Texto por Ana Luiza Nogueira
Ilustrações por Luiza Peres
Casais de mulheres foram maioria nos casamentos homoafetivos registrados em Imperatriz em 2025 e, também, concentraram todos os divórcios no período, segundo dados do Cartório do 1º Ofício da cidade. Ao todo, foram 17 casamentos entre pessoas do mesmo sexo no ano passado. No mesmo período, três divórcios foram formalizados, todos envolvendo casais femininos.

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Apesar da predominância nos registros, a formalização da união costuma acontecer de forma gradual. De acordo com o escrevente autorizado Enio Di Lamartine da Silva Milhomem, que atua há seis anos no cartório, casais homoafetivos tendem a adiar o casamento civil. “Eles demoram mais tempo para tomar a decisão de casar. Geralmente convivem, vivem em união estável e só depois resolvem casar”, afirma.
A preferência pela união estável é refletida nos números. Em 2025, 30 casais optaram pela Escritura Pública de União Estável, novamente com maioria entre mulheres. Entre os principais fatores estão a rapidez, o documento pode ser emitido em cerca de 1h20, e a possibilidade de reconhecer oficialmente o início do relacionamento em data anterior, garantindo, direitos sobre bens adquiridos ao longo da convivência. Já o processo do casamento leva cerca de 5 dias úteis até a emissão do documento, e diferente da união estável, só começa a ser reconhecido a partir do dia que foi oficializado o casório.

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Os dados também mostram que os rompimentos recentes estão concentrados entre casais femininos. Em 2025, foram registrados três divórcios. O relacionamento mais longo entre os dissolvidos no período durou sete anos.
Em 2026, até o momento, há o registro de apenas um rompimento, envolvendo um casal de homens. Segundo o escrevente, um ponto em comum entre os casais de mulheres que se divorciaram em 2025 é a ausência de filhos. O principal motivo apontado foi o desgaste natural da relação.
“Se chegarem com a petição pela manhã e o fluxo não estiver grande, à tarde já estão divorciados”, explica Milhomem. Ele ressalta que, nos casos com bens a partilhar, é necessário consenso entre as partes para que o processo ocorra de forma mais rápida. Assim como no casamento, a dissolução da união estável também exige acompanhamento de advogado.
Outro aspecto observado é a baixa adesão de casais homoafetivos aos casamentos comunitários realizados na cidade, geralmente três vezes ao ano. A maioria opta por cerimônias privadas no cartório, onde é permitido levar até cinco convidados. A escolha, segundo o cartório, está relacionada principalmente à busca por discrição, segurança e preservação da intimidade. Ilustraçã