Na Busca Ativa há uma inclusão contínua de quem não tem acesso à internet. Foto: Derlany Lima.

 

Danielle Luz

Na pandemia as escolas precisaram se adaptar à virtualização das aulas e encontrar alternativas para quem não tem acesso à internet. A plataforma Geduc (Gestão Educacional), foi implantada no ensino municipal de Imperatriz como alternativa e também gerou novos sentidos para o ensino, a aprendizagem e o valor da escola.

Uma das primeiras dificuldades enfrentadas pelos pais de alunos da rede municipal foi a falta de internet, conta a coordenadora da Escola Machado de Assis II, Derlany de Oliveira Lima, 38 anos.

Com a grande demanda de acessos ao Geduc, os pais reclamam da instabilidade da plataforma. “No grupo do colégio, todo dia tem alguma mãe chateada ou reclamando porque a plataforma não abre ou está fora de sistema. E quando entramos, não conseguimos enviar a atividade”, relata Karla Sousa Feitosa, 40 anos, mãe de uma aluna do 2º ano do Ensino Fundamental.

A coordenadora explica que a grande maioria dos pais dispõe apenas do celular e dados móveis para acompanhar as aulas. “Esses dados são insuficientes para sustentar o peso da plataforma. Em alguns casos, nem o celular possuem, o que acabou gerando a busca ativa”. Esse método é um plano de ação com base nas orientações da Semed (Secretaria Municipal de Educação). A gestão escolar faz ligações e visitas ao endereço do aluno para descobrir o motivo da falta de acesso ao Geduc. Se os familiares não possuem condições, os responsáveis devem buscar na escola o material impresso. Cerca de 20,4% dos alunos da instituição Machado de Assis II necessitaram desse recurso.

Antônia Wenia Freitas, 31 anos, reconhece que o ensino remoto agravou as dificuldades de aprendizagem da filha do 3º ano, mas vê algo positivo nesse formato. “O lado bom é que pude estar com minha filha, oferecendo ajuda”, diz e também ressalta a falta de paciência e dificuldades para auxiliar nas atividades. Quando tem condições, procura aulas de reforço para complementar.

Caderno em frente a tela de computador com a página de abertura da plataforma Geduc.

São milhares de usuários do Geduc. WhatsApp também auxilia. Foto: Thaty Sousa.

Em relação às descobertas desse processo, Derlany afirma que a plataforma serviu para refletir. “Pais que não tinham o hábito de acompanhar os filhos, só deram sequência ao mal hábito de não acompanhar”.

Por outro lado, a percepção da família sobre a importância da escola e a valorização do trabalho do professor são descobertas positivas nesse processo.

 “A ressignificação do fazer pedagógico, também trouxe um novo sentido à nossa própria função, da prática e da didática”, diz Derlany.

Trabalho dobrado

Os professores também foram afetados com as mudanças no processo de ensino. “Me senti triste e desesperada. Muita cobrança e pouco retorno da sociedade em geral”, diz Geni Uchôa, 51 anos. No mesmo sentido, a professora do ensino fundamental, Geovana Chagas de Abreu, 41 anos, comenta a falta de compreensão da nova modalidade de trabalho.

“Os pais acham que por conta do professor estar em casa, estão ganhando o salário sem trabalhar. Mas isso não é verdade. Atividades e dinâmicas que antes faríamos em grupo, temos que repensar e refazer aquilo para que a criança possa fazer em casa”, argumenta.

A professora menciona a carga de trabalho triplicada. “Todo dia temos que postar aula, corrigir atividades tanto impressas, como on-line. Atender as necessidades das crianças especiais que não conseguem acompanhar na plataforma. A cobrança dos pais no WhatsApp querendo ter suas dúvidas atendidas. Fora os planejamentos semanais. Temos que dar conta de tudo isso.”

Aos poucos, de modo geral, está havendo mais conscientização dos pais sobre a importância do uso da plataforma neste período. A coordenadora comenta estar esperançosa com resultados e novos projetos. “Quando voltarmos presencialmente, não podemos deixar de fazer uso, ou seja, não abolir esses meios. Ao meu ver, a plataforma é de grande valia. Também, é indispensável o uso das tecnologias.”

 

:: Texto produzido para a disciplina de Redação Jornalística, semestre 2020.2, sob orientação da profa. Yara Medeiros.