O caminho das tesouras: as multifacetas do cabeleireiro Smith Jhonny que conquistou Imperatriz

Repórter: Deumárya Oliveira, Júlia Lago e Máyra Christina

Fotos:  Máyra Christina, Ruanna Sá e arquivo Smith Jhonny

 

Smith Jhonny, natural de Paragominas-PA, tem 32 anos, é casado, tem um filho e reside, hoje, na cidade de Imperatriz, Maranhão. Cabeleireiro há 19 anos, empresário e digital influencer, recentemente lançou uma marca de produtos capilares chamado “Dr Smith” e abriu um brechó, além de administrar seu salão de beleza, sua maior fonte de recursos. Morou em dois países do exterior, Estados Unidos e Argentina e voltou para o Brasil com uma bagagem informacional que contribuiu de forma significativa para o seu crescimento pessoal e principalmente profissional.

Smith vem de família humilde e começou a trabalhar aos 14 anos na profissão de cabeleireiro, fazendo procedimentos capilares em familiares, e aos 20 anos abriu seu primeiro salão. Morava em um bairro pobre, mas nunca se conformou com a vida que tinha. “É algo que vem de dentro de você. Nunca me senti pertencente àquele lugar, não vou morar aqui para o resto da vida”, são palavras do empresário. Sempre com muita garra e vontade de crescer, lutou por todos os seus objetivos e realizou muitos sonhos. Abriu muitos negócios e também fechou vários, mas nunca desistiu de sonhar e colocar em prática aquilo que desejou.

No auge de sua carreira, o cabeleireiro já cuidou do cabelo de muitas famosas como Larrissa Manoela, Viviane Araújo e Fabiana Karla, além de muitas outras. Isso foi um grande propulsor para que Smith ascendesse em sua carreira.

Além de cabeleireiro, Smith também atua como digital influencer. Com mais de 60 mil seguidores no Instagram (@it.smith), ele trabalha com diversas marcas e estabelecimentos da cidade de Imperatriz como, por exemplo, a rede de supermercados Mateus. Cozinhar é um dos hobbys favoritos do cabeleireiro, conquistando um grande público através das receitas que publica em seu Instagram. Além disso, ama viajar, tendo em seu passaporte a passagem por diversos países como França, Grécia, Itália, Inglaterra e muitos outros.

Nesta entrevista, Smith fala um pouco da sua trajetória de vida e o que precisou enfrentar para conquistar o que tem hoje. Além disso, expõe algumas das dificuldades enfrentadas durante esse processo e o que precisou fazer para conseguir seguir em frente.

Imperatriz Notícias: Percebemos que você faz muitas coisas ao mesmo tempo, como ser blogueiro, cabeleireiro, empresário e até cozinheiro. Mas como exatamente você se define?

Smith Jhonny: Eu sou artista. Eu gosto de fazer várias coisas, e acho que posso ganhar dinheiro com várias coisas. E essas várias coisas que gosto de fazer me colocam nesse lugar de “arte”. Todas as coisas que eu acabo fazendo envolvem algum trabalho manual, tanto cozinhar, fazer cabelo, ou uma minirreforma em uma casa, tem uma pitada mais artística. Por isso digo que sou artista.

 

IN: Você é uma pessoa que leva uma boa vida, viaja para muitos lugares, frequenta bons restaurantes. Você se considera uma pessoa rica?

SJ: Eu me considero! Na verdade, eu sempre me considerei. Não por conta, necessariamente, de dinheiro, mas acho que isso tá mais dentro de você do que ter um dinheiro pra pagar alguma coisa. Por exemplo, conheço várias pessoas que têm muito dinheiro, uma conta bancária super recheada, mas tem uma mente super fechada, que não sonha e não se importa em ter coisas boas. Então, acho que riqueza não tá associada só ao dinheiro que você tem, mas conta mais sobre você. Tem gente que é pobre e vive uma vida muito mais rica que alguém que tem muito dinheiro.

IN: O que você teve que fazer para chegar onde está hoje?

SJ: Muito trabalho! Isso aí é o clássico, né?! Eu trabalho desde os 14 anos. Desde os 14 anos que eu tô nessa lida. Hoje em dia as pessoas me perguntam: “Como tu chegou até aqui? ”, “Como tu chegou a cobrar esse valor no teu salão? ”, porque o meu valor é bem mais alto do que dos outros cabeleireiros aqui. E eu acho que isso tudo é uma construção de anos. É muito difícil você pegar uma empresa com muitas pessoas ou uma “empresa pessoa” como eu, e fazer ela bombar em dois anos. Claro que tem as exceções, mas eu acho que normalmente é a base de muito trabalho, a base de muito “não”, você ser renegado, ser rejeitado por certas pessoas. E sempre vai ter aquele dia que aquela pessoa que no passado não acreditou no seu trabalho, que hoje vai desejar ter uma oportunidade com você, como acontece comigo. Muitas pessoas que nunca quiseram ser atendidas por mim lá atrás, hoje lutam pra conseguir uma vaga no meu salão. Então, essa é uma questão de muito trabalho e de não desistir.

 

IN: Então, se você teve que trabalhar desde os 14 anos, sua família não tinha uma boa condição financeira? 

SJ: Não! Meus Deus! Minha família não tinha nada. Na minha casa nunca teve essa questão de educação financeira. Eu achava que meu pai gastava muito, minha mãe também gastava muito. Então, era aquela coisa, trabalhar pra pagar as dívidas e trabalhar pro resto da vida, ela não usufruía de muitas coisas. Eu morava em um bairro super pobre, quem conhece Paragominas sabe, que é o bairro Cidade Nova, onde tem o mercado municipal, aquela feira, tipo o mercadinho. E eu nasci naquele lugar, mas eu não me sentia pertencente àquele lugar. Eu falava “cara, eu posso fazer mais, eu posso ir pra um lugar diferente, eu acho que posso encontrar novas perspectivas de vida. Não vou ficar aqui pra sempre”. E aí, eu sempre estudei em escola pública, nunca estudei em escola paga, mas com 14 anos eu comecei a fazer cabelo, e eu tinha alguns clientes aqui da minha redondeza. Então, com 14 anos eu já comecei a ganhar um bom dinheiro, pra quem tinha só 14 anos. Foi quando eu tive a ideia de ir pra uma escola particular, porque eu acreditava que lá eu ia ter mais amigas e amigos ricos, e poderia ter uma clientela com poder aquisitivo maior, que podiam pagar mais. Então, eu paguei a escola. Minha mãe não tinha dinheiro. Esse foi um investimento que eu fiz na minha carreira e eu super bombei na época. E aí foi quando comecei a fazer o cabelo de pessoas da alta sociedade, que tinham mais condição para pagar. 

 

 

 

IN: Como foi esse processo de crescimento no Instagram? Como conseguiu tantos seguidores? Você escolheu isso, ou aconteceu de forma natural?

SJ: Foi totalmente natural. Eu não planejei nada. Eu sempre gostei de expor o que eu gosto, uma comida, qualquer coisa do tipo. Então, eu fui postando ali, o povo foi gostando e a coisa foi acontecendo.

 

IN: Você tem muito contato com pessoas famosas, devido a sua profissão na área dos cabelos. Acredita que esse contato influenciou o seu crescimento no número de seguidores nas redes sociais?

SJ: Sim, com certeza. Porque, querendo ou não, como eu estava falando esses dias, o famoso, quando ele te posta, aquilo é uma vitrine para você, né? Só que nem tu vai ganhar seguidores. Porque às vezes tu não tem um conteúdo legal, aí a pessoa olha teu Instagram e não vai seguir. Esses dias eu vi e fiquei chocado: o Windersson Nunes tem, sei lá, mais de 1,1 milhões de seguidores; ele postou uma menina de Carolina – MA, quando ele veio aqui gravar um programa aqui,a moça fez massagem nele. Ele postou vários vídeos, divulgando o trabalho dela. Mas o Instagram dela era tão feio que não ganhou nem 100 seguidores. E o Windersson Nunes é um cara que, meu Deus do céu, se ele me postasse algum dia… Porque o seguidor clica no teu Instagram e ele vê fotos feias, que tu não faz post, ele acaba que não te segue, não é atrativo.

 

IN: Qual foi a maior, de todas as dificuldades que passou na sua vida, que você chegar aonde está hoje? A que considera a pior no seu processo de crescimento profissional.

SJ: Eu acho que foi na época que eu atendia à domicílio. Porque, tipo assim, quando eu atendia a domicílio, era bem complicado, devido a ter só uma mochila, e aí era muito difícil, você não tem estrutura na casa da cliente. Aí eu sempre pensava: “aí cara, eu acho que não vou mais fazer isso, dá muito trabalho e tal”. Enfim, era muito complicado. Foi a época que eu mais pensava em desistir, porque não tinha dinheiro para montar um salão, ninguém queria montar salão comigo, numa sociedade. Então, foi uma época bem difícil para mim. Para os outros parecia muito fácil montar um salão. Para mim, eu tive que ralar muito para conseguir as mínimas coisas, fazer acontecer. Foi a parte mais difícil para mim.

 

IN: Você já viveu em outros países. Por qual motivo você decidiu morar fora do seu país de origem?

SJ: Eu acho que quando você mora fora, vai para outro país, a sua mente abre. Eu sempre digo para todas as pessoas que conheço: “cara, vai morar fora, um dia, sei lá, se você casou ou não, é super válido.” Porque quando ela mora fora adquire experiência que a pessoa que mora no Brasil nunca vai ter, entendeu? Então acho que ao morar fora você consegue expandir seus horizontes, vê coisas que nunca ia ver no Brasil… Enfim, é uma experiência totalmente diferente. Por isso, eu acho que todo mundo merece vivê-la. Eu gostei muito de ter morado fora, eu não me arrependo. Acredito que foi crescimento em todas as áreas da minha vida. 

 

IN: Se foi uma experiência tão gratificante, porque decidiram voltar para o Brasil?

SJ: Porque, na verdade, assim, quando você mora fora do país, tem toda uma questão burocrática, de documentação. Quando eu fui para lá, eu fui legal, inclusive dia 26 a gente vai para os Estados Unidos, passar um mês. Só que eu nunca quis ficar ilegal. Tem muita gente que vai para lá e fica ilegal. Essa nunca foi a minha vontade. Por isso eu voltei, por causa disso.

 

IN: Viver em outros países deve ter mudado sua visão de mundo. Como essa vivência impacta a sua vida pessoal e profissional hoje?

SJ: Isso te traz uma autoridade, quando você mora fora tem aquela autoridade. Tipo “Ah, vou nesse cabeleireiro, porque ele morou fora”, isso traz um diferencial que é inimaginável, não tem como mensurar. Basicamente, tem a ver com isso, com você se diferenciar, estar em um lugar de diferenciação pelo simples fato de você ter morado fora.

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