"Eu nunca quis os holofotes, a verdade é essa. Entrei por causa da grana"

“Eu nunca quis os holofotes, a verdade é essa. Entrei por causa da grana”

Texto: Even Grazielly

Fotos: Divulgação

Participante da primeira edição do reality show exibida pela Rede Record em 2012, a Fazenda de Verão,  Gabriela Novaes hoje é professora de Redação do curso preparatório para vestibular e concursos Avanços e da rede de ensino COC em Imperatriz. Segunda eliminada do programa, ela  trocou a cidade natal, Juazeiro do Norte – BA, por Imperatriz – MA, por causa dos estudos e trabalhos. Ex-funcionária pública, aos 22 anos ela trocou o trabalho para participar do programa de televisão em busca do tão sonhado um milhão, embora só tenha se inscrito por conta da insistência de amigos, que não acreditavam que ela conseguiria “sobreviver no mato”. Quatro anos após a passagem pelo reality, Gabriela ainda é reconhecida na rua, mas não queria que a fama por ter participado do programa a seguisse. Apesar de ter se exposto em rede nacional, afirma que tudo isso a transformou, mas que faria tudo diferente se pudesse. De lá para cá, ela se formou em Letras pela Universidade Estadual do Pernambuco (UEPE) e está cursando Enfermagem na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Num bate-papo ao Imperatriz Notícias, contou as pressões que existiam dentro da Fazenda de Verão e que as brigas dela com outros participantes foram causadas por conta da produção. Também conta que nunca quis ser famosa, mas médica, porém no caminho acabou encontrando a paixão por lecionar.

 

Imperatriz Notícias: Você lucrou com a Fazenda de Verão mesmo sendo a 2° eliminada?

Gabriela Novaes: Sim, eu lucrei. O que eu tenho hoje, boa parte foi a Fazenda que me deu. Eu era funcionária pública e ninguém larga um emprego público pra nada. A gente ganha um dinheiro de contrato, um dinheiro de participação, um dinheiro que vem depois com os trabalhos, ou seja, a gente acaba lucrando alguma coisinha.

 

IN: A fama de barraqueira, por conta das suas brigas dentro do reality show, ainda lhe persegue?

GN: Não, porque eu sou muito tranquila. Tem gente que nem acredita que sou eu ali. Agora a fama de ex-reality me persegue.

"Não existe encenação, existe a pressão que a produção coloca que faz com que as pessoas acabem fazendo certo tipo de coisa"

“Não existe encenação, existe a pressão que a produção coloca que faz com que as pessoas acabem fazendo certo tipo de coisa”

IN: Se tivesse a chance de participar de novo do programa, você iria?

GN: Não, só se fosse muito dinheiro. A gente não diz nunca né? Mas tinha que ser uma coisa que dessa vez realmente mudasse totalmente o meu padrão de vida. Se não fosse assim, eu não participaria.

 

IN: Existe encenação dentro do programa?

GN: Pelo menos da minha parte foi tudo verdade. Não existe encenação, existe a pressão que a produção coloca que faz com que as pessoas acabem fazendo certo tipo de coisas. Por exemplo, eu nunca briguei na vida e briguei lá. Outra coisa, você não poder levar um livro pra ler e aí você fica com a cabeça louca, transtornada. Você já não pode ler um livro, aí você não pode tomar banho de piscina na hora que você quer, não pode sair de dentro da sede na hora que você quer e ter que conviver com 18 pessoas estranhas. Então essas coisas que o programa impõe acabam mexendo com a sua mente.

 

IN: Você desistiu dos holofotes?

GN: Eu nunca quis os holofotes, a verdade é essa. Entrei por causa da grana. Todo mundo sabe que desde o começo eu deixei bem claro, tanto no comercial quanto nas gravações dentro do programa. Sempre quis ser médica, nunca quis ser famosa não.

 

IN: Hoje, perdeu a vontade de ser médica para se tornar professora?

GN: Não. Sou brasileira e não desisto nunca. É porque acabamos tendo as famosas prioridades e aí estou dando prioridade pro trabalho porque eu preciso trabalhar, mas continuo dando meus pulinhos fora. Às vezes eu dou uma estudada, às vezes não. Esse ano eu dei uma desleixada mas desistir a gente não desiste não. Não se desiste de sonhos e esse é o único que eu tenho na vida.

 

IN: Como você virou professora de redação?

GN: É uma longa história. Quando eu terminei o ensino médio eu não tive muita opção e acabei fazendo magistério, a minha mãe falava que todos os filhos dela tinham que ser professores, tanto que a minha irmã tem três faculdades e duas são nessa área. Aí eu fiz o curso de Letras e comecei a lecionar para o Ensino Fundamental, só que logo depois eu passei no concurso público para uma área diferente da Educação e faltando um ano pra terminar, eu passei em Direito. Preferi fazer Direito do que Letras porque ia me dar mais dinheiro mas sempre sonhando com Medicina. Só que depois tranquei para ir para A Fazenda e assim mudei totalmente a minha vida, porque fui embora para outro lugar. Depois acabei passando pra Engenharia Civil e larguei porque não gostei. Acabei indo fazer enfermagem que era a área da saúde mais próxima do que queria e acabei vindo parar no MA, pois tinha passado na UFMA. No decorrer do curso recebi a proposta de lecionar a partir de uma brincadeira onde cheguei pro dono do cursinho “ei to com saudade de dar aula, deixa eu dar aula ai” e ele deixou. Aí tranquei o curso de Enfermagem pra terminar a faculdade de Letras, me formei e estou de novo na saúde.

 

IN: Tem alguma coisa que faria diferente?

GN: Muitas. Tipo, eu não teria entrado na Fazenda e teria estudado mais. Eu não teria me desviado do curso de Medicina, estudaria diretamente pra fazer esse curso e não iria pra outros cursos. Também teria focado mais no meu terceiro ano, apesar de ter sido complicado porque eu vinha de escola pública e ainda tinha que trabalhar.

 

IN: Como foi fazer o Enem nesse ano?

GN: Esse Enem esse ano foi diferente porque eu fui como professora. Mas pra mim foi perfeito porque eu acabei acertando o tema da redação. Tinha três alunos meus na sala e na reação deles deu pra ver a cara da felicidade pois, na última semana eu trabalhei o tema “Intolerância Religiosa” em todas as escolas que eu leciono e isso acaba sendo gratificante.