Cores e vida aos muros de Imperatriz

Grafite como expressão artística realça muros e paredes da cidade

Por Débora Maia e Katherine Martins

Grafite realizado no muro de um bar, no centro da cidade de Imperatriz, como protesto no combate à pandemia da Covid-19. Foto: Débora Maia.

Em Imperatriz, é possível identificar diversas manifestações artísticas, sobretudo o grafite. O grafite é uma arte baseada em desenhos e cores, encontrada principalmente na área urbana das cidades. Ele colore os muros, paredes, portões, prédios e outros monumentos que constroem a vida urbana. A arte do grafite é transmitida através de pinturas elaboradas com latas de spray, que representa aquilo que o artista deseja expressar. Com o objetivo de romper com os padrões estéticos institucionalizados na sociedade, o grafite surge como alternativa de quebra do convencional, e a cada dia passa a ser aceito como uma manifestação artística. O que antes era visto como marginalizado, hoje vai ganhando espaço nos grandes centros urbanos, instituições públicas e privadas, centros culturais e etc.

Em alguns casos, o grafite é considerado uma arte anônima, transgressora e bela. A arte do grafite é utilizada como expressão artística entre jovens e adultos das periferias e centros urbanos. Os locais grafitados servem como pontos de encontro, de referência e dão alegria aos ambientes. Essa arte também é utilizada como forma de denúncia contra o poder público e até mesmo a sociedade, e serve ainda como manifestação de protesto por reivindicações de direitos.

Na cidade de Imperatriz, o grafite tem ganhado cada vez mais espaço. O que antes era encontrado apenas nos grandes centros urbanos, hoje faz parte da realidade de pequenas cidades. Através das cores, ele colore os muros de universidades, restaurantes, muros da construção civil e outros espaços. A expressão do artista é livre, e por vezes carregada de significados. Por conta das cores e da própria arte expressada, em alguns momentos também o grafite é cenário para fotografias. A arte elaborada no viaduto da cidade, localizado na BR010, deixa a impressão de cidade colorida, e isso pode ser observado por quem já reside em Imperatriz, ou por quem está de passagem pela localidade.

 

Arte urbana e a visibilidade do grafite

A arte urbana é a expressão desenvolvida no espaço público, na cidade em si. Ruas, calçadas, muros, prédios, escadarias, tudo que é possível encontrar nos centros urbanos de uma cidade pode ser transformado em tela para um artista. Essa arte pode ser representada não apenas pelas pinturas, mas também através de danças, teatro e apresentações musicais.

Um dos principais objetivos da arte urbana é visibilizar a arte cotidiana, ou seja, ela ultrapassa as paredes de academias, teatros e outros espaços, para se espalhar pelas ruas, onde todos os públicos podem apreciar e refletir sobre o que estão vendo. Na arte urbana o padrão estético não costuma seguir uma linha pré-definida, pois cada artista possui um propósito individual que estimula a sua criatividade.

“A arte já está na veia. Meu pai, meus irmãos e meus primos também trabalham na área. A maior influência que tive foi do meu pai, ele também desenha e faz todo tipo de arte. Até escultura ele chega a fazer”, conta Edney Areia, 40 anos. O artista trabalha com arte urbana há mais de 20 anos, na cidade de Imperatriz.

Os tipos de arte urbana são: O grafite, murais, stencil, arte em adesivos, performance, poemas urbanos e outros. Por ser exposta em lugares abertos, esse tipo de arte dispõe de caráter mutável. Com o tempo ela sofre modificações, e o que a torna mais duradoura é a fotografia. A relação entre arte e cidade promove ampla discussão, sobretudo no que diz respeito à estetização do espaço público. Para Edney arte urbana “é uma coisa que torna a cidade muito mais bonita, atrativa, faz gosto você tá olhando. Eu queria que houvesse mais pessoas que pudessem fazer aqui em Imperatriz, eu também admiro muito, faço é gostar mesmo”.

O início do reconhecimento do artista aconteceu em 2017, quando ele iniciou um projeto na Fundação da Criança e do Adolescente (FUNAC). “Foi lá onde inicialmente comecei a fazer os murais e me tornei mais conhecido na cidade. Até então as pessoas não me conheciam muito, após o mural da FUNAC a minha vida mudou muito, muito mesmo, em questão da profissão, me tornei mais requisitado. Até hoje sou lembrado como o rapaz que “fez” o muro da FUNAC”, relata Edney. O artista acrescenta que sua preferência é pelos murais, principalmente os desenhos de personagens da cultura pop, “figura humana é mais a minha área. Paisagem eu até faço, só que não gosto muito, gosto mais de fazer pessoas”.

Edney Areia finalizando a pintura da mulher maravilha em um centro de compras em Imperatriz. Foto: Débora Maia.

 

Diferente da pichação, que por vezes, é associada ao vandalismo e ao crime, fazendo com que essa expressão artística seja ainda marginalizada, o grafite tem ganhado mais aceitação pela sociedade. A pichação é caracterizada, especialmente pela escrita, enquanto o grafite está associado à imagem. “A lata de spray sozinha não diz nada, a pessoa que a utiliza que vai determinar se é pichação ou grafite”, argumenta Patrick Torres, 38, artista urbano da cidade de Imperatriz.

Pichação realizada na parede de uma residência em Imperatriz. Foto: Katherine Martins.

Há aproximadamente dois anos tem sido possível acompanhar o crescimento do grafite em Imperatriz. Locais como muros de terrenos abandonados, muros de universidades, bares e restaurantes estão marcados pela presença dos desenhos e cores proporcionados pela arte do grafite. Os artistas que dispõem de obras espalhadas pelo município são: Edney Areia, Khoury, Patrick Torres, Rubens (Rubão), Eder Areia, entre outros. Mas há também aqueles que preferem o anonimato, de forma que escolhem serem conhecidos somente pela sua arte.

 

Grafite como point para fotografias

Além de trazer mais cores à cidade, o grafite gera inspirações para ensaios fotográficos, e se tornou não apenas pano de fundo, mas é um elemento fundamental na composição fotográfica. Em Imperatriz, é possível observar que essa temática tem crescido na preferência das modelos, blogueiras e digitais influencers.

A escolha do cenário para um ensaio fotográfico é parte importante do resultado que se espera, pois geralmente se atrela à personalidade da pessoa. Logo, os espaços em que é possível encontrar a arte do grafite dão a impressão de um ambiente mais despojado, autêntico e transmitem diversos sentimentos, um deles é a alegria, por conta das cores.

Diversos cenários públicos e privados imperatrizenses podem ser explorados para a realização de ensaios, como conta a fotógrafa Suzy Negreiros, 36, “os espaços com grafite são escolhidos quando o tema do ensaio é no estilo urbano, e como característica desse estilo o grafite dá um ar de cidade grande. Esses ensaios são feitos geralmente com jovens e adolescentes. E sem falar que as cores dão um efeito maravilhoso na edição”. Os espaços mais escolhidos para cenário fotográfico estão localizados na Avenida Beira Rio, na Rua 15 de Novembro e Avenida Pedro Neiva de Santana.

Muro lateral de um bar localizado na Rua 15 de novembro, em Imperatriz. Foto: Katherine Martins.

 

Fotografia capturada no muro da Universidade Federal do Maranhão, campus centro. Foto: Luana Brandão.

 

A rua para Elas

Aproximadamente apenas cinco artistas urbanos são reconhecidos no município de Imperatriz. Existem outros profissionais que atuam nessa área, mas preferem o anonimato. Patrick relata que na cidade ainda não existe a participação de mulheres no grafite, “por falta de espaço, incentivo, falta de referências e acesso aos materiais a um bom preço”, explica ele.

Este fator pode ser justiçado também pela hostilidade que as mulheres sofrem nas ruas, pelo assédio e falta de segurança. No entanto, é perceptível a presença delas em outras expressões artísticas urbanas, como no malabarismo. Nos grandes centros urbanos do país, as grafiteiras utilizam os muros como locais de expressão e reivindicação por mais espaços e incentivo à presença feminina na arte urbana.

Para Patrick “o grafite é tão importante quanto às outras formas de arte, como a música, artesanato e danças. Tudo isso é importante para a sociedade”. É necessário mais investimentos do poder público e políticas de incentivo que despertem o talento de grafiteiros e grafiteiras espalhados por Imperatriz.

Muro do Centro de Ensino Nascimento de Moraes, em Imperatriz. Foto: Katherine Martins

 

Reportagem especial produzida para a disciplina Técnicas de Entrevista e Reportagem (2021.2), ministrada pela professora Nayane Brito.

 

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