Por: Felipe Ribeiro e José Antônio

Pauteiro: Gabriel Pereira

 É comum presenciar mulheres sendo desestimuladas a aprender sobre reparos e instalações domésticas, pois esses serviços ainda são tratados em alguns meios sociais como atividades masculinas. Com o intuito de evitar o desemprego e acima de tudo o preconceito, elas estão buscando cada vez mais alternativas no mercado de trabalho, incluindo o ramo da construção civil.

Com o aumento do segmento, empresários têm se mostrado otimistas com a elevação da mão de obra mais especializada nessa área. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – (CAGED), o setor operário nas construções é o que tem segurado o impulsionamento na produção de novos empregos no país, porém a falta de mão de obra profissional masculina tem alavancado o crescimento das mulheres no ramo.

A presença delas nos canteiros de obras no Brasil, de acordo dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – (IBGE), cresceu 120% comparado com os números do ano de 2007, no qual obteve registros de 109.006. E, em 2018 a estatística chegou a 239.242 trabalhadoras registradas, ou seja, ao todo já são mais de 200 mil mulheres na construção espalhadas em várias regiões.

Nos últimos anos a cidade de Imperatriz tem acompanhado o crescimento e o surgimento de obras, entretanto a presença feminina nessas construções ainda é tímida devido à preferência das empresas por homens trabalhando com esses serviços. A participação delas é mais perceptível no levantamento de pequenas obras, sejam elas de contratantes ou próprias. Tendo em vista esta situação, programas sociais voltados para a capacitação de mulheres em atividades civis crescem e buscam incluir cada vez mais essas pessoas no mercado de trabalho.

Francineth dando início a reforma da sua casa

Francineth Castro, 52 anos foi uma das selecionadas a participar do programa social Mulheres que Constroem, desenvolvida em 2016 pela Secretaria da Mulher – (SEMU) com apoio do governo do Estado do Maranhão.

Com o objetivo de reformar sua casa, Francineth e sua filha decidiram participar do programa, pois a mão de obra de outras pessoas ficaria mais cara para realização do seu projeto.Muito apegada a sua família, ela conta que decidiu aprender tudo de pintura, azulejoista e parte elétrica. O resultado, segundo Francineth, vem dando certo tanto que ela e sua filha combinaram que a mão de obra na casa seria realizada pelas duas. “Aprendi a profissão, mas até agora não apareceu dinheiro pra fazer a reforma. Sou divorciada, tenho cinco filhos, netos e bisnetos, eles ficaram orgulhosos de mim”, afirma.

Já Maria Antônia Brandão, 23 anos, conta que fez o curso com o objetivo de construir sua própria casa, e que apesar das críticas não desistiu da sua capacitação, contudo o preconceito ainda é um empecilho para se manter ou conseguir um emprego na área.“As pessoas duvidavam, mas eu não ligava e nem ligo, eu só embarco e provo ao contrário que eu sim sou capaz de fazer”,relata.

Orgulhosa de ter conseguido ir até o fim do curso ela conta que futuramente esse aprendizado poderá ser favorável para sua carreira e que tem o sonho de construir sua casa com as próprias mãos.

Barreiras a serem quebradas

 Mesmo com avanços significativo das mulheres por conta dos programas sociais e leis que incentivam a inclusão no setor da construção civil, os números continuam baixos e faixa salarial, quando comparada com as dos homens ainda é menor, cerca de 24,4% recebem rendimentos menores que o deles desempenhando a mesma função.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), as mulheres executam serviços com melhor qualidade e possuem maior grau de escolaridade. A mesma instituição aponta que embora tenha ocorrido avanços, ainda há muito para conquistar a igualdade de gênero.

A arquiteta Renatta diz que o começo foi difícil por conta do preconceito

Para a arquiteta Renatta Fabricante, 37 anos,a inclusão de mulheres nos setores da construção civil, seja ela pequena ou grande, é um avanço importante para a quebra de barreiras, principalmente quando se diz respeito em qual função a mulher deve se especializar. Ela por exemplo, conta que no início enfrentoupreconceito, mas diz que qualquer mulher já sofreu discriminação de alguma forma por está em um posto normalmente desempenhado por homens. “Eu acho que todas nós mulheressomos vistas como alguém que não tem conhecimento suficiente ou de alguma forma não deveria estar ali. Têm coisas que não vale apena a gente guardar, eu sei da minha competência e mulheres na construção civil vêm se destacando pela capacidade intelectual e emocional de gerir uma obra.”, defende.

Renatta conta que o setor ainda é visto como um mercado apenas para homens, e como consequência há o preconceito com as mulheres, contudo, a arquiteta afirmaque essa discriminação é uma questão cultural e deve ser quebrada.“As grandes construtoras já estão mais tendenciosas a contratar mulheres, e esse conceito vem sendo mudando aos poucos. O preconceito não é apenas em um setor especificoé geral, ainda tem muita coisa para mudar”, afirma a arquiteta.