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Secretário municipal, Carlos Lucena, destaca a educação e a cultura em Montes Altos

Brenda Marques

Gabriel Cruz

Melissa Sophie

Natural de Montes Altos (MA), Carlos Wennison Pereira Lucena tem 31 anos e construiu sua trajetória profissional fundamentada na educação e no campo da comunicação. Formado em Ciências Humanas/Sociologia e em Jornalismo pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em Imperatriz. Possui especialização em Assessoria de Comunicação e concluiu o mestrado em Comunicação, também pela UFMA, em agosto de 2025. Defensor da educação como a principal ferramenta de transformação social, Carlos reflete em sua própria caminhada o potencial acadêmico dos jovens de seu município natal.

Com experiência na gestão pública local, assumiu a Secretaria Municipal de Comunicação em 2017 e a Secretaria de Cultura em 2020, durante os desafios impostos pela pandemia. Após retornar à assessoria de comunicação em 2024, assumiu a liderança da recém-unificada Secretaria de Cultura, Turismo e Comunicação de Montes Altos. Nesta entrevista em formato pingue-pongue, o comunicador e gestor compartilha memórias da infância na cidade, analisa a vocação educacional do município e destaca as ações de valorização dos povos indígenas Krikati. Confira:

Imperatriz Notícias – Quais são as suas primeiras lembranças de Montes Altos e como era a cidade na sua infância?

Carlos Lucena – Montes Altos sempre foi uma cidade pacata, com características interioranas, mas que também reflete muito a realidade de Imperatriz devido à proximidade de 63 quilômetros. Na minha infância, a cidade tinha ainda mais esse perfil de interior, onde as pessoas sentavam na porta de casa para conversar e as crianças brincavam na rua com liberdade e segurança. Ao mesmo tempo, a cidade tem se desenvolvido bastante nos últimos anos, expandindo-se com novos bairros, casas e quadras poliesportivas para os seus cerca de 10 mil habitantes.

I.N – No que Montes Altos se difere dos outros municípios da Região Tocantina?

C.L – O principal diferencial é a vocação da população para o estudo e a busca pelo crescimento por meio da educação. Montes Altos possui um alto índice de pessoas com ensino superior concluído e uma população bastante politizada, que compreende a realidade social e ocupa posições de destaque regional e estadual. Um exemplo disso foi a eleição de uma jovem indígena de 19 anos, a única do país.

Jornalista, homem, em pé segurando um certificado e sorrindo
Foto: acervo pessoal.

“O que mais me marca é conseguir abrir espaços e dar visibilidade a grupos marginalizados que antes não tinham apoio para mostrar sua arte e produção”.

I.N – Existe algum lugar na cidade pelo qual você tem um carinho especial? O que ele representa na sua história?

C.L – A Praça de Santana, no centro da cidade, onde fica a réplica da Torre de Pisa, que é o principal símbolo do município. Em 2025, inclusive, fiz um documentário registrando os 30 anos dessa construção. Além dela, tenho um carinho especial pela rua onde passei a infância brincando, que na época era de piçarra e hoje se transformou na rodovia estadual MA-280.

I.N – Qual situação vivenciada durante a sua atuação na secretaria mais o marcou?

C.L – O que mais me marca é conseguir abrir espaços e dar visibilidade a grupos marginalizados que antes não tinham apoio para mostrar sua arte e produção. A cultura tem um papel social fundamental de acolhimento. Conseguimos incluir a população indígena Krikati nos eventos da cidade, com apresentações artísticas, barraquinhas de produtos e o apoio a duas quadrilhas juninas indígenas.

I.N – Você poderia detalhar como foi a mobilização em torno dessas duas quadrilhas juninas indígenas?

C.L – Temos a junina da aldeia Recanto e a junina da aldeia São José, ambas do povo Krikati e formadas majoritariamente por jovens e adolescentes. A quadrilha da aldeia São José é maior e a Junina Krikati já chegou a se apresentar no festival estadual de quadrilhas indígenas em Grajaú. A prefeitura apoia com transporte de ônibus e repasse de recursos da Lei Aldir Blanc para a aquisição de adereços e figurinos. Quanto mais as pessoas conhecem a cultura e as tradições indígenas, menor se torna o preconceito.

I.N –Considerando essas manifestações culturais próprias do povo indígena Krikati, e a eleição de uma vereadora indígena aos 19 anos, como a gestão municipal trabalha para ampliar a participação indígena e combater o preconceito no município?

C.L – A gestão municipal é muito parceira dos povos indígenas, está sempre presente, participa das ações, dos eventos e dá o apoio ao que é necessário para as programações dos povos indígenas. E, na atual gestão, no caso, vale frisar que o prefeito Domingos França nasceu em uma localidade próxima ao território indígena, na verdade, próxima à aldeia. A partir daí, teve esse vínculo muito forte com os povos indígenas desde criança. Então ele tem esse respeito muito grande pelos povos indígenas e pelo povo krikati. E uma das principais ações que a gestão realizou foi a criação na atual gestão da Secretaria Municipal de Articulação com os Povos Indígenas a partir do dia 1º de janeiro de 2025. Justamente para ser um canal de diálogo a mais entre a comunidade indígena, o secretário mora na Aldeia São José, por exemplo.

I.N – Na sua opinião, o que as pessoas de outras cidades ainda não conhecem sobre Montes Altos e deveriam conhecer?

C.L – Montes Altos é uma cidade gentil e hospitaleira, como diz o próprio hino municipal. Temos um grande potencial cultural e turístico, que inclui a cultura indígena, a maior cavalgada da região, banhos, o lago central com orla e praça de alimentação, além das réplicas da Torre de Pisa e do Cristo Redentor. Com a incorporação da pasta do Turismo à Secretaria, estamos trabalhando para retornar ao Mapa do Turismo brasileiro e mostrar toda a nossa potencialidade.

I.N – Quais iniciativas estão sendo desenvolvidas para fortalecer o turismo e buscar a reinserção da cidade nesse mapeamento?

C.L – A gente tem buscado fortalecer o turismo por meio da divulgação das potencialidades de Montes Altos, fazendo campanhas, publicações nas redes sociais e participando de eventos e reuniões com a Secretaria de Turismo do Estado, justamente para apresentar nossos atrativos e despertar o interesse das pessoas em visitar e investir no município. Desde abril, temos trabalhado na parte burocrática para retornar ao Mapa do Turismo brasileiro, preparando toda a documentação, elaborando o roteiro turístico e criando o Conselho Municipal de Turismo. Também estamos trabalhando em parceria com as comunidades indígenas, buscando construir roteiros de turismo étnico que valorizem as serras, os rios e os riachos presentes nesses territórios, para que essas comunidades também sejam beneficiadas. A gente pretende finalizar essa parte burocrática até o final de novembro e, a partir daí, buscar novamente o apoio da Secretaria de Turismo do Estado para a formação de guias turísticos e a elaboração dos roteiros. Acreditamos que, estando novamente no Mapa do Turismo, teremos muito mais condições de desenvolver o turismo em Montes Altos e apresentar todas as potencialidades que o município tem.