Repórter: AyllaCoêlho, Marcos Vinicius Prohmann, Sara Bandeira

Pauteiro: Felipe Costa

Fotos: AyllaCoêlho

Foi-se o tempo em que a aplicação de próteses nos seios era o procedimento mais frequente entre as mulheres que buscavam uma intervenção plástica. Hoje, segundo o cirurgião Paulo Moura, especializado em cirurgia plástica e pós-graduado, nos Estados Unidos a procura por abdominoplastia – retirada de  gordura e pele em excesso do abdômen é de longe a mais comum. Além dela a rinoplastia – cirurgia de nariz – e a blefaroplastia – redução da pálpebra – estão sendo alvos de buscas constantes. Em seu consultório, a média de cirurgias, por dia, é de uma cirurgia grande, com mais de cinco horas de duração, ou duas pequenas, de até três horas.

A variedade de procedimentos aumentou por uma questão de vaidade, já que as pessoas procuram uma forma de satisfação com o próprio corpo. Isso proporciona o conhecimento e autocuidado, mas ao mesmo tempo ela pode gerar uma dependência em relação aos padrões. O médico ressalta que a obsessão pelo corpo ideal faz com que as pessoas procurem mais os procedimentos. “Hoje as pessoas se acham doentes por não ter um corpo dentro do padrão”, diz o cirurgião.

Cirurgião plástico Paulo Moura diz que corpo padrão é a busca no consultório

A comparação, quase inevitável, acaba instigando a indústria cultural da beleza, ou seja, o consumo de ideais referentes ao que é belo ou não. Moura reforça o nível exacerbado em que a padronização chegou. “As mulheres querem ser a mais bonita, mas todas iguais” sustenta o médico.

Autoestima

A esteticista Verediana Oliveira submeteu-se a três cirurgias, dentre elas a mamoplastia – seu primeiro procedimento estético, feito aos 26 anos -, a lipoescultura – remoção de gordura de diversos locais diferentes do corpo – e a abdominoplastia, já que havia passado por três gestações e se sentia desconfortável com o seu corpo. “Melhorou meu relacionamento com meu marido e filhos”, diz ela.

Ela destaca, ainda, a dupla atitude da mídia de promover a aceitação do próprio corpo e de reforçar os modelos preestabelecidos pela sociedade. “Ao mesmo tempo que a mídia impõe os padrões, ela vem e diz que a gente não pode ceder, é um pouco confuso”, afirma Verediana.

A influência dos meios de comunicação afeta pessoas de todas as idades. De acordo com Moura, a procura por um corpo padrão é grande até entre adolescentes, principalmente entre meninas, a partir dos 14 anos, que desejam colocar prótese de silicone. Cirurgias plásticas podem ser feitas por meninas adolescentes após três anos da primeira menstruação. No entanto, ele tenta convencer suas pacientes sobre a precocidade da decisão.

“Se você produz muito uma criança, ela fica irreconhecível”, ele comenta.

Verediana está muito feliz com o resultados da cirurgia

Normalmente, antes de passarem pelo primeiro procedimento estético, as pessoas ficam apreensivas. O medo de sofrer complicações percorre todo o processo. Entretanto, após a primeira experiência, alguns pacientes perdem o receio de moldar seus corpos e investem em mais de uma operação. A satisfação com sua própria aparência gera confiança nas pessoas.

“Sua autoestima vai lá pra cima”, afirma a dona de casa, Midiã Lopes. Apesar de não desejar fazer outros procedimentos, Midiã se sente satisfeita com sua abdominoplastia, realizada há nove anos atrás. Sua única queixa a respeito da operação é o pós-cirúrgico, intervalo de tempo voltado para a recuperação do paciente.

Pós-cirúrgico

As plásticas são cirurgias invasivas e requerem uma cautela e orientação desde a primeira consulta com o especialista até o pós-cirúrgico. Elis Gonçalves, assistente administrativa, teve uma experiência negativa durante a recuperação de sua primeira cirurgia, a abdominoplastia. Por falta de orientação, o corpo reteve líquido e provocou dores.

Reforçando a relevância do pós-operatório, Verediana, como profissional da área da estética, destaca a necessidade de receber uma boa orientação do médico cirurgião e de entender os cuidados essenciais em relação ao período posterior à cirurgia. Ela reforça ainda que este processo é delicado.

“Eu tive seis meses de pós-operatório e não me sinto segura em atender pós-operatório”, comenta a esteticista.

De acordo com a Associação Médica de Imperatriz, o município conta, atualmente, com seis cirurgiões plásticos em atividade. O número reflete um avanço no mercado local em relação aos anos anteriores. Esse é um ponto destacado por Elis, no que diz respeito à disponibilidade de profissionais há 18 anos atrás.

“No meu tempo era tudo mais limitado, eu via as coisas nas revistas e aqui na cidade só tinham dois cirurgiões conhecidos” expõe ela.

No caso da mamoplastia, por exemplo, os preços variam, podendo chegar à R$ 20.000, incluindo anestesista, despesas hospitalares e a prótese de silicone. Paulo Moura destaca a importância de procurar um bom profissional, independentemente do valor.

“Eu não digo que é caro, é justo. Eu vendo Mercedes, não vendo fusquinha” revela Moura.