Pesquisa Jornalismo de Fôlego Premiado 3-conheça os vencedores no formato jornal

Texto: Deborah Costa

Imagens: Divulgação

O grupo de pesquisa da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, Jornalismo de Fôlego, coordenado pelo professor Alexandre Zarate Maciel, desde 2020 vem pesquisando a fundo sobre 52 reportagens premiadas nos anos de 2018, 2019 e 2020 no que se refere a temas envolvendo os direitos humanos. As reportagens possuem um leque de temáticas com os mais variados assuntos. Os pesquisadores, que são os bolsistas e voluntários do grupo, têm como objetivo compreender como são realizadas essas matérias e entender suas principais características. Para estudar cada uma dessas reportagens, o grupo foi dividido em seis diferentes mídias tradicionais, sendo elas: jornal, revista, televisão, rádio, multimídia e livro-reportagem. Ao final da pesquisa, em maio de 2022, será divulgado um relatório retratando as principais conclusões.

Conheceremos agora, nove reportagens publicadas em jornais impressos e premiadas durante esse período. A primeira publicada em 2018, é uma série de reportagens do jornal Folha de S. Paulo e tem como título “Um mundo de muros: as barreiras que nos dividem”. A equipe do jornal visitou quatro continentes e focou, em um trabalho que envolve texto, fotografias e vídeos, a realidade de exclusão enfrentada por muitos dos seus habitantes. Esteban Arimana, um dos personagens, trabalha de ajudante geral em uma mansão em Lima, no Peru. No seu dia a dia levaria menos de cinco minutos para chegar ao local, mas em vez disso, Esteban é obrigado a viajar mais de duas horas por dia em um ônibus lotado para chegar ao seu destino. O motivo é o chamado Muro da Vergonha, erguido no ano de 1980, com a função de separar as áreas urbanas dos “povoados jovens”, ou seja, as favelas. No Brasil também há situações semelhantes. A reportagem mostra a realidade de moradores que vivem atrás de um muro construído pela Ecovias, em maio de 2016, que separa os turistas dos habitantes de Vila Esperança, favela localizada na rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão (SP), onde 12% da população não possui nenhuma renda. A série de reportagens ganhou a 6ª Edição do Grande Prêmio Petrobrás de Jornalismo e o 2º Prêmio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) de Cobertura Humanitária Internacional. Para ler na íntegra o material, acesse: https://arte.folha.uol.com.br/mundo/2017/um-mundo-de-muros/.

A segunda premiada tem como título “As crianças invisíveis da epidemia de zika — a primeira geração da microcefalia” e conta que no Brasil existem 2.653 casos confirmados de microcefalia e outros distúrbios neurológicos associados ao vírus da zika em crianças. A reportagem traz a história de José Pedro, que veio ao mundo sem chorar. Sua mãe, Cassiane, só soube que seu filho tinha microcefalia quando ele nasceu. A matéria também expõe a dificuldade de mães afetadas pela primeira epidemia de zika, que não conseguiram oferecer aos seus filhos um acesso ao tratamento precoce e intensivo que todas deveriam ter. José Pedro precisa de um leite especial para poder sobreviver e, desde que começou a recebê-lo, teve um pequeno aumento de peso. Na época da reportagem, ele pesava 3,4 quilos, o mesmo peso de um recém-nascido e para fazer cirurgias para melhorar sua saúde, precisaria de 10 quilos. “Nosso filho nasceu doente, mas só soubemos que a causa poderia ser zika, quando tinha 3 meses. A gente vivia em Bayeux, na periferia de João Pessoa, onde não há atendimento especializado”, conta o pai do menino, José Nazareno. A reportagem foi veiculada pelo jornal O Globo e ganhou o 7º Prêmio do Grupo Diários de América (GDA). Para conhecer a reportagem, acesse: https://oglobo.globo.com/brasil/as-criancas-invisiveis-da-epidemia-de-zika-21275420.

 

“Impedidas” trata de situações de machismo e violência envolvendo mulheres que trabalham com o futebol

 

A terceira premiada ganhou o 7ª Prêmio da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e foi publicada no dia 15 de janeiro de 2018, pelo Diário de Pernambuco (PE). A matéria especial é intitulada “Impedidas: Machismo e Violência no Futebol” e conta histórias de mulheres que atuam nesta modalidade esportiva, sendo elas jogadoras, técnicas, árbitras e diretoras, denunciando o quanto o machismo ainda está impregnado neste esporte. A matéria também traz dados estatísticos que foram levantados para provar que este panorama ainda existe no futebol. A produção fala sobre a volante Gerlane Alves, 24 anos que já ouviu conversas sobre quem “pega mais novinha” na equipe e também comentários a respeito do futebol feminino não crescer por “estar cheio de sapatão”, sendo que deveria, segundo a opinião dos preconceituosos, se tornar um “esporte mais atraente aos homens”. A matéria traz, ainda, uma pesquisa feita com 55 jogadoras que atuam em Pernambuco e relata que entre as entrevistadas, 27,3% já foram assediadas sexual ou moralmente por um profissional com quem trabalharam e que 32,7% já viram acontecer assédio com outras jogadoras. A reportagem apresenta falas dessas mulheres e revela casos como a demissão da ex-treinadora da Seleção Brasileira feminina. Quer saber mais sobre esta reportagem premiada? Confira em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/vidaurbana/2018/01/impedidas-machismo-e-violencia-no-futebol.html.

Em 2019 também foram três as premiadas. Entre elas está Matança da PM em Milagres e a invenção da resistência”, reportagem que ganhou o 41º Prêmio Jornalístico Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos  e o 36ª Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB-RS). A produção relata uma chacina que aconteceu na cidade de Milagres, no Ceará. Na ocasião, um grupo de criminosos se preparava para explodir um banco, mas os policiais descobriram e acabaram indo ao local. O dia amanheceu com 14 mortos, sendo seis reféns sequestrados. Após investigações jornalísticas, foi comprovado que todas as vítimas foram executadas por policiais. A matéria traz relatos de sobreviventes como Laurinda, 64, que viu a filha Edneide morrer em seus braços. O seu esposo Fernandes, 62, e seu filho Genário, 37, também presenciam o tiroteio em frente aos bancos. A reportagem trata de seis reféns mortos, sendo que cinco eram da mesma família. “O que houve naquela cidade foi uma chacina”, afirmou Pedro Eurico, secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, apontando despreparo policial. A produção jornalista em texto foi veiculada pelo Diário do Nordeste (CE), em junho de 2019. Para ler a matéria, acesse: https://truestoryaward.org/story/154.

 

“A invasão” relata o envolvimento da polícia com milícias

 

A segunda premiada em 2019, disponível em https://amaerj.org.br/wp-content/uploads/2019/10/A-Invasao.pdf, é uma série de matérias que revelaram o envolvimento de policiais militares de Itaboraí (RJ), com a milícia que atua na cidade. A produção publicada pelo Jornal Extra conta sobre chacinas, cemitérios clandestinos e as cobranças e ameaças feitas por milicianos a moradores, com a conivência dos policiais. A reportagem também faz entrevistas com parentes de vítimas, policiais e moradores da cidade. A matéria conta sobre a morte do mototaxista Jonathas Freitas de Mendonça, de 19 anos, que desapareceu em abril após ser perseguido. Depois de alguns dias, testemunhas contaram que o jovem foi baleado e capturado enquanto tentava fugir. Jonathas havia denunciado à Divisão de Homicídios (DH) que mototaxistas estavam sendo ameaçados por não pagarem uma taxa para a milicia. Assim, no dia 12 de junho um miliciano preso contou que Jonathas foi “picotado, vivo, com um machado” e teve seu coração arrancado. A reportagem ganhou o 8ª Prêmio da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), Patrícia Acioli de Direitos Humanos.

A terceira e última premiada em 2019 é intitulada Eleições 2018: investimento em professor é desafio para a Educação”. Primeira reportagem da série “Desafios para o Próximo Presidente”, discute a melhoria da qualidade na educação do país e a valorização dos professores. A reportagem considera que a aprendizagem das crianças caminha em passos lentos e que só haverá mudança se houver investimento em professores. “Não adianta nada discutir Base Curricular se a gente não conseguir resolver o problema do magistério”, diz a consultora e ex-secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. O material também apresenta professores frustrados com as falhas na formação da rede pública. “Meu objetivo na carreira é sair o mais rápido possível da sala de aula”, afirma a professora Julia, nome fictício. A matéria foi publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo e ganhou o 3º Prêmio da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes). Leia a reportagem acessando: https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,investimento-em-professor-e-desafio-para-a-educacao,70002462320.

“Rios vigiados” denuncia dificuldades para acesso à água

No ano de 2020, a primeira premiada foi publicada no dia 2 de fevereiro, com o título: “Especial Guerra das Águas: Rios vigiados”. A série de reportagens do jornal O Estado de S.Paulo ilustra as problemáticas e os conflitos que a população mais vulnerável enfrenta para ter acesso à água. “Rios Vigiados” é a primeira parte da série e conta que no Brasil, 63 mil Boletins de Ocorrência (BOs) foram abertos nas delegacias nos últimos cinco anos por conta da briga pela água.  A reportagem testemunhou quando o morador de Petrolina (PE), Cosme Angelo, de 26 anos, se aproximou do curso de água com um balde e um barril com medo, e retirou água para dividir com 20 vizinhos. “É uma luta diária. Se eu for pegar água direto no rio, tenho que buscar a mais de 20 quilômetros, nas costas. Então, prefiro correr o risco de me verem e chamarem os vigias da água para fazer a ocorrência”, desabafou ele. A reportagem ganhou o 37º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB-RS) e fica disponível em: https://www.oabrs.org.br/noticias/oabrs-agracia-vencedores-37deg-premio-direitos-humanos-jornalismo-em-solenidade-virtual/50945.

A segunda premiada em 2020 é uma série de reportagens feitas pelo jornal O Globo, que tratam do Ensino a Distância no Brasil. A reportagem explica que no setor privado, os alunos de Educação a Distância (EaD) são maioria em metade das formações universitárias A matéria mostra o quanto este tipo de ensino explodiu, pois em 2004 havia 60 mil graduandos e no ano de 2018, este número saltou para dois milhões de matrículas. A reportagem também informa que em 2018, houve mais ofertas de vagas a distância sendo 7,1 milhões para distância e 6,3 milhões para presencial. Em outra parte da série, indica-se que 65% dos estudantes de pedagogia fazem curso EaD. Essa série ganhou a 4° Edição do Prêmio da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abems) de Jornalismo e foi publicada em outubro de 2019.  Pra saber mais sobre as reportagens, basta clicar em: https://oglobo.globo.com/brasil/educacao/ead-parte-1-metade-dos-cursos-tem-mais-alunos-distancia-do-que-presencial-na-rede-privada-24047889

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