Voz Literária · Quem vive conta

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Dos cultos ao jornalismo

Nicolle Dias

Tem gente que encontra propósito em grandes acontecimentos. O meu apareceu aos poucos, dentro da igreja, entre câmeras improvisadas, vídeos simples e uma vontade enorme de comunicar sentimentos.

Antes disso, eu ainda era só uma menina tentando descobrir o que faria da vida. Nasci em São Paulo, mas foi no Tocantins que cresci de verdade. Minha mãe decidiu se mudar quando eu tinha seis anos para cuidar dos meus avós maternos e foi lá que passei toda a minha adolescência. Fiz amizades, vivi fases importantes da escola e aprendi, sem perceber, que a vida é feita de recomeços.

Durante muito tempo eu não sabia qual profissão seguir. Via meus colegas cheios de certezas enquanto eu apenas tentava encontrar algo que fizesse sentido dentro de mim. Até que, em 2023, a comissão da igreja me escolheu para fazer parte do ministério de comunicação. Pode parecer simples para algumas pessoas, mas foi ali que tudo começou.

Entre gravações de cultos, edições improvisadas e fotos tiradas sem muita experiência, eu descobri algo que nunca tinha sentido antes: eu amava comunicar. Amava transformar momentos em memória. Amava registrar sentimentos que, muitas vezes, nem cabiam em palavras. E foi nesse processo que senti Deus direcionando meu coração para o jornalismo.

Escolher esse curso não foi apenas uma decisão profissional. Foi também um ato de fé. Eu não acreditava muito que conseguiria passar em uma universidade federal, ainda mais vindo direto do terceirão. Mesmo assim, todos os dias, depois que saiu o resultado do ENEM, eu fazia a mesma oração: “Que seja feita a tua vontade e que o Senhor me prepare para os teus planos.”

Hoje, morando em Imperatriz, percebo que minha história nunca foi construída apenas pelos lugares onde vivi, mas pelas pessoas, pelas experiências e principalmente pela fé que me trouxe até aqui. Às vezes, Deus não revela o propósito de uma vez. Às vezes, Ele coloca uma câmera nas nossas mãos e deixa o coração entender sozinho o caminho que deve seguir.

Produto jornalismo literário Quem vive conta. Crônica desenvolvida por acadêmicos da turma 2026.1 do curso de jornalismo UFMA/Imperatriz na disciplina de Produção textual I. Coordenado pelas professoras Camila Rodrigues e Milena Silva. Edição por Nathalia Monteiro.