Pesquisa Jornalismo de Fôlego Premiado 6: conheça os vencedores na categoria livros-reportagem

Texto: Deborah Costa

Fotos: Divulgação

O grupo de pesquisa Jornalismo de Fôlego, vinculado à Universidade Federal do Maranhão – UFMA, vem desenvolvendo pesquisas desde 2020 sobre reportagens premiadas referentes a temas envolvendo Direitos Humanos. No total, são 52 reportagens produzidas nos anos de 2018, 2019 e 2020. Os pesquisadores e pesquisadoras são os bolsistas e voluntários do grupo, e têm como objetivo principal, entender a fundo suas características. O grupo foi dividido em seis mídias, sendo elas: jornal, revista, televisão, rádio, multimídia e livro-reportagem e o relatório final será publicado em maio de 2022. Nesta matéria, iremos conhecer sete livros-reportagens que fizeram parte deste trabalho.

 

Roquette-Pinto foi um dos pioneiros do rádio no Brasil

 

O primeiro, vencedor do 60º Prêmio Jabuti, tem como título “Roquette-Pinto: o corpo a corpo com o Brasil” e fala sobre a trajetória do pioneiro do rádio no Brasil, Roquette-Pinto. O livro é dividido em duas vertentes que não seguem ordem cronológicas: a primeira é a do médico, pesquisador, antropólogo e naturalista e a segunda é definida como a fase de “democratização dos saberes”: a educação do povo, a divulgação da ciência, a popularização da cultura, a disseminação do civismo e do amor ao país. Roquette-Pinto criou a Rádio Sociedade em 1922, atual Rádio MEC. A biografia contou com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e da Ecology Brasil e foi publicado por Cláudio Bojunga, em 2017 pela editora Casa da Palavra. Para conhecer a obra, clique em: https://www.martinsfontespaulista.com.br/roquette-pinto–o-corpo-a-corpo-com-o-brasil-806425/p.

Em 2018, outro livro a ganhar premiação, se chama “As três mortes de Che Guevara”, escrito por Flávio Tavares em 2017. A obra ganhou 1º lugar no 9º Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores (Ages) e expõe depoimentos após 50 anos da execução. Revela falas colhidas junto a testemunhas, como o depoimento de um guerrilheiro que lutou com Che em Cuba, no Congo e na Bolívia; um coronel e um major bolivianos que o enfrentaram e até mesmo dona Celia, a mãe do revolucionário. Traz, ainda, um caderno de fotos inéditas, realizadas por Tavares no encontro de 1961. Lançado pela editora LPM Editores, o livro-reportagem aborda especificamente  as três “mortes” de Che Guevara: O disparo em Cuba; A agonia no Congo; A execução na Bolívia. Para conhecer a obra, clique em: https://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=610619&ID=616291.

 

Livro mapeia as emissoras de TV da Amazônia

 

O terceiro livro-reportagem se chama “Antenas da floresta: a saga das TVs da Amazônia”, escrito por Elvira Lobato em 2018.  Retrata histórias e situações de jornalistas, apresentadores de TV, cinegrafistas – em sua maioria, improvisados no ofício. Estas pessoas são responsáveis por produzir e levar ao ar, diariamente, três horas e meia de produção local, em pequenos municípios dos nove estados que integram a chamada Amazônia Legal. As histórias contadas no livro são desconhecidas por muitos e não costumam ser lembradas nas telas das grandes emissoras. A jornalista andou pelos estados de Mato Grosso, Maranhão, Tocantins e Pará para registrar esse forte fenômeno regional.  “Antenas da floresta” venceu o 19º Prêmio Literário da Biblioteca Nacional e foi publicado pela editora Objetiva. Para conhecer melhor, acesse: https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000421.

Em 2019, o livro-reportagem a ganhar a premiação foi intitulado como “Jorge Amado: uma biografia”. A escritora Josélia Aguiar teve acesso exclusivo a documentos da família do famoso escritor baiano, como cartas de parentes e fez entrevistas no Brasil, Europa e nos Estados Unidos com pessoas que conviveram com o autor de obras como “Gabriela, cravo e canela”.  Jorge Amado tem sua vida cotidiana e de celebridade recontada com elegância, precisão e fluência. A escritora precisou de sete anos de pesquisa, mas, graças à riqueza de detalhes que marca a trajetória de seu biografado, Josélia Aguiar garante que poderiam ter sido mais. O livro ganhou o 61º Prêmio Jabuti e foi publicado pela editora Todavia, em 2018. Para conhecer a biografia, acesse: https://todavialivros.com.br/livros/jorge-amado-uma-biografia.

Outra obra premiada em 2019 se chama “Em Busca da Alma Brasileira – Uma Biografia de Mário de Andrade”. Escrita por Jason Tércio com base em pesquisa bibliográfica e documentos em primeira mão, a obra passa a limpo um dos capítulos mais fascinantes da história cultural do país e que traz muitas lições para o Brasil de hoje. Fruto de uma pesquisa iniciada nos anos 1990, a biografia foi anunciada e adiada diversas vezes ao longo dos últimos anos, mas agora chega às livrarias. Trata da trajetória de um dos pais do modernismo e intelectual responsável por ajudar a mudar os rumos da arte brasileira. Ganhou 64º Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e foi publicada pela editora Sextante, em agosto de 2019. Para conhecer esta biografia, clique em: https://sextante.com.br/livros/em-busca-da-alma-brasileira-biografia-de-mario-de-andrade/.

A terceira premiada em 2019 foi vencedora do 3º Prêmio Kindle de Literatura da Amazon e está disponível em: https://www.record.com.br/produto/jornal-da-tarde/. A obra se chama Jornal da Tarde: Uma Ousadia que Reinventou a Imprensa Brasileira”. O escritor Ferdinando Casagrande relata a história do Jornal da Tarde, que marcou a imprensa de São Paulo nos anos 1970 e traz exemplos de como o jornalista entusiasma, empolga, encanta. O autor mergulha nas mais de quatro décadas e meia de glória e derrocada do jornal da família Mesquita, dona também de O Estado de S.Paulo.  Ferdinando Casagrande tomou a decisão de escrevê-lo quando deixou o jornal, poucos anos antes do fim da publicação. E acabou nos legando, com sucesso, não o obituário, mas a história completa. O livro-reportagem foi publicado pela editora Record em dezembro de 2019.

 

Livro-reportagem Escravidão é primeiro volume de trilogia que trata desta problemática

 

Já em 2020, houve somente uma premiada. A obra se encaixa nas categorias de Biografia, documentário e reportagem e tem como título “Escravidão-volume 1”, escrito por Laurentino Gomes. Lançada pela editora Globo Livros, é o primeiro volume de uma trilogia sobre a escravidão no Brasil. Em 480 páginas, Laurentino reúne uma série de ensaios e reportagens que coletou ao longo de seis anos de pesquisa, além de imagens, mapas e tabelas. O escritor buscou material em 12 países de três continentes, sendo que o livro percorre um período de 250 anos, entre o primeiro leilão de cativos africanos registrado em Portugal, no dia 8 de agosto de 1444, até a morte de Zumbi dos Palmares, em 20 de novembro de 1695. A obra ganhou o 62º Prêmio Jabuti e foi publicada em 2019. Para saber mais sobre o livro, clique em: http://globolivros.globo.com/livros/escravidao-do-primeiro-leilao-de-cativos-em-portugal-ate-a-morte-de-zumbi-dos-palmares-ate-a-morte-de-zumbi-dos-palmares.

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