Especialista e pessoa diagnosticada comentam sinais de quando o sentimento se torna problema de saúde. Foto: Yara Medeiros.

 

Juliana Fernandes

“Esse momento pandêmico que estamos vivendo potencializa a ansiedade”, o alerta é do psicólogo Wesley Rodrigues Santos, que trabalha no Hospital Genésio Rego, referência no tratamento de Covid-19, em São Luís.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nos meses de maio a julho de 2020 revelou que 80% dos entrevistados tornarem-se mais ansiosos. Foram ouvidas 1.996 pessoas maiores de 18 anos.

O transtorno de ansiedade, segundo Wesley é “um distúrbio caracterizado pela preocupação excessiva ou uma expectativa”. Ele explica que a doença possui sintomas tantos físicos (respiração ofegante, taquicardia, calafrios no estômago, formigamento nas extremidades como nas mãos, tontura, e sensação de desmaio), quanto psicológicos (preocupação excessiva, medo de alguma coisa acontecer e insegurança).

“O meu transtorno piorou durante a pandemia, porque eu me enchia de informações que me deixavam mal, pois pensava que minha família seria infectada, o que me deixava com muito medo”, relata Antônia Beatriz dos Santos.

O problema atinge pessoas de qualquer faixa etária. Algumas formas de descobrir a doença são observar os sintomas ou pesquisar sobre o assunto na internet. Mas a melhor maneira é procurando um psicólogo.

Beatriz descobriu o problema buscando se informar. “Quando pesquisei a respeito, lembrei de sintomas que haviam manifestado na infância e por fim procurei tratamento e fui diagnosticada”.

Um dos maiores obstáculos para o tratamento da doença é a falta de acolhimento da sociedade. Quem sofre com isso, costuma tratar a situação com desdém, impossibilitando as pessoas de procurarem ajuda. A melhor forma de enfrentar tal comportamento é investir em campanhas eficazes de conscientização, que desenvolvam a empatia e o respeito com quem é afetado pela ansiedade ou qualquer transtorno do gênero.

Para Wesley, o aumento do quadro de ansiedade gerado pela pandemia é algo que não irá acabar junto com ela. Há a possibilidade de que, em um futuro próximo, haja um surto ou agravamento desse transtorno devido ao estresse e a dificuldade para encontrar atendimento. O psicólogo lembra que é um problema sério. “A ansiedade, quando não tratada, pode evoluir e gerar depressão que, por sua vez, pode levar ao suicídio”.

Existem várias maneiras de tratar a doença. Wesley Rodrigues explica que o tratamento é feito com psicoterapia e que, em alguns casos, trata-se o transtorno com medicamentos indicados por um profissional. “Este problema possui cura, o tratamento geralmente dura seis meses, mas depende da reação de cada indivíduo”.

“Manter relacionamentos saudáveis, uma boa alimentação, já que influencia na produção de serotonina, praticar exercícios e se afastar de situações que te geram estresse são formas de impedir o desenvolvimento da doença”, aconselha o psicólogo.

 

:: Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2, sob orientação da profa. Yara Medeiros