Repórteres: jéssica lima e regivany neves

Pauteira:  thays gabrielle

Imperatriz é a primeira cidade do Maranhão a ter coleta seletiva domiciliar. O projeto começou em fevereiro de 2017 com a ativação dos Pontos de Entrega Voluntária, PEVs, pela Prefeitura de Imperatriz, através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semmarh). As atividades diretamente nas casas dos imperatrizenses começaram em setembro deste ano nos bairros Três Poderes, Juçara, Maranhão Novo e Centro, todas as terças-feiras, quintas-feiras e sábados, dias diferentes aos da coleta geral, que ocorrem todas as segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras.

A iniciativa que permitiu a cidade de inaugurar a primeira prática de coleta seletiva domiciliar, que consiste na separação de produtos recicláveis e não-recicláveis, atende as exigências da lei 12.305/2010, que determina que todos os municípios devem ter o plano de resíduos sólidos. 

“Existe a necessidade de inclusão do município dentro da legislação federal e isso tem acontecido através desses projetos do plano de resíduos, do plano de coleta seletiva, da coleta seletiva residencial, da parceria com os catadores e futuramente com a implantação do aterro sanitário”, enfatiza o engenheiro ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Imperatriz, Daniel Fernandes.

O projeto também conta com o apoio e parceria da Prefeitura de Imperatriz com condomínios, comerciantes, bancos, entre outros órgãos que ajudam na coleta, além da parceria com os catadores da Associação dos Catadores de Material Reciclável de Imperatriz (Ascamari).

De acordo com dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 18%(1055) operam sistemas de coleta seletiva. O Nordeste conta com apenas 10% deste serviço. Em Imperatriz, somente entre o mês de setembro e outubro foram coletadas mais de 65 toneladas de material reciclável.

Lixo demais

Diariamente são geradas 320 toneladas de resíduos no município, que tem a produção média de lixo por habitante maior que a média nacional. Isso acontece por vários motivos, tendo como principal, o fato de Imperatriz ser uma cidade que recebe um grande número de pessoas que moram em regiões vizinhas e que acabam acrescentando na quantidade de lixo gerada no município.

“Não é por que o lixo é só da cidade em si. É porque Imperatriz é uma mini metrópole que atende a vários municípios”, pontua o secretário adjunto Flávio Oliveira.

Apesar de ser um grande desafio para a população – que precisa estar atenta aos dias, horários e separar os materiais corretamente – também proporciona benefícios para a cidade, ao meio ambiente e às famílias de catadores. “É necessário que a população se engaje no projeto”, afirma Fernandes. Pois assim, a coleta vai se expandindo cada vez mais rápido por toda Imperatriz.

Essa nova forma de coleta dos resíduos sólidos da cidade acabou resultando na classificação do município para a final do prêmio Prefeito Empreendedor, na categoria Inovação e Sustentabilidade. O evento premia gestores que tenham implantado projetos com resultados comprovados de estímulo do surgimento e ao desenvolvimento de pequenos negócios e a modernização da gestão pública. Sendo este mais um dos resultados proporcionados.

E o destino do lixo?  

O plano de coleta do município foi elaborado junto com a empresa licitada, Sellix Ambiental a qual disponibiliza quatro caminhões para a coleta do material, dois são carrocerias de madeiras e dois baús, com capacidade para 10, 20, e 30 toneladas. Todo o material coletado é destinado exclusivamente à Ascamari, onde são separados e classificados. Já os não-recicláveis, são recolhidos pela coleta geral e levados para o lixão.

 Engajamento

Segundo o diretor da coleta seletiva e gestor ambiental da Semmarh, Jairo Santana, boa parte da população tem se engajado bastante na coleta seletiva, mas ainda há necessidade de mais conscientização e colaboração de uma certa parcela dos moradores que ainda não contribuem.

De acordo com o secretário adjunto, Flávio Oliveira, existem casos de pessoas que tem procurado a Secretaria para saber como participar da coleta seletiva e no mesmo local essas pessoas recebem as devidas orientações de como separar o material para reciclagem.

A artesã Tainara Lima trabalha com vários itens de decoração e utiliza muitos papéis. Ela descarta uma grande quantidade de papéis na coleta de lixo regular, com a chegada da coleta seletiva domiciliar ela se sentiu convidada a participar desse projeto. Surgindo o interesse, ela ligou para a Secretaria de Meio Ambiente e conversou com o diretor da coleta seletiva, Santana, e este lhe explicou que ela poderia juntar todo esse material por um período de 15 dias e quando tiver uma quantidade considerável de material, basta ligar para a secretaria que eles disponibilizarão o caminhão para ir na residência buscar o material que seria descartado no lixo normal.

Tainara afirma que se sente bastante feliz com o fato de está ajudando com o descarte correto de todo o material que sobra de seus trabalhos. “Fico bastante feliz em poder contribuir com a coleta seletiva da cidade, pois tudo que poderia ser lixo para mim se transforma em renda para os catadores que recebem esses resíduos”, comemora.

Apesar dessas iniciativas, ainda existem muitos problemas em relação a coleta seletiva nos condomínios da cidade, pois apenas uma pequena parte possui o sistema implantado. A administradora do Residencial Lili, Waldilene Nunes, alega que até o momento não tinha conhecimento das ações de coleta que envolviam os condomínios da cidade. Ela afirma, que a Secretaria de Meio Ambiente até o momento não procurou o condomínio para mais informações sobre o projeto.

Segundo ela, é muito difícil alinhar a coleta com os moradores, pois muitos não têm a consciência de separar o lixo adequadamente. “Alguns moradores  chegam a passar dias com o lixo acumulado e quando descartam, é comum que o material esteja em estado de decomposição avançado”, afirma Waldilene. Para ela, implantar os coletores dentro do prédio causaria transtornos como o do mal cheiro. Sendo necessário que fosse em um local mais afastado dos apartamentos.

Waldilene confirma que a coleta seletiva dentro do residencial depende muito do engajamento dos moradores mediante as questões de educação ambiental. Esclarece também que a ajuda da prefeitura seria de bom proveito para a administração do prédio. “Não posso cobrar dos moradores uma coisa que não possam fazer”, afirma. Apesar de tudo, ela reconhece a importância de se ter a prática de coleta seletiva implantada.

Em contrapartida, segundo a Assistente Administrativo, Sidélia Andrade, o Residencial Grumari, possuiu a coleta seletiva desde 2012, e durante todo esse período não recebeu apoio da Prefeitura de Imperatriz. O residencial dispõe de 4 coletores seletivos, mas os moradores não descem para colocar o lixo separadamente, o zelador quem recolhe e disponibiliza no depósito. A administradora enfatiza a importância da coleta seletiva no residencial. “A coleta seletiva é importante para o meio ambiente, pois os resíduos separados, cada um tem um destino e pode deixar de ser lixo”, afirma Sidélia.

Benefícios

Com a coleta seletiva, a quantidade de resíduos destinados ao lixão sofre uma grande  redução, aproximando ainda mais o desativamento do local; aumenta consideravelmente a renda de famílias que vivem da separação e destinação dos produtos recicláveis; além de tirar catadores da rua, que passam a ficar apenas nos galpões recebendo o lixo já recolhido; e, principalmente, colabora com meio ambiente e limpeza da cidade. “Todos ganham. A população na parte de educação ambiental, os catadores têm uma renda maior, o lixão vai deixar de existir, tem as questões ambientais que se sobressaem e atendendo à politica nacional de resíduos sólidos”, diz Oliveira.

A catadora Maria Celma Sousa, já tem 10 anos que trabalha como catadora, e 8 anos na Ascamari. Ela considera que a parceria com a Prefeitura é de grande importância, pois depois dessa união aumentou bastante a quantidade de resíduos e consequentemente a renda e a qualidade de vida melhorou bastante. “Podemos ter uma qualidade de vida melhor, a renda melhorou, e aumentou o número de pessoas da associação”, diz Maria, apesar de acreditar que ainda precise de algumas melhoras.