Fanfics ganham espaço no mercado editorial

 

 Pauteiros: Dhara Inácio e Ayrla Celeste

Repórteres: Gabriel Novais, Lyandra Gomes, Sthefany Gomes e Talison Vinicius

Imagens: Gabrielle Mariano e Renata Shiniz

 

As fanfics ganham cada vez mais espaço no mercado editorial nacional desde o surgimento do Wattpad, em 2006. O aplicativo contabiliza 40 milhões de usuários – 800 mil deles brasileiros. O mesmo conta com 175 milhões de histórias – 5,3 milhões em português.

O termo Fanfic (abreviação da expressão inglesa fanfiction, que significa a “ficção de fã” na tradução literal para a língua portuguesa) foi criado para designar uma tendência que surgiu no final da década de 1960 e se popularizou com a acessibilidade da Internet no Brasil, em 2000.

O público alvo são jovens fãs de determinada obra que desejam ver aquela mesma produção em outra perspectiva. Essa literatura tem ganhado uma proporção significativa no meio das editoras brasileiras e vem obtendo grande quantidade de seguidores desde então.

O sucesso dessa nova modalidade literária se expandiu pelo país movimentando sites atraídos por milhares de leitores, e em consequência disso instigou olhares de editoras que aderiram o gênero ao mercado. Atualmente há exemplares publicados em livros físicos. Existem poucas editoras que se propõem a publicar livros que vieram de fanfics e elas ainda são pequenas e bem atuais. No primeiro semestre de 2020 foi fundada a editora Violeta, por Nicoly Pacheco, direcionada exclusivamente a publicação de fanfics em livros.

Publica~ção dos livros movimenta o mercado

De acordo com a escritora Gabrielle Mariano, que teve seu livro publicado pela Editora Violeta: “a empresa recebe vários e-mails de sugestões de fanfics em que as pessoas se interessam muito em adquirir uma versão física, a equipe seleciona a fanfic, ela passa por uma equipe que faz a leitura sensível e, então, decidem se é interessante ou não a publicação. A partir da aprovação, vem a etapa de contrato, etc.” Por mais inclusivo e positivo que seja esse projeto, as bibliografias ainda enfrentam muitas dificuldades no mercado.

A autora do livro “Dezessete mil sentidos para Benjamin Park”, Gabrielle Mariano diz que a principal mensagem do seu livro é que “todos nós, independente das nossas diferenças merecemos respeito, paciência, carinho, cuidado e amor”, comenta. No livro vemos que Samuel Bertini é um garoto melancólico e sem ambições que vê no seu vizinho, Benjamin Park, – um garoto autista -, a mudança no astral da sua vida.

Segundo Gabrielle a maior dificuldade em inserir seu trabalho no mercado é, com certeza a falta de oportunidade e acesso às editoras para publicação. Muitas só abrem seleção de originais duas vezes por ano. Ela ressalta também o preconceito sofrido: “Muitas pessoas acham que quem escreve fanfic, não sabe escrever, ou escrevem coisas “bobinhas”. Existem, sim, esse tipo de leitura, que serve só como distração, mas também existem muitas obras sérias, com mensagem, feitas com muito esforço e pesquisa; resta apenas as pessoas nos darem uma chance”.

Por outro lado, é possível ver os benefícios que essa novidade trouxe ao mundo literário agindo como um estimulo à leitura e conquistando pessoas de diversas idades que não tinham o hábito de ler. O livro da autora Renata Shiniz, “Castelo de Vidro” ocorre em um universo mágico onde existe apenas uma crença “Tattwa”, e onde todas as criaturas lutam pela sua existência.

Shiniz declara: “Fanfics são ficções de fãs, algo criado de fã para fã, então todas as pessoas inseridas nessa comunidade acabam se interessando. Muitos leitores já me falaram que criaram interesse em leitura por começarem a ler as minhas obras, então são coisas que influenciam bastante. Eu mesma comecei a me interessar por leitura quando conheci as fanfics lá em 2008. Era divertido ver os meus ídolos em aventuras aleatórias. Depois disso, passei a escrever quando não achava os conteúdos que queria. Mas fora isso, a maioria dos leitores de fanfic são jovens. Conheci muitos leitores de 11 anos pra cima”.

Por fim, as autoras dividem o mesmo pensamento: serem levadas a sério pelo mercado literário. Destacam além disso a paixão por escrever, e sonham em viver do que fazem. Muitos autores de fanfic trabalham, estudam e tiram o pouco tempo que tem para se dedicarem à escrita, também há muito esforço por trás de tudo.

 

Serviço:

Para encontrar as escritoras e saber mais acessar Instagram, com as escritoras Gabrielle Mariano (@thserendipity) e Renata Morato Shiniz (@renatashiniz).

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