Repórteres: Bruna Madonna e Walison Pereira da Silva

Fotos: Walison Pereira da Silva

 

A empresaria Maria da Cruz Oliveira Santos, 63 anos de idade, iniciou sua promissora carreira no ramo de costura há 36 anos bordando colchas de cama como um meio de ganhar uma renda extra para ajudar na criação de seus filhos. Foi seu tino comercial apurado e uma grande criatividade que a fez ver que a cidade de Imperatriz tinha um grande potencial para vendas de lingeries. Com o desejo de empreender e da oportunidade a outras pessoas através de geração de empregos, ela criou sua fábrica.

“A motivação que eu tinha quando comecei e a que eu tenho hoje são diferentes: eu comecei a trabalhar com costura para criar meus filhos, hoje trabalho porque existem pessoas que dependem do emprego que a minha fábrica gera. Trabalho por gratidão e amor ao que faço”, afirma a empresaria. Sua empresa, Lavest está há 26 anos no mercado imperatrizense, e nela são produzidas em média 15 mil peças mensais de 60 modelos diferentes – criados por ela – que passeiam desde a moda infantil, adulto (masculina e feminina), moda praia até as sensuais camisolas e conjuntos de sutiãs e calcinhas. A empresa chega a faturar anualmente cerca de 3,6 milhões fornecendo produtos para Imperatriz, São Luís, Barra do Corda, Grajaú, Lago da Pedra, Açailândia, Pedreiras, Barreirinhas, Pinheiro, Pará, Marabá, São Geraldo, Rondon, Parauapebas, Belém, Tocantins, Araguatins, Araguaína, Augustinópolis.

Em meio ao barulho das máquinas de costura, das tesouras elétricas guiadas pelos cortadores e da sincronia das costureiras na linha de produção que dão vida as lingeries, encontro a Maria da Cruz concentrada na tarefa de aperfeiçoar mais um de seus novos modelos. Foi entre a criação de mais um molde e a administração de sua fábrica que ela tirou um tempinho para responder as nossas perguntas.

 

Imperatriz Notícias: A senhora trabalha com lingerie há 26 anos. O que mudou no modelo de lingerie ao longo desses anos?

Maria da Cruz Oliveira: Quase não muda nada. É  aquela questão: nada e novo tudo se renova. Existe o molde base, você vê como as pessoas estão usando, se é mais baixo, mais larguinho nas laterais, aí passa um ou dois anos e a expiração já e mais voltada para os anos 60, anos 70. Todo ano tem algo diferente, mas o molde base nunca foge da regra.

IN: Qual é o tipo de lingerie são as mais vendidas?

MC: O melhor tipo para vender são as básicas, aquelas para o uso do dia a dia. A “Suquine”, que é aquele modelo mais estreito com o corte mais cavado a “Sabrina” que a calcinha mais larga. Cada modelo tem quatro tamanhos que variam dos números 36 ao 52, este último deu a oportunidade de aumentar a fabricação pois abrange um público maior.

IN: Qual é a maior preocupação que a senhora tem ao criar o modelo de lingerie para ser lançado no mercado?

MC: Eu foco no conforto e na sensualidade da peça, à pessoa tem que se sentir bem em cada movimento. As vezes a gente encontra uma lingerie, ou até mesmo uma roupa que quando você olha o design está bonito, mas na hora que veste não se sente bem, machuca e a pessoa fica desconfortável. Eu me preocupo muito com isso, que a pessoa se sinta bem em cada movimento, na qualidade da peça e na sua durabilidade.

IN: Algum produto já foi rejeitado pelos seus clientes? E o que fazer para evitar que isso aconteça?

MC: Não. Pois tudo que crio e direcionado para um público especifico. Fazer uma pesquisa de mercado e estudar o produto direito, porque ele (o produto) tem um tempo no mercado e o que ele necessita no momento.

IN: O que fazer para se manter no mercado e ainda ser competitiva?

MC: É estar sempre atento ao que acontece no mundo da moda e ter muita forca para vencer os obstáculos porque as dificuldades sempre existem. Mais tem que estar pronto para superá-las

IN: Qual o tipo de pesquisa que a senhora faz antes de investir em um produto?

MC: Eu estudo o mercado, pergunto e olho a necessidade que ás pessoas terão daquela peça, por que as pessoas comprarão aquele lingerie. E estará atento ao mercado e as tendências das coleções.

IN: O que a senhora espera do mercado de lingerie para os próximos anos?

MC: Eu espero que melhore. Eu acho que o mercado não está ruim, ao meu ver, eu só acho que as pessoas estão um pouco amedrontadas por causa desse rebuliço na política.

IN: Qual produto as pessoas estão procurando atualmente?

MC: Hoje a produção tem quer ser diversificada no momento as pessoas estão procurando muito a moda praia e as camisas de proteção UV, que um produto relativamente novo na cidade, mas está sendo bem aceito.

IN: Que conselho a senhora daria às pessoas que querem trabalhar fabricando peças intimas?

MC: Eu vejo que nessa área, como tudo na vida tem suas dificuldades, mais quando você fizer uma escolha tem foco e perseverança. Esteja preparado para resolver os problemas que surgirem e é como eu disse: “nada e novo tudo se renova” e você tem que estar pronto para renovar e inovar. Tem que estar atento sobre as mudanças nas tendências das coleções e nas cores e modelos e também nas maquinas e nos tecidos usados para fabricar as lingeries.