“Graças a Deus tem muita gente, ainda, que prefere o livro, inclusive jovens. Algumas pessoas chegam aqui [na loja], dizendo “olha, eu baixei em pdf, mas se você tiver ai, prefiro o livro”. O contato é muito fundamental, você ler, para um pouquinho e vai refletir”, é o que afirma a livreira Elisabethe Miranda, proprietária do sebo São Dimas, localizado no centro da cidade e que funciona há 22 anos.

O sebo atua com a venda, troca e compra de livros, sejam eles usados ou novos. Segundo Elisabethe a troca funciona da seguinte maneira, dois livros por um e de conteúdos iguais, ou seja, o leitor entrega dois livros e pode levar um em troca, e se tiver apenas um livro, e pretende levar outro com o mesmo conteúdo, paga apenas metade do preço. As doações também são bem-vindas, mas tudo depende de qual tipo de livro, devido o espaço ser pequeno, um limite precisa ser estabelecido, e aqueles que não servem para o sebo São Dimas são repassados para parceiros.

Elisabethe Miranda herdou da mãe a profissão de livreira (Foto: Arquivo pessoal da entrevistada)

 

Os livros do sebo São Dimas são diversificados e atendem todos os gostos (Foto: Cyarla Barbosa)

Há alguns anos também era realizado doações para aldeias indígenas, e até mesmo para educadores, como professores de escolas e universidades, mas devido a falta de apoio de pessoas influentes na educação, e também por conta da saúde debilitada, Elisabethe decidiu não continuar com o projeto. “Eu já tive uma experiência muito infeliz de ficar acumulando livros [didáticos], porque as vezes a pessoa vinha vender e eu não comprava, mas ia recolhendo, até perceber que minha parede ficou lotada. Então, há dois anos chamei pessoas do meio da educação para ver se não tinha interesse em levar os livros para as aldeias, inclusive livros do sebo que não tinham mais retorno”. Mesmo com a ação nobre, ela acabou ficando muito cansada, pois possuía outras responsabilidades, e a demanda era grande, mas, às vezes, liga para os amigos irem buscar livros do sebo destinados a doações.

A compra dos livros

A prática da compra de livros, usados ou novos, pelos livreiros é comum. No sebo São Dimas. Elisabethe recebe de quem quiser vender, mas para que a comercialização aconteça de maneira eficaz é preciso passar por alguns critérios. Em primeiro lugar o retorno que os livros podem oferecer a loja e em segundo lugar o estado de conservação, pois os preços são de R$ 40 a R$ 70 mais baratos que livros novos, tanto didáticos como literários. Os preços de compra e venda podem variar, pois não há uma tabela fixa, eles são estabelecidos por meio da experiência e do olhar detalhado de Elisabethe.

Segundo ela, os mais procurados e vendidos, são de cunho literário, inclusive, pais de crianças estão procurando muita literatura infantil para incentivar a leitura dos filhos. Os livros são ofertados de acordo com a idade da criança, e os pais acabam retornando para comprar mais. Os livros de cunho acadêmico, são bem procurados, mas por não possuir um fornecedor fixo, não há como suprir com todas as demandas.

Revistas e vinis também são comercializados na loja (Foto: Cyarla Barbosa)

Para Elisabethe ser livreira e trabalhar com livros de sebo é muito melhor, “Porque aqui, tem uma vantagem, eu não devo uma balinha para ninguém. Eu só boto o chapéu, como dizia a minha avó, onde o braço chega, para depois não ficar com a corda no pescoço. E outra coisa é um tipo de material que vou [sempre] vendendo”.

O sebo São Dimas fica localizado na Rua Simplício Moreira, número 1461, no Centro de Imperatriz. Funciona de segunda à sexta – feira das 09 horas da manhã, às 17 horas da tarde, e aos sábados das 09 horas às 11h30 da manhã, com a finalidade de atender todos os apaixonados pela leitura.