Jornal On-line do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz

Primeiro trimestre registra aumento nos casos de violência contra a mulher

Isolamento social pode estar dificultando o acesso às redes de atenção. Foto: Carolina Nascimento.

 

Carolina Nascimento

Durante o isolamento social o número de notificações de casos de violência contra a mulher cresceu em quase 200% em Imperatriz. Passou de 21 assistências no mês de janeiro para 62 em março, sendo 47 novas acolhidas e 15 em retorno ou dando continuidade ao acompanhamento. Os dados foram informados pelo Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM).

O relatório apresentado pela coordenadora do CRAM, Maria da Conceição Chaves de Souza, também demonstra que houve um crescimento de mais de 100% em relação ao mesmo período de 2020, com 29 atendimentos.

Maria da Conceição explica que o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus pode ter dificultado o acesso aos serviços de atendimento. “Com a quarentena [as mulheres] tiveram que ficar mais tempo em casa juntamente com o agressor. Isso acabou inibindo muitas a buscar ajuda ou denunciar”, disse a coordenadora.

Destinado ao atendimento a mulheres em situação de violência, o CRAM possui uma equipe multidisciplinar. O local conta com assistente social, psicólogos e assessoria jurídica. Os encaminhamentos ocorrem tanto de forma direta quanto por meio da rede da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEM).

O CRAM também realiza encaminhamentos para a Casa Abrigo Dra. Ruth Noleto, que funciona 24 horas por dia em forma de plantão. O local possui uma equipe para atender e abrigar as vítimas juntamente com seus filhos menores de 18 anos. O período de abrigo é de 90 dias, que pode ser prorrogado quando necessário.

A coordenadora do CRAM frisa a importância do acolhimento que esses serviços oferecem. “Os dois serviços têm caráter preventivo de não aceitar a violência contra a mulher [e de fazer com] que essa mulher perceba quando for vítima de violência”, explica Maria da Conceição.

“É importante que a mulher saiba que existem esses serviços para que ela se sinta acolhida, protegida e cuidada. “

Esse aumento dos casos de violência contra a mulher também vem ocorrendo em outras cidades do Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) apresentou o crescimento desses casos na cidade.

Os dados coletados pelo ISP mostraram que houve uma redução no número de ligações para o disque-denúncia no período de isolamento social (-20,3%). Por outro lado, as notificações realizadas no serviço 190 da Polícia Militar para casos de crimes contra a mulher cresceram durante esse mesmo período.

Os profissionais da saúde têm desempenhado um papel importante na identificação de mulheres vítimas de violência. A enfermeira Janaína de Aquino, 25 anos, passou por duas experiências com vítimas de violência doméstica durante a pandemia.

Janaína conta que a observação do comportamento das pacientes foi essencial para a identificação desses casos. Foi a partir desse olhar mais atento que ela descobriu estar lidando com uma vítima de violência. “Ela demonstrou comportamentos estranhos de não ser animada e de não querer falar na presença do seu companheiro”, disse a enfermeira.

Frente a casos de violência contra a mulher, a enfermeira explica que os profissionais da saúde devem seguir um protocolo. Após a confirmação de violência doméstica pelas investigações da assistente social, fazem o boletim de ocorrência e notificam o Ministério da Saúde.

Como pedir ajuda ou denunciar

CRAM: (99) 99193-1717 (WhatsApp) 99123-4638 – 99204-7925;

DEM: (99) 3525-1545; 180 e 190.

 

;; Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2, sob orientação da profa. Yara Medeiros.

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