A afirmação é da candidata à prefeitura de Imperatriz Tacilla Mariana Carvalho Silva (PSC), 26 anos, atuante no ramo comercial como empresária, graduada em Direito, formada pelo movimento nacional RenovaBR e a única figura feminina na disputa pelo cargo de chefe do poder executivo na esfera municipal. Foi candidata a deputada estadual no ano de 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) recebendo 13.781 votos.

Atualmente filiada ao Partido Social Cristão, a candidata Mariana Carvalho é natural de Imperatriz, Maranhão, filha de Deusa Carvalho e Adauto Carvalho Silva, presidente do clube desportivo Sociedade Imperatriz de Desportos, popularmente conhecido como Cavalo de Aço, implicando na participação de Mariana nos negócios relacionados ao time.

A candidata, caso ganhe a eleição, poderá se tornar a primeira prefeita da cidade de Imperatriz, além de também ser uma representação para o público jovem e, principalmente, cristão, já que Mariana é adepta ao protestantismo. Além disso, ela também é fundadora do projeto Ajudar é o bicho, responsável pelo título de campeão no RenovaBR como proposta mais relevante do Nordeste.

Em resposta às alunas do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) – responsável pelo desenvolvimento do plano “Eleições 2020: Jornalismo da UFMA pergunta” – a candidata Mariana Carvalho comenta sobre seu plano de governo, questionamentos sobre suas ideias, posicionamentos, polêmicas, como a sua declaração de bens, e opina sobre a atual gestão local e nacional.

 

                                                                       “Eu falo que sou feminina, mas feminista não”

Por que a Senhora quer ser prefeita de Imperatriz?

Mariana Carvalho: Imperatriz é a cidade que a gente mora, que a gente ama. Foi aqui que eu nasci, então, eu quero me dedicar a servir as pessoas que estão aqui na cidade e um dos motivos de ser prefeita é justamente por isso, foi aqui que eu escolhi para realizar os meus sonhos, pra formar minha família e é por esse lugar que eu tenho que lutar. A gente vê muitos grupos políticos querendo se perpetuar no poder e nós, que somos pessoas comuns, temos que participar da política. Muita gente se revolta e quer ver algo diferente na sua cidade, mas é preciso ter a coragem de ir. Não adianta ficar só inconformado, sem fazer nada e é por isso que eu coloquei meu nome à disposição, porque quero que as pessoas vivam de uma forma mais digna. Estamos na segunda maior cidade do Maranhão que não tem infraestrutura, não tem saneamento, o esgoto é na porta das pessoas e muita gente em Imperatriz até sem água vive. Então quando eu vi toda essa situação eu me senti no dever de representar minha cidade e trazer pra ela dias melhores.

Como a senhora avalia as providências tomadas pelo candidato Assis Ramos para evitar a disseminação da COVID-19? Faria algo diferente?

Mariana Carvalho: Essa questão da pandemia pegou todo mundo de surpresa. Claro que quando a gente está à frente de uma cidade é preciso tomar medidas rápidas e eu acredito que seria necessário ter aumentado, no início disso tudo, as providências em relação a Covid. Eu até comentei, em uma entrevista, que Imperatriz recebeu do Governo Federal mais de vinte milhões de reais para essa questão da Covid e muitas pessoas iam nos postos de saúde e não encontravam testes. Então não basta ter apenas o recurso, muitas vezes ele vem, mas é preciso também saber utilizar, saber fazer essa gestão, inclusive, fazer a descentralização dos postos que estavam super lotados durante todo esse momento de pandemia, para que mais pessoas tivessem acesso aos testes rápidos. Prova disso é que a iniciativa privada fez, no Centro de Convenções, o Centro Ambulatorial e muitas pessoas tiveram acesso aos medicamentos nos sintomas iniciais da Covid e isso deu uma amenizada no sistema de saúde, digamos assim, evitou o fluxo nas UPAS, onde estavam a maior concentração de pessoas. Então, se o poder público tivesse feito isso bem antes, inclusive da iniciativa privada, a gente teria um resultado melhor em relação a pandemia.

Nos primeiros meses de 2019 a cidade declarou estado de emergência por conta das fortes chuvas que acabaram afetando, principalmente, a população de bairros periféricos, fazendo com que muitos destes perdessem suas casas e seus bens. Quais as críticas a senhora têm em relação a postura e medidas adotadas pelo atual prefeito em relação às chuvas anuais? E o que a senhora faria de diferente?

Mariana Carvalho: Uma das medidas que diz no nosso plano de governo é fazer uma subsecretaria dentro da Secretaria do Meio Ambiente de rios e lagos com a intenção de monitorar a questão das enchentes e a limpeza dos riachos da cidade. Nós temos um plano de macrodrenagem da cidade de Imperatriz. O meu vice é engenheiro civil, Glaucio Serafim, e ele trouxe essa ideia para o nosso projeto, para que a gente fizesse esse plano e fizesse também um plano diretor da macrodrenagem com a ideia de trazer isso para a Câmara de Vereadores para que se torne lei e a gente inicie esse projeto com planejamento para que os próximos gestores também tenham oportunidade de dar continuidade. Então, a nossa ideia é dividir a cidade em regiões e fazer a drenagem de todas elas de forma interligada. Nós sabemos que não é algo fácil e que muitas vezes não se resolve apenas em 4 anos, mas alguém precisa começar e nós estamos dispostos a começar esse trabalho.

O seu partido, PSC (Partido Social Cristão), destaca a redução da maioridade penal como uma missão, um dos valores a serem seguidos. A candidata é a favor ou contra essa perspectiva?

Mariana Carvalho: Esses são os temas que a gente avalia, mas claro que isso está em um dos pilares do partido. Eu também sou a favor. Acredito que a gente precisa trazer a responsabilidade à tona. Aqui em Imperatriz eu vejo, inclusive, outros temas que são relevantes para a gente tratar. Nós estamos numa cidade que tem muitas prioridades e muitos desafios que a gente precisa tratar, mas isso está no pilar do partido que eu estou e sim, eu sou a favor.

A senhora defende, em seu plano, a ideia de “construir um grande hospital municipal de alta complexidade com todas as especialidades necessárias através de um projeto de construção modular com recursos oriundos de parceria com os governos estadual e Federal”. A senhora avalia que seria necessário o gasto de verba pública em mais um hospital considerando a precariedade do Hospital Municipal de Imperatriz?

Mariana Carvalho: A saúde de Imperatriz é muito precária. Hoje nós temos um hospital, o Socorrão, e ele não é próprio do município. Então, quando eu falo de construir um hospital, é um hospital próprio e modular. Meu vice, por ser engenheiro, acredita em um projeto que a gente possa fazer através de módulos e que cada módulo, a partir do momento que for ficando feito, já possa funcionar para a população, porque muitas vezes, numa construção de um hospital que não funciona dessa forma, tem que esperar todo o hospital ficar pronto para que ele funcione. Eu acredito que esse hospital modular pode ser feito, mas eu entendo que é preciso fazer um planejamento. É preciso buscar os recursos de forma estadual e federal, porque é muito dinheiro envolvido e Imperatriz precisa disso.

 

   “Os meus adversários aqui em imperatriz, se dependesse deles, eu não estaria disputando a eleição, porque já tive vários ataques covardes em relação a minha própria vida pessoal só pelo fato de ser mulher”

Nas eleições de 2012, dos 21 vereadores eleitos em Imperatriz, 3 eram mulheres. Nas eleições de 2016, apenas 4 são mulheres. Por qual motivo você acha que as mulheres são poucas no poder? Na sua gestão, pretende ajudar as mulheres a se preparar para as eleições, assim como você se preparou pelo “Renova BR”?

Mariana Carvalho: Sou mulher e sei o tanto que é difícil essa participação dentro da política. Acredito que essa deficiência vem do não incentivo, nem do poder público e nem da sociedade. Os meus adversários aqui em imperatriz, se dependesse deles, eu não estaria disputando a eleição, porque já tive vários ataques covardes em relação a minha própria vida pessoal só pelo fato de ser mulher.A gente precisa ocupar os lugares e quando se fala em eleger a primeira prefeita de imperatriz não é só por mim, é porque a gente precisa quebrar essas barreiras. Eu costumo dizer que aquela frase “lugar de mulher é onde ela quiser” tem que sair da teoria e começar a vir para a prática e enquanto prefeita quero reforçar isso, inclusive, tenho pensado que em Imperatriz temos inúmeras mulheres que tem o conhecimento técnico e que podem servir dentro das secretarias da prefeitura.

Uma de suas propostas é incentivar o empreendedorismo nas escolas públicas de ensino fundamental. O que isso significa? Será cobrado taxa para estudar no município? a escola terá algum financiamento privado ou alguma coisa do tipo?

Mariana Carvalho: A gente vê nas escolas essa questão das feiras de ciência e a gente sabe que muitas crianças e adolescentes das escolas municipais já ajudam os seus pais em algumas atividades, vendendo bombom e comida, porque eles precisam complementar a renda. Então a minha ideia é trazer isso, de forma técnica, para eles aprenderem dentro da escola. Nós estamos numa cidade que tem muitos empreendedores e o comércio é muito forte. Todos os dias se levantam jovens que querem vencer na vida e querem empreender, então, é pra eles terem uma base dentro da escola e não seria gerado nenhuma taxa. A gente faria programações dentro da própria escola para incentivar isso, fazendo uma espécie de feira para que eles possam fazer aquilo que eles iriam vender e, inclusive, abrir para o público, porque tem muitos que já fazem isso na sua própria casa. A gente poderia levar pessoas que são dessa área para falar um pouco sobre lucro, para eles entenderem como funciona essa parte e também deixar que eles façam na parte prática.

Existe alguma proposta para melhorar a segurança no setor da UFMA do Bom Jesus?

Mariana Carvalho: No meu plano de governo, eu falo de equipar e treinar ainda mais a guarda municipal e colocar tecnologia para fazer parte do dia a dia da nossa guarda, mas a gente sabe que a segurança é um assunto de competência do Estado. Nós teríamos que dialogar com o governo do Estado para fazer com que esse efetivo de policiais possa ser melhorado e os policiais tenham mais estrutura. A gente sabe que em Imperatriz a situação dos batalhões e das viaturas é muito crítica e o Estado precisa fazer isso por mim, que serei prefeita, e pela população. Eu acredito que, aumentando esse efetivo e a estrutura dos policiais, a gente teria como fazer essa segurança também em relação a UFMA. Eu vejo que hoje o problema maior não é nem direcionar é a quantidade de profissionais que temos aqui que ainda é insuficiente.

De que modo a prefeitura pode incluir a UFMA nos seus planos de administração municipal?

Mariana Carvalho: Eu estava conversando com meu vice, o Gláucio, e a gente tem falado de fazer várias parcerias com as universidades. Eu penso que nós temos que utilizar os alunos, por exemplo, em relação ao Castramóvel, para poderem fazer essa castração dos animais e estarem dando sua contribuição para o poder público. Da mesma forma, na infraestrutura. O que eu posso garantir pra vocês é que eu serei uma prefeita do diálogo. Eu entendo que nós temos várias universidades aqui na região, inclusive a UFMA, e a gente precisa trazer vocês para perto. São professores e alunos que entendem muito e que podem contribuir com a gestão pública e eu bato muito na tecla de aqui em Imperatriz tem muita gente boa, mas que não tem oportunidade, então, eu quero abrir portas pra esse diálogo e que a gente possa se ajudar e fazer com que os benefícios cheguem na população, inclusive, de uma forma mais barata para que a gente possa economizar dinheiro público.

O Bolsonaro ataca os movimentos feministas, a senhora é feminista? Por exemplo, a senhora falou uma frase “o lugar da mulher é onde ela quiser” e essa frase, ela vem de certa forma dos movimentos feministas.

Mariana Carvalho: Eu não me considero feminista. Eu falo que sou feminina, mas feminista não. Essa frase eu falei porque eu concordo. É uma frase isolada e acredito que eu não tenho essa mesma visão da pessoa que perguntou. Meu partido é de centro-direita, mas quando a gente se coloca à disposição para representar pessoas, nós temos que entender que muitos pensam diferente da gente. Essa questão ideológica, muitas vezes, atrapalha muito no desempenho para fazer um bom trabalho e eu falo isso porque você tem um posicionamento e, por exemplo, o governador tem outro posicionamento, mas não é por isso que a gente não vai conversar. Então, como todo representando, eu entendo que o presidente tem qualidades e também tem defeitos, mas eu prefiro ficar com meu posicionamento de lutar por uma Imperatriz melhor. Se eu precisar pedir ajuda ao governo federal ou estadual, iremos pedir e deixar essa parte ideológica um pouco de lado.

A senhora, como simpatizante com o governo Bolsonaro, concorda com as medidas tomadas pelo presidente em relação a pandemia?

Mariana Carvalho: Como eu acabei de falar, a gente entende que o presidente, que é uma pessoa que está à frente do nosso Brasil, tem qualidades e tem defeitos. Eu entendi naquele momento, quando ele não defendia o fechamento do comércio, por exemplo, pensando que as pessoas precisavam trabalhar, assim como teve determinados momentos aqui em Imperatriz que eu defendi que o comércio deveria ser reaberto, mesmo seguindo as orientações, porque aqui, por exemplo, nós temos muitos ambulantes, pessoas que dependem disso para poder comer, para poder sustentar a sua família, que estavam sendo impedidos de trabalhar. Eu penso que é muito fácil falar do que a gente não passa. Muitas vezes alguma pessoa fala “nossa, tem que ficar fechado”, mas as vezes ela não depende daquele emprego, ela tem aquele salário certinho no mês ou é um funcionário público.

A falta de água nos bairros mais periféricos de Imperatriz é um dos pontos mais evidente nos últimos dias. Um dos exemplos é a população do bairro Vila Palmares que chegou a passar dois meses sem água, sobrevivendo apenas de um poço disponível no local. A candidata sugeriu, em seu plano, a construção de poços artesianos e, levando em consideração a necessidade de manutenção destes com determinada frequência e seus custos, como pretende viabilizar essa proposta?

Mariana Carvalho: Eu entendo que é preciso essa manutenção, mas eu acredito que tem que ter a boa vontade do poder público. É apenas a gente fazer uma equipe estruturada, porque quando tudo é muito bem cuidado, não precisa estar dando essa manutenção sempre. A gente sabe que a própria população, quando eles têm acesso a um poço, cuidam. Eles têm o maior zelo, porque é de interesse deles também. Então a gente precisa dar estrutura, fazer o poço, organizar da melhor forma e colocar à disposição para que tenha, quando preciso, uma pessoa que vá fazer essa manutenção e não deixe faltar água, porque isso é o básico.

Candidata, no seu plano de governo, a senhora fala sobre a “qualificação do transporte público”, em algum momento já foi pensado a quebra da concessão exclusiva do serviço público?

Mariana Carvalho: Hoje as empresas que têm concessão com o município de Imperatriz são empresas que o município dá essa concessão, mas que não tem ninguém fiscalizando, não tem uma equipe estruturada para cobrar de verdade os serviços. Então, de verdade, o transporte público é um problema aqui em Imperatriz. Nós não temos horários definidos, a estrutura do transporte público não tem acessibilidade e a gente precisa resolver esse problema. Meu posicionamento é, assim que eu tiver acesso a esses contratos, revisar juntamente com as agências reguladoras e com o Ministério Público, porque o contrato tem direitos e deveres. Quando alguém está falhando dentro de um contrato a gente precisa rever e, claro, quem sabe, quebrar essa concessão, porque o serviço tem que funcionar dentro da cidade.

Em uma notícia de abril de 2019 n’O Imparcial, a Senadora Eliziane Gama comentou sobre a participação da Mulher na política: ​ “Nós somos a maioria da população brasileira, mas a ocupação nos espaços de poder ainda é muito pequena, (…)”. Candidata, representatividade importa? A senhora sabe o que é feminismo?

Mariana Carvalho: Representatividade importa muito. Eu queria que as mulheres pudessem participar da política na essência dela, que a gente pudesse ocupar os nossos lugares e não ficar achando que a mulher tem que seguir aquilo que explicam para ela. Em relação ao feminismo, o que eu digo a vocês é que eu tento levar aquilo que eu penso sempre de forma muito equilibrada. Eu vejo dentro dessa questão do feminismo muita ideologia, da gente achar que a mulher tem que fazer tudo e achar que tudo é conveniente só por ela ser mulher. Eu prefiro ser feminina, achar que as mulheres tem que ter o seu espaço, tem que ter essa cautela de agir como mulher, lutar pela sua imagem em si, lutar pelo que elas querem, mas sem ter esse peso ideológico de achar que tem que ser só daquela forma como muita gente que acredita no feminismo faz. Mas eu respeito as ideologias e acredito que nós estamos num espaço democrático, mas eu não sou feminista.

A população imperatrizense vem apresentando opiniões contrárias ao sistema de zona azul que está sendo implementado nas ruas da cidade. Qual seu posicionamento com relação a faixa azul?

Mariana Carvalho: Imperatriz ainda não está preparada para ter a zona azul. Sabemos, por exemplo, que quem estacionava a sua moto na frente da loja, não vai mais poder estacionar. Obviamente as pessoas que trabalham há muito tempo nessas lojas estacionavam ali sem custo algum e agora estão achando ruim, porque vão ter que pagar ou então colocar eles mais distantes, podendo correr risco por conta dessa falta de segurança. Em outras cidades que já funciona a zona azul, o poder público dá outras soluções de transporte, porque se a pessoa não quiser ir na sua moto, por exemplo, ela teria uma outra opção pra chegar no seu trabalho. Aqui em imperatriz, a nossa realidade em relação ao transporte público é muito caótica. A gente não tem, estruturalmente, um transporte público adequado, que atenda a população. Então, antes da gente colocar uma zona azul, temos que pensar na população que vai ser a maior afetada e também dar soluções para que as pessoas possam ter uma outra forma de chegar no trabalho.

Candidata sua declaração de bens foi um dos assuntos mais comentados nas últimas semana. Ainda nesse contexto a senhora é a mais pobre comparando aos demais. A senhora omitiu declaração de bens?

Mariana Carvalho: A justiça determina que a gente coloque o que está no nosso nome, pessoa física, e assim eu fiz. O que as pessoas não souberam diferenciar é que a gente não pode declarar o que tem no nome da família ou no nome do meu pai. Claro que nós temos um patrimônio familiar e eu usufruo dele. Nunca quis falar pra ninguém da população de Imperatriz que sou pobre, inclusive já até falei pra muitos que trabalho, que sou uma pessoa comum igual todos vocês. A gente ganhou tudo que construímos, em relação a patrimônio familiar e patrimônio físico, com muito suor e trabalho, nunca tivemos mandato político, nunca tive e nunca usei um real de dinheiro público. Eu vivo bem, eu trabalho, tenho um salário e eu poderia não estar aqui na política tentando representar as pessoas que mais precisam, mas essa foi uma escolha minha de querer sair da minha zona de conforto e de lutar por uma cidade melhor. Outra diferença que é muito importante citar é que a cota que foi declarada de R$1.500 é uma cota de participação que eu tenho em uma empresa familiar, inclusive, é uma cota antiga que eu tenho na empresa desde quando eu era menor de idade.

Candidata, você tem projetos especificamente para pessoas que vivem do lixão de Imperatriz?

Mariana Carvalho: Nós temos sim uma proposta, está no nosso plano de governo, para fazer um galpão de triagem e compostagem. Na verdade, a gente sabe que eles estão ali fazendo parte do lixão, daquele ambiente insalubre que nós sabemos que é muito ruim pra saúde deles e a nossa ideia é fazer esse galpão de triagem e compostagem para que eles trabalhem formalmente, que eles não percam essa oportunidade de trabalho. Então esse galpão é para a gente deixar eles com um trabalho de forma mais digna e fazer com que eles sejam apenas realocados para um lugar mais digno de trabalho.

Em seu plano de governo, a senhora diz procurar ampliar os acessos às ações culturais nas suas diversas manifestações e linguagens. Mesmo fazendo parte do PSC, de base conservadora, e apoiando, em 2018, em sua candidatura à deputada estadual, o PSL, partido, na época, do atual presidente da República, a senhora também considera ampliar o acesso às manifestações artísticas provenientes do público LGBTQI+?

Mariana Carvalho: Com toda certeza. Nós queremos ampliar essa questão cultural para todos. Como eu disse a vocês, a gente governa para todas as pessoas, para todos os gêneros, para todas as classes.

Candidata, é muito comum se ver nas ruas da cidade cachorros e gatos abandonados, você idealizou junto com o Renova BR um projeto chamado “Ajudar é o Bicho” ​que tem como objetivo construir bebedouros e comedouros para os animais. Você pretende dar continuidade a esse projeto no seu governo?

Mariana Carvalho: Além de continuar com esse projeto, a gente tem o castramóvel, que eu quero fazer em parceria com as universidades, para que a gente possa fazer de forma itinerante a castração de animais e possibilitar, em parceria com iniciativa privada, que a gente venha a ajudar a população a fazer esses serviços que de forma particular é muito caro. Outra coisa que eu proponho no plano de governo é fazer a reestruturação do Centro de Zoonoses. Hoje nós já temos um centro que funciona, mas ainda falta muitos serviços que podem ser agregados como o canil municipal, que não temos aqui. Se você quiser levar os animais para serem cuidados, vacinados e serem colocados para doação hoje, o município não tem como receber e eu acredito que isso seria essencial.

Candidata, segundo o g1, o maranhão é o 4º Estado com mais casos contra homossexuais. Você, como prefeita e evangélica protestante, o que tem a oferecer para o público LGBT em geral para nossa cidade?

Mariana Carvalho: Infelizmente essa é uma realidade e eu, como futura gestora dessa cidade, acho inadmissível. A gente tinha que trabalhar em campanhas de conscientização. A gente precisa fazer com que a população entenda que é preciso respeitar o lugar de cada um, a opção sexual e religiosa. Mesmo sendo cristã, acredito que nós temos que respeitar cada pessoa, cada opção e dar espaço para que eles possam ser livres dentro da nossa cidade, culturalmente e profissionalmente. Eu acredito que o poder público tem uma tarefa essencial em trabalhar na conscientização, de mostrar que a gente pode sim ter pessoas muito competentes, pessoas que estão buscando seu espaço na sociedade. E o nosso dever é abrir essas portas e fazer com que eles se sintam respeitados e seguros dentro da cidade de Imperatriz

Considerando seu partido e a suas afinidades políticas, como a senhora pensa a construção de uma política cidadã em Imperatriz relacionada à educação e a cultura nessa construção?

Mariana Carvalho: Eu penso em construir ainda mais uma cultura cidadã na nossa cidade, dialogando com as classes. Eu recebo todos os dias pessoas que não se sentem ouvidas em Imperatriz. Então, eu acredito que a primeira coisa que temos que fazer é dialogar, seja com as esferas estadual e federal, mas também com as pessoas da nossa cidade. A educação e a cultura têm um papel fundamental em relação a isso. A educação porque sabemos que é a base. Trabalhar na gestão escolar de uma forma que as crianças possam entrar e sair da escola, que elas possam aprender e se sentir parte da escola que elas estão. E a cultura é a melhor forma de envolver as pessoas da nossa cidade de todas as áreas.

 

Esta entrevista integra o projeto interdisciplinar

ELEIÇÕES 2020 – Jornalismo da UFMA pergunta

Alunos de Gêneros Jornalísticos responsáveis por essa produção:

Aylla Yohana Coêlho, Marcos Vinicius dos Santos Prohmann, Sara Bandeira de Sá, Vanessa Carvalho Plácido