O paraquedismo atrai jovens e adultos e pode promover o enfrentamento de medos e limites, além de ajudar na saúde física 

Por Anna Luiza, Carlos Antônio, Jessica Sousa e João Pedro Brito da Cruz

“Comecei a saltar por interesse em me superar e conhecer um esporte tido como radical onde você é posto em uma situação de limite. Além de realizar o sonho de voar”. Isso é o que diz Flavius Ulisses Oliveira Urso, 38, militar. Esse é só um dos desejos que levam dezenas de jovens e adultos a praticarem o salto de paraquedas. Seja em Imperatriz, no Maranhão, em outras cidades ou qualquer outro país, esse esporte atrai cada vez mais adeptos, no país já são 3617 atletas em atividade segundo dados da Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq).

A história do paraquedismo tem início em 1306, nesse período há registros de acrobatas chineses que usavam objetos semelhantes a guarda-chuvas para saltar de muralhas e torres. Em 1783, o francês Sebatian Lenormand patenteou o paraquedismo efetuando diversos saltos. Entretanto, só em 1797 o também francês Andre-Jacques Garnerin veio a se tornar o primeiro paraquedista do mundo já quebrando um recorde de salto. Somente duas décadas depois, o paraquedismo chega ao Brasil, tendo, através dos cursos, os primeiros alunos no Aeroclube de São Paulo. Em 1962 foi criada a União Brasileira de Paraquedismo (UBP) que mais tarde transformou-se na Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq). De lá pra cá, a CBPq implantou federações em 22 estados do país.

O esporte possui diversas modalidades de salto, podendo ser em grupo, dupla ou individual. Os cursos preparatórios são divididos em dois tipos: ASL (Accelerated Static Line / aceleração da linha estática) e AFF (Accelerated Free Fall / queda livre acelerada). “No curso ASL, o aluno é preparado para saltar só, mas não tem queda livre, ou seja, ao sair da aeronave o paraquedas abre automaticamente. No curso AFF, o primeiro salto do aluno é só e já é em queda livre, porém, ele salta com 2 instrutores, um em cada lado”, explica Toni Aguiar, 44, empresário, paraquedista civil e instrutor de salto em Imperatriz.

Salto duplo: paraquedista salta com um instrutor que auxilia as etapas/Foto: Vinícius Arruda

Desejo de voar

“Desde pequeno o paraquedismo me chamava atenção, toda matéria que eu via na televisão sobre paraquedismo sempre me trazia um certo fascínio, então podia estar fazendo o que fosse largava tudo e ia assistir, pensava um dia quero ser paraquedista. Foi por isso que decidi ser”, relata Francisco Vinícius de Carvalho Arruda, 45, gerente de logística. Seja pela realização de um sonho, desejo de voar ou superação de um medo, o paraquedismo desperta a curiosidade de jovens adultos que pretendem atingir esses objetivos. “Eu sempre tive esse desejo desde criança, cresci gostando de assistir matérias sobre esportes radicais, viagens, aventuras, etc. Me recordo que ainda por volta dos 13 anos já havia pedido ao meu pai um salto de paraquedas como presente de 16 anos (idade mínima para o salto à época”, diz Alex Brasil, 30, advogado e amante do paraquedismo desde muito novo.

O salto de paraquedas também proporciona momentos inesquecíveis para quem decide aventurar-se nesse esporte, trazendo um misto de sensações como: adrenalina, felicidade, paz ou até mesmo medo. Uma pesquisa feita em 2013, por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), revelou que ao saltar de paraquedas “a pessoa realiza, inconscientemente, o mito de Ícaro, que traduz o desejo ancestral de o ser humano voar, além de experimentar a sensação de finalmente renascer das cinzas, como o mito da Fênix.” “Saltar de paraquedas traz uma sensação de liberdade, porque quando não era paraquedista tinha uma dúvida se teria aquela sensação de estar caindo e que pudesse me trazer um pouco de pavor. Você quando salta não tem a sensação de estar caindo, pelo contrário, a sensação é de estar voando”, afirma Francisco Vinícius.

Cuidados e precauções

Assim como em qualquer outro esporte, o paraquedismo requer de seu praticante alguns cuidados com a condição física, é importante estar atento aos requisitos necessários para que o salto não venha causar complicações à saúde. Apesar do paraquedismo não envolver um esforço físico tão grande quando comparado a outros esportes, como o futebol e o vôlei, certas exigências quanto ao preparo físico ainda sim são fundamentais. “Não estar acima do peso e estar com os membros inferiores fortalecidos, pois o esporte requer devidos cuidados” afirma Fiama Rodrigues Carvalho, 26 anos, educadora física. Veja um salto, realizado por Vinícius Arruda, em Imperatriz, no vídeo a seguir:

 

Examinar bem a saúde física vai proporcionar a quem vai saltar uma experiência mais segura de livre de eventuais complicações. “Antes de tudo fazer um “check up” (uma avaliação médica de rotina associada a exames específicos) principalmente o exame de esteira e exame de sangue (completo) hemograma. Procurar conhecer o seu corpo, verificar se tem algum desgaste nas articulações. Se tem alguma doença óssea.  Escolha esportes que seu corpo vá se habituar”, diz a educadora física.

A prática de atividade física e esportes promove qualidade de vida e saúde. Entretanto, algumas das formas mais populares de atingir tais propósitos como a academia apresentam um número de desistência elevado, uma pesquisa feita pela Fiocruz e Sidney University aponta que “apenas 3,7% dos alunos permanecem um ano na academia”, o que mostra a dificuldade das pessoas em ter disciplina para manter os exercícios físicos. Os motivos para a desistência envolviam atendimento, tempo e demora em atingir determinados resultados.

O paraquedismo se torna um bom exemplo de como você pode alcançar esses objetivos de maneira mais prazerosa. “O esporte radical lhe proporciona desafios com seu corpo e mente, permitindo também o trabalho em coletividade e o número de desistente é consideravelmente inferior aos treinos convencionais como os de academia”, afirma Fiama Rodrigues.

Desejo e resultados

Em um estudo recente feito pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo, em conjunto a Academia Paraense de Ciências, trouxe resultados empolgantes sobre o salto de paraquedas. Foi comprovado, por meio de exames clínicos, “que pacientes diagnosticados com doenças, como depressão e transtornos de ansiedade, após realizarem um salto de paraquedas apresentaram melhoras significativas”. Através do paraquedismo, muitas pessoas poderão adotar um esporte que ajuda a resolver problemas de saúde. “Conheço um amigo que se chama Henrique, hoje mora em Balsas. Ele superou uma depressão pela perda de uma filhinha, dentro do esporte, que o ajudou a superar esse momento”, lembra Enilton Ramos. Durante o salto de paraquedas, o organismo libera substâncias que contribuem no combate à depressão e outras doenças. “A depressão é causada pelo baixo nível de serotonina. A atividade física causa liberação desse hormônio, que em grande quantidade ajuda a combater o quadro de depressão”, explica a educadora física Fiama Rodrigues.

João Justino Pereira, 51, instrutor de paraquedismo em Marabá e Imperatriz, informa que os meses de maio e junho são melhores para realizar os saltos, isso devido as condições climáticas da região com ventos e temperaturas mais amenas. “Em média são realizados 200 saltos por ano, mas, é bem instável tem ano que são feitos 300, 400 ou mais saltos”, comenta ele.

Na cidade, o Aeroclube de Imperatriz oferece instrumentos para se praticar esse esporte, porém o local não é responsável pelas aulas e nem pelos saltos realizados, há instrutores em Imperatriz e em Marabá que vem até a cidade para realizar tanto as aulas quanto os saltos. A idade mínima para saltar é a partir de 15 anos, já menores de idade precisam de autorização dos pais.

Antes do salto propriamente dito, há dois cursos de preparação, sendo eles o AFF (Accelerated Free Fall) e o curso ASL (Accelerated Static Line), ambos possuem aproximadamente 10 horas de duração e depois a prática. Custam respectivamente R$ 850,00 e R$ 1.200,00, o pagamento deve ser feito imediatamente, pois as atividades são marcadas quando há quórum e só são consideradas inscrições pagas.

Para todos os saltos, o aluno usa um paraquedas principal e um paraquedas reserva. O equipamento possui dispositivos de abertura automática e o aluno é monitorado o tempo todo pelo instrutor de solo que possui contato através de radiofrequência e visual para uma navegação segura e pouso suave.

Os interessados devem procurar o Aeroclube de Imperatriz, localizado no Parque Alvorada, Imperatriz – MA, 65907-230, ou entrar em contato pelo telefone: (99) 3524 – 1172, com João Justino (instrutor) ou Toni Aguiar (instrutor).

Edição: Roseane Arcanjo Pinheiro

Foto/abertura: Vinícius Arruda

Reportagem produzida para a disciplina Técnicas de Reportagem do Curso de Jornalismo/UFMA Imperatriz (2019.1)