Aylla Christina
Em 2018 eu tinha 11 anos e, naquela época, eu ligava muito para aparência. Todas as meninas da minha sala já tinham corpo de adolescente e eu ainda parecia uma criança. Isso me deixava incomodada, porque eu queria ser igual às outras meninas e achava que precisava mudar para ser aceita.
Um dia, tive uma ideia que parecia muito boa. Peguei escondido um sutiã da minha mãe. Ele era rosa, possuía bojo e tinha alças pretas. Na minha cabeça, aquilo ia resolver todos os meus problemas. Coloquei por baixo da blusa, me olhei no espelho e achei que finalmente estava parecendo mais velha. Mas quando cheguei na sala, as meninas começaram a olhar estranho para mim. Algumas riram e perguntaram de onde tinham aparecido aquelas “curvas” de um dia para outro. Na hora eu fiquei morrendo de vergonha e só queria ir embora dali.
Eu até pensei em pedir para voltar para casa, mas não fui. Em vez disso, fui andando em passos apressados até uma cabine no banheiro e tirei o sutiã. Lembro até hoje dele nas minhas mãos: rosa chamativo, de bojo, com aquelas alças pretas, como a prova viva da minha ideia sem noção. Depois respirei fundo, guardei ele e voltei para a sala de aula completamente envergonhada, tentando fingir que nada tinha acontecido.
Naquele dia eu passei vergonha, mas também aprendi uma coisa muito importante: tentar ser outra pessoa só para agradar os outros nunca dá certo. E no fim, aquilo que parecia um desastre virou apenas uma lembrança engraçada da minha infância.
Produto jornalismo literário Quem vive conta. Crônica desenvolvida por acadêmicos da turma 2026.1 do curso de jornalismo UFMA/Imperatriz na disciplina de Produção textual I. Coordenado pelas professoras Camila Rodrigues e Milena Silva. Edição por Nathalia Monteiro.