Defesa Civil alerta para os riscos do ‘pré-veraneio’ em Imperatriz

Laiza Cristina Rego

Com a descida do nível do Rio Tocantins, os primeiros bancos de areia já estão visíveis, atraindo banhistas e gerando uma movimentação antecipada de embarcações, especialmente em direção às áreas localizadas no lado do estado do Tocantins. No entanto, o que deveria ser um momento de lazer tem preocupado as autoridades municipais. 

A Defesa Civil de Imperatriz acendeu um alerta vermelho para os perigos desse “pré-veraneio”, destacando que a falta de estrutura e de monitoramento fixo coloca vidas em risco.
O superintendente da Defesa Civil do município, Evandro Abreu, explicou que a ansiedade da população em aproveitar o período de estiagem pode resultar em acidentes graves. 

Ele reforça que, embora as praias do Cacau e do Meio já estejam desenhadas na paisagem, a temporada oficial ainda não começou e o banho de rio nessas condições exige cautela extrema.

O perigo da antecipação e a ausência de socorro

A principal preocupação do órgão é a vulnerabilidade dos banhistas que se deslocam para os bancos de areia sem qualquer tipo de proteção profissional por perto. A recomendação explícita é que a população aguarde a abertura oficial da temporada para frequentar o rio.

“A Defesa Civil orienta que a população evite se antecipar à abertura oficial do período de praias, principalmente em áreas que ainda não contam com monitoramento fixo, sinalização e equipes de apoio”, adverte o superintendente Evandro Abreu.

Segundo Abreu, o Rio Tocantins é historicamente conhecido por sua força e dinamicidade. Entre os fatores de risco invisíveis aos olhos do público estão as correntezas fortes, as mudanças repentinas de profundidade (formação de buracos na areia) e os perigos inerentes à travessia por embarcações sem a devida fiscalização. O agravante principal do pré-veraneio é o tempo de resposta: em caso de um afogamento ou mal-estar súbito, a ausência de socorristas no local reduz drasticamente as chances de um atendimento imediato e bem-sucedido.

Usina de Estreito e a oscilação diária do rio

Outro ponto crítico detalhado pela Defesa Civil é a variação no nível da água, um fenômeno que costuma pegar muitos banhistas de surpresa. Essa oscilação não ocorre apenas de um dia para o outro, mas pode acontecer em questão de poucas horas ao longo do mesmo dia, sendo diretamente influenciada pela vazão e operação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Estreito.

Para tentar mitigar esse impacto e dar mais previsibilidade aos frequentadores, existe um arcabouço regulatório. Conforme a Resolução nº 70 da Agência Nacional de Águas (ANA), o período de operação especial do reservatório de Estreito, voltado para a Temporada de Praias no Rio Tocantins, ocorre anualmente a partir de 1º de julho até o segundo domingo de setembro.

O dispositivo estabelece que as operações da usina devem minimizar as flutuações provocadas por vazões entre os reservatórios de Lajeado e Estreito. Mesmo com a resolução, o monitoramento preventivo é indispensável. A Defesa Civil de Imperatriz realiza o acompanhamento diário do nível e da vazão do rio, publicando boletins informativos atualizados diretamente no site oficial da Prefeitura. Esse banco de dados é a base de trabalho para os guarda-vidas.

Os profissionais são rigorosamente instruídos a acompanhar essas informações técnicas e associá-las à observação visual de campo, avaliando a força da correnteza e o avanço da água sobre a areia. Caso detectem qualquer anomalia ou aumento de risco, eles têm autonomia para alertar a população e restringir o acesso a determinadas áreas.

Operação integrada e proteção aos mais vulneráveis

Quando a temporada começar oficialmente, a atuação da Defesa Civil será pautada pelo trabalho preventivo e integrado. O órgão funcionará como um elo de suporte logístico e operacional, apoiando as demais secretarias municipais e forças de segurança, saúde, trânsito, turismo e limpeza urbana.

Dentre as atribuições do órgão na areia, destacam-se a vistoria constante das áreas de banho, o auxílio direto às equipes de guarda-vidas com treinamentos contínuos, a delimitação física dos espaços considerados seguros e o monitoramento das condições climáticas locais.

Por fim, o planejamento para 2026 dá uma atenção especial aos grupos mais vulneráveis no tumulto das praias: crianças, idosos e pessoas com deficiência. A estratégia adotada pela Defesa Civil será essencialmente educativa e começará logo na chegada do cidadão à praia.

As equipes atuarão conscientizando os responsáveis sobre a obrigatoriedade de nunca deixar essas pessoas sozinhas na água ou na arena. Além disso, haverá o estímulo ao uso de pulseiras de identificação. A orientação é que o acessório contenha o nome do vulnerável, o telefone de contato do responsável e um ponto de referência claro (como o número ou nome da barraca de apoio).

A medida visa garantir que, em caso de desencontro, a localização e a reunificação familiar aconteçam da forma mais rápida possível, evitando maiores transtornos e garantindo um veraneio seguro para todos.