" Se você gosta dessas músicas, então essa festa é para você."

” Se você gosta dessas músicas, então essa festa é para você.”

 Texto e fotos de Edilson Souza

 

Considerada já uma tradição na cidade de Imperatriz, a festa dos anos 70, 80 e 90 é sucesso de público, recebendo por edição uma média de 900 pessoas. Atrai gente de todas as idades, que têm em comum um único objetivo: dançar ao som das músicas que fizeram sucesso no passado, mas que se mantêm imortais para os amantes do estilo flashback. Idealizada por Ivan dos Santos Araújo, conhecido artisticamente como Dj Secreta, a primeira edição da festa ocorreu em 2012. Logo de início, chamou a atenção das pessoas, fazendo com que Ivan acreditasse nesse projeto e o levasse à diante. E assim aconteceu. Anualmente são realizadas pelo menos três edições da festa na cidade, sempre com lotação máxima de público.

Ivan dos Santos é filho de Imperatriz, tem 43 anos, já foi zelador e atualmente trabalha em um dos veículos de comunicação da cidade. Lá, exerce dois cargos, o de operador de áudio na TV e produtor de áudio no rádio.  Concilia seu emprego com a carreira de Dj, mantendo viva a “festa dos anos 90”, um dos símbolos culturais da cidade.

No seu quinto ano de existência, a “festa dos anos 90” ganha cada vez mais espaço. a mesma mudou de local, agora é realizada no rancho da vila. Av. São Sebastião Bairro Vila Nova. Para a realização do evento, Ivan conta com colaboração do locutor, Carlos Alberto, que é seu amigo e colega de profissão. Nessa entrevista, Ivan dos Santos, o Dj Secreta, conta sobre os bastidores dessa festa, sua contribuição para a cultura local e perspectivas para o futuro.

 

IN: Para quem exatamente é essa festa dos anos 90?

DS: É para todas as pessoas que curtem essas músicas mais antigas, que sentem faltam das discotecas e de toda a diversão que tinha nas décadas passadas. Se você gosta dessas músicas, então essa festa é para você.

IN: Por que o estilo flashback atrai tanta gente?

DS: Porque são músicas boas, com letras legais e com sentimento. Não são só músicas para fazer dançar, são músicas que despertam emoções dentro das pessoas. Cada um lembra coisas vividas no passado, lembra dos romances, das aventuras. São músicas que serviram de trilha sonora para muita coisa boa, então, as pessoas gostam de reviver isso através dessa festa.

IN: As pessoas costumam vir caracterizadas de algum jeito específico para a festa dos anos 90?

DS: Algumas sim, mas são poucas. Antigamente, no tempo da discoteca, eram mais comuns as roupas coloridas, o cabelo Black Power, mas hoje em dia a moda é outra. Cada um vem como se sente a vontade, mas não dá pra dizer que existe um estilo que se destaque.

IN: E com relação às coreografias, há específicas ou cada um dança como quer?

DS: Cada um dança como quer, mas sempre observo algumas pessoas tentando dançar aquelas coreografias que faziam na discoteca nas décadas passadas. O importante mesmo é se divertir. Dançar sozinho ou agarrado, coreografia ou não, o que vale é a diversão. Algumas pessoas chegam mais tímidas na festa e ficam pelos cantos, mas conforme vai tocando as músicas, logo estão todos na pista de dança, que é como deve ser.

IN: De que modo você acha que a “festa dos anos 90” contribui para a cultura local?

DS: Contribui sendo não só uma opção de lazer, mas trazendo para o presente boas recordações para o público da festa. Música é cultura, dança é cultura, então, juntar as duas coisas e perceber que o público gosta, não deixa de ser uma contribuição para a cidade, proporcionando que as pessoas vivam essa nostalgia do que foram os anos 70, 80 e 90.

IN: A que você atribui o sucesso da festa?

DS: O interesse do público pela festa e bom trabalho realizado. Se as pessoas procuram a festa e nós a realizamos com qualidade, não tem erro, é sucesso na certa.

IN: Já aconteceu alguma coisa inusitada durante a festa ou nos bastidores?

DS: Não exatamente inusitada, mas é engraçado quando algumas pessoas bebem um pouco e começam a pedir músicas, porque elas se empolgam e sempre pedem mais e mais. A gente tenta atender a todos os pedidos, sempre com muito carinho, mas nem sempre dá, porque tem um roteiro, o setlist, e temos que seguir ele para ficar tudo como programado. É  divertido também ver as pessoas dançando, e gratificante, pois é sinal de que seu trabalho como Dj está sendo bem feito.

IN: A “festa dos anos 90” está diretamente ligada ao seu nome artístico, Dj Secreta. De onde surgiu esse nome?

DS: Foi um apelido que meu ex-patrão me colocou quando eu trabalhava na Danceteria Broadway, uma antiga casa de shows da cidade. Ele me chamava de secretário por que antes de eu ser Dj, eu tinha outras funções e acabava fazendo um pouco de cada coisa. Então, quando resolvi arriscar na carreira de Dj, comecei a tocar lá na Broadway mesmo e meu patrão disse que eu precisava de um nome artístico. E como ele sempre me chamava de secretário, acabou ficando Dj Secreta. O bom é que o nome pegou de imediato e todos me chamam assim desde então.

IN: Que músicas não podem ficar de fora da festa dos anos 90?

DJ: Muitas! Tem que tocar muita coisa. Basicamente tudo que fez muito sucesso nos anos 70, 80 e 90. Michael Jackson, Madonna, Queen, Bee Gees, Abba, são muitos artistas. E eu costumo dizer que essas músicas não são antigas, mas sim boas. São clássicos

IN: Você acha que no futuro as pessoas estarão dançando nostalgicamente as músicas que fazem sucesso hoje?

DS: Com certeza. O que muda é a geração né?! Mas essa galera mais jovem de hoje com certeza vai dançar daqui uns 20, 30 anos o que faz sucesso agora. Mudam as gerações, mas os costumes são quase os mesmos. Talvez mudem de nome, talvez não seja mais “flasback”, mas com certeza vão dançar sim e vão fazer exatamente a mesma coisa que fazem na festa dos anos 90: sentir muita saudade dos bons tempos (das coisas que viveram no passado).