Pesquisa Jornalismo de Fôlego Premiado 2- conheça os vencedores no formato rádio e podcast

Texto: Deborah Costa

Imagens: Divulgação

Desde 2020, o grupo de pesquisa Jornalismo de Fôlego da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, vem aprofundando pesquisas sobre reportagens que receberam prêmios e abordam temas relacionados aos direitos humanos. As premiadas são dos anos de 2018, 2019 e 2020 e os pesquisadores contam com um acervo total de 52 reportagens com diferentes temas. Bolsistas e voluntários do grupo buscam, por meio da pesquisa, compreender o universo dessas reportagens, além de destacar quais são as suas características. Para melhor análise, o material foi dividido por mídias, como: jornal, revista, televisão, rádio, multimídia e livro-reportagem. A pesquisa será apresentada e finalizada em março de 2022, por meio de um relatório que trará todas as propriedades do objetivo a ser alcançado.

Nesta matéria iremos abordar brevemente nove produções jornalísticas em formato de áudio que tratam de vários temas sociais. A primeira, de 2018, é chamada: “Trans: o difícil caminho para a educação e o mercado de trabalho” e foi produzida pelo jornalista Marcelo Henrique Andrade, de João Pessoa – PB. A reportagem conta sobre a dificuldade e os preconceitos que transexuais e travestis vivenciam nas universidades brasileiras. A matéria afirma que somente 0,02% destas pessoas estão nas universidades e traz relatos de personagens que convivem diariamente com essa discriminação e desrespeito aos diretos humanos. Rafaela Damasceno foi uma das que passaram por isso em sua vida acadêmica e, de acordo com ela, até mesmo uma professora a tratava de forma diferente. Ela conta que ao fazer a chamada, a professora não chamava pelo seu nome, ficava calada. Rafaela acabou não concluindo o curso de Geografia, faltando poucas matérias para finalizar. O trabalho traz falas de professores, especialistas na área de educação e representantes da comunidade LGBTQUIA+. A reportagem ganhou o 7º Anamatra de Direitos Humanos e o 40º Prêmio Vladimir Herzog e foi veiculada pela Rádio CBN (PB). Para ouvi-la, acesse: https://soundcloud.com/marcelohenriqueandrade/trans-o-dificil-caminho-para-a-educacao.

 

Série “Mulheres no cárcere” denuncia falta de estrutura para prisioneiras com filhos recém-nascidos

 

A segunda premiada de 2018, intitulada “Mulheres no cárcere”, ganhou o 40º Prêmio Vladmir Herzog e foi veiculada pela Rádio Nacional EBC- Brasília (DF).  A série de reportagens relata casos de mulheres que foram privadas de liberdade e chama a atenção para problemas como a falta de estrutura das unidades prisionais para acolher aquelas com filhos recém-nascidos. Umas das personagens é Jéssica Monteiro, 24 anos, que ao dar à luz, teve que voltar com seu filho de apenas dois dias de nascido para uma cela de dois metros quadrados. O caso de Jéssica comoveu grande parte das pessoas que tiveram contato com ela e as autoridades judiciárias concederam para que ela ficasse em prisão domiciliar com seu bebê. Outro caso é de Camila (como prefere ser chamada), que foi presa durante cinco meses por tráfico de drogas. “Pelo fato de ter muita gente, você acaba dormindo no chão, pois eles te dão apenas uma coberta. O tratamento é muito ruim aqui”, diz ela. Casos como os de Jéssica e Camila, inspiraram a repórter Danyele Soares e sua equipe para este trabalho radiofônico. Para conhecer melhor, acesse: http://radioagencianacional.ebc.com.br/tags/mulheres-no-carcere.

A terceira premiada em 2018 é uma série de reportagens radiofônicas da Band News FM de São Paulo, que venceu o 5º Prêmio Petrobrás de Jornalismo, com o título: “Saúde mental não é frescura”. Elaborada pelos jornalistas Gabriela Mayer e Renan Sukevicius, a série aborda a saúde mental dos brasileiros, destacando que essa questão não é tratada tão a sério no Brasil.  A matéria expõe relatos de pessoas que vivem com doenças psicológicas, fala do preconceito e como elas devem ser tratadas. O psiquiatra Christian Kieling diz na produção que as próprias famílias de adolescentes não entendem sobre a doença. “Como é que ele ou ela tem depressão, e sai pra festa a noite ou passa o dia no videogame?”, diz o psiquiatra sobre a reação de incompreensão das famílias. Outra questão relatada na série é sobre a hesitação de se buscar um profissional, pois muitos não admitem que precisam de ajuda.  A matéria menciona também a rotina acelerada de muitas pessoas que acabam desenvolvendo esses problemas. As reportagens foram veiculadas de 29 de janeiro a 2 de fevereiro 2018 e estão disponíveis neste link: http://www.bandnewsfm.com.br/2018/11/28/a-bandnews-fm-vence-o-premio-petrobras-de-jornalismo-na-categoria-de-radiojornalismo/.

 

Série “LBTfobia: medo do quê?” aborda a vida de quem enfrenta preconceito diariamente

 

Já em 2019, a primeira premiada em formato de radiojornalismo a ganhar prêmio foi intitulada “LGBTFobia: medo do quê?”. A matéria vencedora é um dos 22 episódios que foram ao ar pelo podcast “Vozes: Histórias e Reflexões”, que venceu o 41º Prêmio Vladirmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria Produção Jornalística em Áudio. A reportagem fala sobre a vida de quem sofre preconceito, além de abordar a criminalização da LGBTfobia no Brasil, que foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal em julho de 2019. Andrey Lemos, professor e militante de movimentos sociais é um dos personagens envolvidos na reportagem e comenta que a conquista da legislação pelo qual tanto luta foi de muita importância. “De fato isso é uma vitória histórica”, diz Andrei. O material foi veiculado pela Rádio CBN – São Paulo/SP e João Pessoa/PB e para conhecer outros personagens que fazem parte da reportagem, basta clicar em https://soundcloud.com/user-267892453/lgbtfobia-medo-de-que/s-sO2t7.

A segunda premiada em 2019 se chama “Vozes da esperança: negros no Poder Judiciário”, produzida pelos jornalistas Rodrigo Resende e Maurício de Santi. A reportagem resgata a trajetória de negros que marcaram o nome na história de Justiça Brasileira e discute como podem ser compreendidas atualmente as relações desses profissionais do Direito. A produção fala sobre Esperança Garcia, uma das primeiras advogadas negras do Brasil e Luiz Gama, negro e vendido como escravo pelo seu próprio pai, que se tornou um dos maiores advogados abolicionistas do país. Outro personagem mencionado na produção é Joaquim Barbosa, um dos poucos negros a ocupar o Supremo Tribunal Federal. A reportagem também trata do juiz Fábio Esteves, que participou de um encontro de juízes na Bahia e se sentiu horrorizado ao encontrar apenas um companheiro negro entre os 700 participantes. Esta situação é uma realidade no meio jurídico, visto que apenas 18% de juízes se declararam negros no país. A produção ganhou o 36º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo da OAB-RS e foi publicada pela Rádio Senado – Brasília/DF. Quer ouvir mais sobre o assunto? Clique em: https://www12.senado.leg.br/radio/1/reportagem-especial/vozes-da-esperanca-negros-no-poder-judiciario-1.

A terceira premiada em 2019 foi veiculada pela BandNews – BH e ganhou o 4º Prêmio da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) de Jornalismo, com o título “Brasil conectado: o avanço do acesso ao ensino superior brasileiro”. A produção traz uma análise sobre o acesso ao ensino superior no Brasil ao longo das últimas quatro décadas e relata sobre pessoas que saem de casa cedo para estudar e conseguir um diploma, além de profissionais que atuam em prol de uma educação mais acessível a todos. Outra questão debatida na produção é sobre o ensino a distância, já que, de acordo com o trabalho, daqui a cinco anos o número de novos alunos será maior no ensino superior EAD do que presencial nas universidades. Para conhecer melhor a reportagem premiada, acesse: https://soundcloud.com/radiobandnewsbh/serie-brasil-conectado-o-avanco-do-acesso-ao-ensino-superior-brasileiro.

Em 2020, também foram premiadas três reportagens radiofônicas. Uma delas se chama “Finitude: Confinamento, 3 meses depois”, na qual a jornalista Juliana Dantas narra, de dentro de um hospital em São Paulo, a dedicação dos profissionais que aceitaram passar quase 100 dias isolados com pacientes sob cuidados paliativos e preservar a vida deles da Covid-19. Este foi o último episódio de uma temporada produzida pelo Finitude. O veículo foi o único a receber autorização para entrar no hospital Premier e coletar depoimentos, além de observar o dia a dia do local. Passados três meses, a jornalista voltou à instituição para conversar com os mesmos profissionais para saber se algo havia mudado e como foi o impacto na vida de todos. De acordo com ela, o que mais a chamou atenção nesta volta, foi um “experiência de comunidade horizontal”, como ela afirma, como um modelo para a sociedade de fora. “Todo mundo aqui precisa fazer tudo, mas ninguém é obrigado a nada”, diz ela. A produção traz relatos de profissionais que contam sobre renúncias, dedicação e vocação durante esse período de quarentena. A reportagem levou a Menção Honrosa no 42º Prêmio Vladimir Herzog 2020 e foi veiculada pela Rádio Guarda-Chuva-Jornalismo, associada à rede B9, em 30 de junho de 2020. Aprofunde mais na produção, acessando: https://www.b9.com.br/shows/finitude/finitude-confinamento-3-meses-depois/.

 

“Vidas preservadas” traz um olhar sobre as mulheres que foram vítimas de violência

 

Chamada de “Vidas Preservadas – um olhar para a pandemia”, a reportagem foi a segunda premiada em 2020 a ganhar o 1º lugar do 2º Prêmio do Ministério Público do Ceará (MPCE) de Jornalismo, na categoria de radiojornalismo. A produção traz um olhar sobre mulheres que foram vítimas de violência e leva à reflexão sobre o quanto o período de isolamento trouxe dificuldades para denunciar essas agressões. Além das falas de deputadas e da promotora de justiça do Núcleo Estadual do Gênero Pró-Mulher do Ministério Público do Ceará, a reportagem ganha força com os depoimentos das próprias mulheres que sofreram violência. É o caso de uma dona de casa (prefere ficar anônima), que trata da importância de ser atendida pela Casa Mulher Brasileira e ser amparada por psicólogos que lhe ajudam a acordar em seu sentido de vida. “Sou assistida pela casa, e a assistência me ajudou tanto na minha autonomia pessoal como financeira”, diz ela.  A vencedora foi veiculada pela Rádio FM Assembleia-Ceará e fica disponível em: http://www.mpce.mp.br/comunicacao/premiojornalismo/edicoes-anteriores/2020-2/vencedores/.

A terceira e última reportagem de 2020 é uma série feita pelo jornalista paraibano Hebert Araújo, intitulada como “Não deixe ela tocar em lápis e papel”, disponível em: https://soundcloud.com/hebert-ara-jo/nao-deixe-ela-tocar-em-lapis-2. As reportagens contam a história de Josineide Barbosa, que é apaixonada pela leitura e que, quando criança, foi impedida de ir à escola pelo seu próprio pai. Josineide foi entregue ao trabalho infantil com 12 anos de idade e a falta de pespectiva acabou levando a um casamento muito precoce. “Meu pai queimou todas as minhas poesias, eu não gosto de falar muito disso”, diz ela. O pai e mãe de Josiane, diagnosticados com esquizofrenia, encontraram debaixo de sua cama vários rascunhos de papéis feitos por ela e acharam que eram mensagens para supostos namorados. Diante de tudo que passou, Josineide não mediu esforços para que seus filhos não ficassem sem estudo. Hoje, ela se tornou professora e psicopedagoda. O jornalista levou a Menção Honrosa do 9º Prêmio Anamatra de Direitos Humanos no Mundo do Trabalho. A reportagem foi veiculada pela Rádio CBN/João Pessoa em 20 de março de 2020.

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