responsável e um ponto de referência claro (como o número ou nome da barraca de apoio).
A medida visa garantir que, em caso de desencontro, a localização e a reunificação familiar aconteçam da forma mais rápida possível, evitando maiores transtornos e garantindo um veraneio seguro para todos.
Com a descida do nível do Rio Tocantins, os primeiros bancos de areia já estão visíveis, atraindo banhistas e gerando uma movimentação antecipada de embarcações, especialmente em direção às áreas localizadas no lado do estado do Tocantins. No entanto, o que deveria ser um momento de lazer tem preocupado as autoridades municipais.