Imperatriz sedia competição estadual de jiu-jitsu depois de onze anos

Em dois dias, o Grand Maranhense de Jiu-Jitsu mobilizou academias e quase 600 competidores de diversas categorias, atraindo caravanas vindas de norte a sul do estado, Tocantins e Pará.

Por Luiza Ribeiro

As academias de jiu-jitsu de Imperatriz estiveram em peso no Grand Maranhense de Jiu-Jitsu, que aconteceu nos dias 23 e 24 de maio. A cidade voltou ao circuito de eventos da Federação Maranhense de Jiu-Jitsu (FJJEM), entidade oficial do esporte no estado. A última competição a nível estadual realizada aqui pela federação foi a 3ª Etapa do Campeonato Maranhense de Jiu-Jitsu, em setembro de 2015.

Os 570 competidores dos estados do Maranhão, Pará e Tocantins, se encontraram no ginásio da Escola Sesi para lutarem e torcerem pelos colegas de kimono. Vindos de mais de 30 municípios, como os maranhenses Porto Franco, Açailândia, Balsas, Rosário e São Luís, e os paraenses Marabá e Dom Eliseu, os atletas foram divididos segundo suas categorias de inscrição: Kids (4 a 17 anos), Adulto (18 a 29 anos) e Master (a partir dos 30 anos).

Para o mestre Marcos Costa, professor e fundador da academia Arena, de Imperatriz, a competição ajuda no amadurecimento dos atletas dentro e fora do tatame e também “serve como um termômetro ideal para avaliar o nível do grupo e ajustar as estratégias de treino”. Grande parte dos seus alunos participou da disputa nas três categorias e com as faixas, cinza, amarela, verde, azul, roxa e marrom. Um deles, o faixa azul Jefferson Júnior, foi o ganhador da medalha de ouro na categoria de 70 quilos. 

A faixa branca Giovanna Aguiar, aluna do mestre Marcos, manteve o ritmo de treino embora não tenha criado expectativas do pódio. “É uma oportunidade de sair da zona de conforto, ganhar experiência e testar tudo o que aprendo nos treinos”, considera. O faixa marrom José Oliveira e o faixa roxa Gabriel Silva, também da Arena, já estiveram em outras competições e aproveitaram a oportunidade de lutar dentro de casa. “À medida que o evento se aproxima, a intensidade dos treinos aumenta e a preparação fica ainda mais focada nos detalhes”, afirma José. Para Gabriel, “é importante ter a experiência de lutar aqui, até porque não é sempre que a cidade recebe eventos de fora assim”.

O torneio em Imperatriz eliminou custos de transporte e hospedagem para os atletas, mobilizou os treinos nas academias locais e aumentou a participação no tatame e nas arquibancadas.  “Mais atletas experimentam a competição e os que não vão lutar ficam na torcida. Isso gera um forte senso de pertencimento e união no ambiente de treino”, ressalta Marcos Costa. Para Leo Gladson, faixa preta e presidente da FJJEM, o barulho da torcida na arquibancada é uma das marcas de eventos como esse. “Isso é que anima, dá adrenalina e aquele friozinho na barriga. É essa galera aí. Se não tiver essa zoada não tem campeonato de jiu-jitsu”, assegura.

Filiada à Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e à International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF), a FJJEM é requerida a incluir mais cidades nos circuitos de competições, o que passou a acontecer recentemente. A organização do Grand Maranhense contou com a contribuição dos professores de Imperatriz Rafael Duplex e Paloma Dias, representantes da federação na cidade, Reinaldo Vieira (“Shuduca”) e Rodrigo Rosendo (“Argentino”), além do professor Rodrigo Granola, de Açailândia. 

Paloma Dias é referência do jiu-jitsu no estado e fundou a Atemporall Culture, academia que enviou cerca de dez alunos para o evento, entre faixas brancas e azuis. O porte e a relevância do campeonato, segundo ela, tornaram obrigatória a participação dos jiujiteiros e confirmam a relevância do esporte na cena local. “O número de competidores e não competidores, de escolas e praticantes está aí para mostrar que não é pouca gente. Apesar de ter outros eventos girando hoje na cidade, como os jogos escolares, a gente conseguiu agregar todo o público que iria ficar sem competir”, considera. 

Pedro Igor, aluno da academia Samurai Club, que enviou oito atletas de faixas branca, azul e marrom, estreou em competições pela faixa marrom. Ele foi campeão na sua categoria por Peso e Absoluto, quando não se considera o peso dos atletas na disputa. Ederson Silva, o Dig Dig, enviou uma equipe formada por 18 jiujiteiros: dez faixas brancas, duas amarelas, quatro azuis, uma roxa e uma preta. Os pesos da equipe foram dos 32 kg aos 100,5 kg, abrangendo as três categorias inscritas por idade. 

Para Philipe Sampaio, faixa preta, membro da FJJEM e um dos organizadores, o Grand Maranhense de Imperatriz foi admirável. A meta inicial de 400 competidores foi superada principalmente pela grande adesão das academias locais, que incentivaram a inscrição de seus alunos. “Em qualquer uma das cidades na Ilha de Upaon-Açu a gente trabalha com 900 inscrições em diante. Aqui a gente tinha uma meta menor porque fazia tempo que não vínhamos. Então, pra mim foi uma grande surpresa, e estou muito feliz, porque mostra a força do jiu-jitsu na cidade”, constata.

O torneio contou com seis áreas de luta e árbitros qualificados pela própria FJJEM, que também ofereceu curso de primeiros socorros. “Antigamente a gente fazia o campeonato com uma, duas áreas de tatame. A intenção nossa é ano que vem vir com oito”, avisa o presidente Leo Gladson. Segundo ele, um campeonato da categoria Kids, de 4 a 17 anos, está marcado para setembro. A intenção agora é que haja ao menos duas competições anuais na cidade previstas no calendário da federação. 

Neste ano, o jiu-jitsu retornou como modalidade dos Jogos Escolares de Imperatriz. “Isso aí pra gente é uma alegria imensa, porque a prioridade todos os anos sempre era o judô”, relembra Paloma. A adesão de crianças e adolescentes à essa arte marcial reflete na participação em torneios. Segundo Leo, eles correspondem a 60% das inscrições em competições da federação. Para ele, o legado do jiu-jitsu é desenvolver o caráter ao ensinar respeito ao próximo, disciplina e determinação. “O esporte serve para a vida lá fora. Quando você passa para o atleta que ele tem que respeitar o próximo e lutar para vencer, lá fora ele respeita as pessoas e luta para vencer”, destaca.

Um diferencial da competição foi a parceria com a Casa da Mulher Maranhense de Imperatriz. Pela primeira vez e a convite dos organizadores, uma equipe da Secretaria de Estado da Mulher realizou ações em campanha de prevenção e combate ao assédio dentro e fora do tatame. Para a diretora da Casa, Gabriela Bonfim, a receptividade dos presentes garante que a parceria permanecerá para outros eventos. “Fomos muito bem recebidos com a nossa mensagem de que a prática esportiva não envolve sujeição a situações de assédio, e a maioria dos desportistas realmente não concorda com essa prática”, assegura.