Pesquisa alerta para riscos de contrair a covid-19 na gestação

Texto: Rennan Oliveira e Vanderlene Araújo

 

Foto: internet

Desde o início da pandemia até 18 de junho de 2020, 978 mulheres grávidas foram diagnosticadas com o vírus da covid-19 no Brasil. O estudo foi publicado na revista Médica Internacional de Ginecologia e Obstetrícia e atenta para os riscos de contrair o vírus durante a gravidez, podendo trazer graves complicações para a vida da gestante. 

Uma pesquisa realizada pelo  JAMAS Pediatrics publicado em 22 de abril de 2021 com mais de 2 mil mulheres grávidas de 18 países, incluindo o Brasil, alerta para a ocorrência de partos prematuros, além do risco de morte que chega a ser 1,6% para as gestantes, 22% maior que em  mulheres grávidas que não foram infectadas.

Além disso, a gestante com covid tem a maior chance de ir para UTI, risco de pré-eclâmpsia e eclâmpsia. A enfermeira Mhalba Sousa, explica, “é um grupo que vai ter maior gravidade devido à situação especial. Não é só uma pessoa, são dois seres que merecem cuidados intensivos. Então o corpo de uma mulher grávida, é mais sobrecarregado.” Ela complementa que a preocupação é de como o corpo e o feto vão reagir ao vírus mesmo com sintomas leves.

Diante deste momento de incertezas ficam dúvidas se os efeitos da Covid-19 podem afetar o feto. Sobre a possibilidade de Covid vertical, Sousa ressalta que os estudos são “escassos”, mas que essa possibilidade não aponta dados preocupantes. “Numa situação de pandemia não vimos nenhum caso” finaliza ela. 

Sobre as complicações na gravidez, Mhalba explica que ainda não tem estudo comprovando que se a gestante contrai a covid-19 no primeiro trimestre, ela vai ser afetada de forma que seu bebê tenha uma má formação. “A questão da gravidade que pode acontecer, é a paciente evoluir de forma ruim por falta de oxigênio, pode dessaturar e a oxigenação do bebê ser prejudicada, com isso adiantando o parto ou tendo que induzir uma cirurgia cesariana ou com uso de medicamentos próprios para indução do trabalho de parto.”

Mary Ane Rodrigues no nono mês de gravidez de seu segundo filho, durante a pandemia em 2021, não testou positivo para covid-19. Ela conta que  manteve o distanciamento social e todos os cuidados para não contrair o vírus. Por se tratar de um período mais complicado no ciclo da gravidez Mary Ane afirma que o acolhimento por parte dos profissionais foi intenso. Ela explica que existia o medo de estar no ambiente hospitalar para tratar dos problemas rotineiros de uma gestação. “Eu tenho sido acompanhada pela minha médica, pela minha obstetra, ela tem se preocupado e a gente tem feito todos os exames, tem cuidado de toda a gestação.”

A crise atual que estamos vivendo não justifica pular a rotina de consultas e exames, ela deve ser seguida tradicionalmente para não prejudicar o feto. O pré-natal deve ser feito normalmente, se a mãe contrair covid-19 o acompanhamento deve ser feito de forma intensiva. A enfermeira Mhalba reitera as “gestantes têm o mesmo risco de contrair a doença”, assim é importante  que os cuidados sejam  mantidos como “o uso de máscara, lavar as mãos, o álcool em gel, além da importância de tomar a vacina contra a Covid-19.”

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