Pandemia afeta saúde mental de atletas

Pesquisa do Comitê Olímpico Internacional (COI) aponta que 50% dos esportistas têm dificuldade para manter a motivação. Foto: Zo Asmail.

Lívia Carvalho

No mundo dos esportes, o adiamento de competições gerou um grande impacto psicológico nos esportistas. Em Imperatriz, a atleta profissional de MMA, Poliana Viana (foto), 21 anos, conta que se sentiu muito frustrada. “Marcaram quatro lutas pra mim no Rio de Janeiro, mas todas foram adiadas por conta da Covid-19 e isso me deixou muito abalada”.

A lutadora diz que a sua maior preocupação atualmente é a incerteza sobre o retorno das competições. “Atleta tem prazo de validade, a gente não fica com esse corpo e com essa disposição a vida inteira”, lamenta Poliana.

O jogador de Imperatriz, Mateus Henrique Silva de Souza, 21 anos, relata que tinha receio de participar dos treinos em grupo. “Eu pensava mais na minha família do que em mim. Ficava com medo de chegar em casa e ter contato com a família porque não tinha como saber quem tava com Covid até sentir os sintomas”, diz.

Quando a pandemia se agravou e as competições foram adiadas, Mateus ficou mais ansioso.

“A ansiedade batia por eu não saber como seria o futuro e a motivação caía quando eu recebia proposta para ir pra Europa e não se concretizava por causa do fechamento das fronteiras”, conta.

Uma pesquisa realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em maio de 2020, apontou que lidar com a saúde mental e gerenciar as carreiras esportivas têm sido os maiores desafios enfrentados pelos atletas durante a pandemia. O estudo contou com 4.089 respostas de 135 países, sendo 80% atletas, 13% comissão técnica e 7% dirigentes.

A Universidade de Stanford (EUA) e a plataforma Strava mostram resultados semelhantes. Antes da pandemia, 4,7% dos esportistas se sentiam nervosos ou ansiosos durante mais da metade da semana. Após as restrições nas atividades, o número saltou para 27,9%. A pesquisa de outubro de 2020 analisou 131 esportistas. Um em cada cinco atletas disse que perdeu a motivação para os treinos.

Ajuda profissional

“O psicólogo do esporte foi muito acionado neste momento de pandemia porque foi o profissional que pôde acolher e cuidar das demandas emocionais não só dos atletas, mas de uma comissão técnica que se preocupava com os resultados da equipe”, afirma a psicóloga Cristianne Almeida Carvalho, da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp).

 

Chamada de vídeo com três pessoas sorridentes.
:: Psicóloga Cristianne Carvalho em chamada de vídeo com profissionais de outros estados

O momento inicial de incerteza e insegurança sobre o retorno das atividades gerou ansiedade, frustração e outros transtornos emocionais nos esportistas, de acordo com a psicóloga. “Não houve desistência dos atletas, mas uma preocupação de estarem sendo desligados de seus vínculos profissionais pela falta de rendimento e produtividade”, acrescenta.

Com o cenário restritivo imposto pela pandemia, os atendimentos psicológicos passaram a ser feitos de forma virtual. “O acolhimento do psicólogo foi criar estratégias on-line para não só ouvir os atletas, mas também proporcionar exercícios que eles pudessem, dentro das suas limitações, realizar para desenvolver seus processos psicológicos”, explica Cristianne.

 

:: Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2 sob orientação da profa. Yara Medeiros.

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