Autor do livro-reportagem Moura: O Príncipe Negro, jornalista resgata a história do jogador de futebol Moura

Jornalista diz que a repercussão do livro foi grande no meio dos apaixonados por futebol

Texto: Andréia Liarte

Fotos: Divulgação

O jornalista potiguar Bruno Araújo é formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autor do livro Moura: O Príncipe Negro (Editora Primeiro Lugar – 2018). Bruno resolveu contar a história do ex-jogador de futebol Carlos Moura Dourado, o Moura, desde a sua infância até a sua vida profissional, na qual teve passagens importantes pelos clubes Sport do Recife e no América, do Rio Grande do Norte. “Eu tentei contar uma história que mostrasse a trajetória de um jogador de futebol. Não é necessariamente a trajetória desses grandes ídolos, já que ela começa muito antes de o cara chutar a bola pela primeira vez. Mesmo querendo ser jogador de futebol, ele quase virou policial, pois o futebol não permitia a ele ajudar financeiramente em casa. Então, essas dificuldades que ele enfrentou são as mesmas que grande parte dos jogadores de futebol enfrentam”, explica o escritor.

Para o autor, a maneira como Moura jogava mudou o rumo de dois jogadores. “Entrevistamos Juninho Pernambucano, que disse que aprendeu a bater falta com ele. Ele ficava observando Moura batendo falta nos jogos e aprendeu. Outra curiosidade que colocamos no livro é que Piro, o jogador italiano, aprendeu a bater falta com Juninho e a gente brinca que Moura indiretamente ensinou Piro”.

O livro

Além de ter  jogado  em alguns times brasileiros, Moura também atuou em algumas equipes japonesas, entre elas o Cereza Osaka. O jornalista disse que teve que contar com ajuda da internet para buscar essas informações. “Eu ia nos sites do clube que ele jogou no Japão e colocava no Google Tradutor. Consegui algumas informações que nem sequer o jogador lembrava, porque ele precisou contar a sua história inteira e isso não é fácil. O cansaço da fonte influencia e também a gente precisou fazer duas entrevistas, uma de quatro horas e outra de cinco”, detalha o jornalista.

Bruno Araújo afirma que teve que se inspirar na forma narrativa de outras biografias para contar a história do jogador da melhor forma possível. “Eu busquei outras biografias de personagens do esporte para tentar entender como seria uma biografia interessante. Eu acho que o grande segredo foi que o fato de eu ter entrevistado ele primeiro, me deu essa linha cronológica de como essa história podia ser contada”.

Segundo informa o jornalista, os apaixonados por esporte são os que mais adquirem o seu livro. “O público leitor e o público que gosta de esporte. Então, prioritariamente, o público dos cadernos de esporte, jornalistas que acompanham a história do esporte do estado, formadores de opinião e os torcedores do clube, que foram as pessoas que adquiriram o livro a princípio”, elenca.

O autor lamenta o fato de que só uma parcela da população brasileira tem acesso a cultura, principalmente aos livros. “Tenho a impressão de que a gente está publicando mais, mas eu não vejo pessoas lendo mais. E então a gente se vê publicando para um nicho especifico ou para bolhas, isso é ruim. Eu acho que um dos grandes problemas do acesso à literatura é porque o livro é caro. A gente sabe que a maior parte da população não tem como pagar pelo básico. O livro deveria ser básico também”, defende.

Para Bruno Araújo, falar sobre o jogador Moura é tratar da vida sofrida de muitos brasileiros. “A história e a trajetória de Moura é a de todo brasileiro que tem um sonho. A intenção é mostrar que não tem história fácil para ninguém. Todo mundo vai ter que enfrentar um desafio em algum momento da vida. Mas a ideia em tudo o que o ser humano produz, quando a gente fala no aspecto social, tem um impacto”.

A entrevista original com o jornalista foi feita no contexto da pesquisa Jornalistas escritores de livros-reportagem no Nordeste, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo de Fôlego, do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz, pelo estudante e pesquisador João Marcos dos Santos Silva.