Jogador por 19 anos e técnico há dez, o treinador levou o Maranhão Atlético Clube (MAC) à Série C no ano passado e pretende fazer o mesmo pelo Imperatriz, pela segunda vez.
Por Luiza Ribeiro
O Cavalo de Aço disputa hoje, 16, às 16h, a sétima rodada do Brasileirão Série D contra o Tocantinópolis, o Tecão, no Estádio João Ribeiro, casa do adversário. O lugar deixado por Marlom Cutrim em 27 de abril, após empate em jogo contra o mesmo Tocantinópolis, foi assumido horas depois pelo treinador Marcinho Guerreiro.

Marcinho Guerreiro em treino tático para jogo contra o Tocantinópolis. (Fonte: Ascom SID).
Essa é a segunda passagem do técnico pelo time, que liderou em 2018 no acesso à série C do Campeonato Brasileiro, feito que pretende repetir, conforme entrevista ao Imperatriz Notícias. Embalado pelo último resultado no campeonato, quando marcou 4 a 0 sobre o Trem, do Amapá, o time teve uma semana de treinos táticos e preparação física para o encontro de logo mais.

Com pagamentos em dia, bem posicionado na tabela e com alguns atletas já conhecidos pela comissão técnica, o elenco tem correspondido ao modo de jogo e, nas palavras do treinador, “entenderam a nossa filosofia”. Confira a entrevista concedida pelo técnico Marcinho Guerreiro ao Imperatriz Notícias, após um dia de treinos no Estádio Municipal Frei Epifânio D’Abadia.

Imperatriz Notícias: Quais são as diferenças que o senhor notou no time, em relação à torcida, na estrutura, nas condições do time, em relação a 2018?
Marcinho Guerreiro: Olha, a estrutura mudou um pouco. Hoje tem algumas situações que estão melhor, até em termos de parte física, de parte de estrutura do clube. A gente mudou, a diretoria mudou também, mas em 2018 a gente tinha também uma estrutura boa, a gente não pode negar isso. Claro, mudou muito de lá para cá, mas o mais importante hoje acho que é a estrutura que o presidente dá, você também pagar em dia, isso é importantíssimo no futebol. Hoje a gente chega com uma outra situação, até mais confortável do que eu vim em 2018, porque a gente precisava ganhar alguns jogos. Hoje não, a gente está bem na tabela, e isso é importante. A torcida é a mesma, porque a gente conhece aqui dentro, sabe como é a torcida do Cavalo. Você começa a ganhar, a torcida vai começar a vir no estádio. Domingo já foi um grande jogo, a gente conseguiu fazer um grande jogo, conseguiu performar bem, dei mérito para todos os atletas até porque eles entenderam, no pouco tempo que a gente tem em trabalho, a nossa filosofia. E agora é trabalhar, a gente sabe que a caminhada é longa, principalmente numa série D. Eu tive ano passado um acesso com o Maranhão, tive aqui também no Cavalo em 2018, mas a gente sabe que a caminhada é longa, a gente está se preparando. Esse grupo também é um grupo experiente, um grupo de jogadores que são acostumados a jogar, então agora é ter tranquilidade, fazer um grande trabalho e a gente ir conquistando os objetivos. O primeiro objetivo é classificar para ir para o mata-mata.
IN: E como está essa preparação justamente para essa classificação no mata-mata do Brasileirão?
MG: Olha, hoje a gente já está numa segunda semana, isso é importante, estamos fazendo alguns trabalhos que a gente precisa melhorar em termos de performar, em termos de parte tática também. Isso a gente já vem passando para alguns jogadores, como a gente gosta de jogar, como a gente tem uma plataforma de jogo, uma filosofia de trabalho. Alguns jogadores já trabalharam comigo, outros eu conheço. São características diferentes, são jogadores de qualidade, mas a gente precisa implantar algumas situações que a gente tem buscado em alguns clubes que a gente vai trabalhando. Assim foi no Maranhão, assim foi no Moto, assim foi no Sampaio, assim foi aqui. Então, assim, agora é melhorar as características de cada jogador, a gente entender um pouco mais de cada jogador que a gente não conhece, para a gente trazer isso para nós, pra dentro da nossa plataforma de jogo, e conseguir fazer uma grande série D e conseguir um grande acesso.

IN: Enquanto no MAC, estava observando o Imperatriz? Quando o senhor chegou, já foi 4 a 0, excelente recepção, né? O que o senhor considera que aplicou para poder chegar nesse resultado?
MG: Jogamos duas vezes esse ano contra o Maranhão, uma pela Copa do Nordeste e uma pela Campeonato Maranhense, né? Aqui dentro é muito forte, como eu sempre gosto de falar, aqui dentro no [estádio] Frei é muito forte, a torcida do Cavalo ajuda muito. É um 12º jogador, como a gente gosta de falar. Domingo, como eu falei, a gente parabenizou os jogadores, porque eles se empenharam, eles fizeram por onde. Acho que é um time de qualidade, principalmente dentro de casa, a gente tem que criar uma identidade. Quem vem jogar aqui contra o Cavalo precisa vir e entender que aqui o Cavalo sempre vai se impor, vai sempre propor o jogo. Então, no domingo não foi diferente. Primeiramente parabéns a todos os jogadores, porque eles entenderam o que tinham que fazer, assimilaram durante a semana o que a gente botou em prática nos treinos, e conseguimos um grande resultado.
IN: O senhor não está há um mês no time ainda, mas considera que o Cavalo já tem chances reais de acesso à série C?
MG: Sem dúvida, eu vim para cá por isso. Eu tinha recebido algumas propostas, do Sampaio, do Porto Velho, algumas situações que a gente estava até esperando. Mas a gente sabe da realidade do nosso futebol, a gente conhece também o grupo que está aqui, do Imperatriz, alguns jogadores. É muito difícil você vir aqui em Imperatriz e desbancar o Imperatriz, eu já vivi isso várias vezes como jogador e como treinador. Então, por isso estou aqui, porque confio, acredito nesse grupo que está aqui. Acredito também em todo um trabalho, junto com a diretoria, comissão de jogadores, para a gente ter um novo acesso aqui no Imperatriz.
IN: Qual que é a estratégia da comissão, de forma geral, para manter um bom rendimento do elenco, com entradas e saídas de jogadores?
MG: Olha, isso acontece, é normal no futebol. Você vai chegar, você vai trazer dois, três jogadores, alguns jogadores estão saindo, e é normal. Mas, assim, a gente sabe que tem que ter um controle. Eu também fui jogador, foram 19 anos jogando futebol, já estou há 10 como treinador. A gente conhece bastante o vestiário, a gente tem esse time, esse tato de conversar individual com atleta, conversar coletivamente, a gente também foi jogador. Acho que onde eu passei, graças a Deus, eu deixei as portas abertas, fui um cara justo, como sempre fui como jogador e estou sendo como treinador. A gente sabe que cada jogador pensa em uma situação, cada cabeça, você está trabalhando com ser humano. Graças a Deus a gente chegou, foi bem recebido, como eu falei, tem alguns jogadores que trabalharam comigo, outros a gente conhece de jogar contra, e agora é ter tranquilidade, trabalhar e trabalhar muito para a gente conseguir um acesso.