Falta de formação e planejamento bilíngue ainda são obstáculos para garantir a acessibilidade de estudantes surdos
Edlene Galeno
Vitória Guajajara
No Maranhão, há quase 600 mil pessoas com algum tipo de deficiência, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessas, um terço (34,5%) são analfabetas, número quase três vezes maior do que o da população sem deficiência (11,39%).
A falta de preparação das instituições para receber pessoas surdas está entre os obstáculos apontados pela professora de Língua Brasileira de Sinais – Libras, Adriana Oliveira, de 46 anos. Para ela, a inclusão exige que os profissionais estejam capacitados para atender a comunidade surda, independente de quando eles ingressam na instituição “Não é capacitar só quando o surdo chegar, é te preparar para quando chegar você receber ele, da forma que deve ser recebido”, afirma.

O tradutor e intérprete de Libras Jean Carlos, que possui mais de 30 anos de carreira, afirma que além da capacitação, a quantidade de intérpretes disponíveis é outro desafio no acompanhamento dos estudantes com demandas que ainda não são bem atendidas em alguns momentos, os profissionais precisam conciliar diferentes atendimentos. De acordo com ele, uma das principais dificuldades é a falta de compreensão sobre o verdadeiro papel do intérprete, muitas vezes sendo visto como alguém que deve resolver todas as questões relacionadas ao aluno surdo.
Barreiras
A professora Adriana destaca que uma das barreiras também é a falta de interposição para que os professores entendam que a língua materna do surdo é a língua de sinais, ou seja, eles sempre vão ter uma forma diferente de escrever. Ela explica que existem capacitações presenciais e a distância, e incentiva a busca por conhecimento sobre a língua de sinais. A discussão integra a programação do evento, “Entre Sinais e Vozes: Libras, cultura, identidade e inclusão”, que será realizado nos dias 28 e 29 de setembro, em alusão ao Dia Nacional dos Surdos, no IFMA Campus Imperatriz, organizado pelo Centro de Línguas (CELIN). A atividade contará com palestras e oficinas voltadas à Libras, à educação bilíngue para surdos, à cultura e à identidade surda.

Para ter uma educação brasileira mais acessível, Adriana reflete que a informação e a divulgação são fundamentais para incentivar a busca por conhecimento. Ela defende que, ao ampliar o acesso à informação, os profissionais se sentem mais seguros para aprimorar suas práticas educacionais. Já o intérprete de Libras Jean ressalta a necessidade do planejamento de uma educação realmente bilíngue. “Não basta apenas colocar o intérprete em sala, é importante que toda a escola compreenda o aluno surdo”.
Serviço
O que: “Entre Sinais e Vozes: Libras, cultura, identidade e inclusão”
Quando: 28 e 29 de setembro
Onde: Av. Newton Bello, S/N – Vila Maria, Imperatriz – MA, 65906-335
Inscrição: Gratuita, pelo site: https://www.even3.com.br/entre-sinais-e-vozes-libras-cultura-identidade-e-inclusao-779599/