A trajetória do vigário geral de Imperatriz destaca sua certeza de que o sacerdócio só faz sentido quando vivido com alegria.
Laís Rocha
Ludymilla Souza
Sua decisão de tornar-se padre não surgiu de uma revelação divina ou de um chamado sobrenatural. O desejo pela vida sacerdotal nasceu da experiência de viver em uma família devotamente católica, que sempre o apoiou e o incentivou nos estudos. Esta é a história que conta o caminho pela igreja de Padre Eliezer Cézar de Paiva, 48, um jovem comum que dispôs de uma infância e adolescência como qualquer outro, Nascido em Imperatriz, no Maranhão, e filho de Geraldo de Paiva, técnico de engenharia, e Maria de Paiva, dona de casa, despertou para a vida sacerdotal e ingressou no seminário aos 17 anos, após uma vida de intensa participação nas atividades de sua paróquia.

Eliezer cresceu sob o exemplo do matrimônio de seus pais, que viveram juntos por 40 anos até a morte de Geraldo. O compromisso e a união do casal marcaram os quatro filhos de tal forma que, mesmo após a perda, sua mãe optou por não se casar novamente. Seguindo a mesma devoção de seu núcleo familiar, atuou como coroinha, catequista e fez parte de grupos de jovens, início do caminho que o guiaria para a vida clerical. O sacerdote relata que a proximidade com o pároco de sua paróquia de origem também foi uma motivação para o seu objetivo futuro. “Eu não sabia direito, quando criança, o que era ser padre. Eu só sabia que queria ser que nem aquele homem”, conta.
O sacerdote lembra que, no início, o pai demonstrou certa reticência. Apesar de ser devoto, teve dificuldades para aceitar a ideia do filho de seguir a vida religiosa. Contudo, com o tempo, tanto o pai quanto a mãe passaram a lhe oferecer total apoio e incentivo, além de seus colegas de escola e membros da comunidade paroquial. A certeza definitiva sobre sua vocação se consolidou durante o período no seminário, etapa fundamental para o amadurecimento e o discernimento de sua decisão. Além disso, Eliezer relata que essa rede de apoio é necessária para a caminhada de sacerdote: “Ninguém é padre sozinho, ninguém é padre para si”.
Vida sacerdotal
Nos anos seguintes, durante sua formação acadêmica e religiosa, morou por oito anos no Seminário Interdiocesano Santo Antônio, no centro histórico de São Luís, onde estudou Filosofia e Teologia. Ao buscar aprimorar-se em sua vocação, realizou um mestrado em Teologia com linha de pesquisa em História Eclesiástica pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, na Itália, onde estudou durante quase quatro anos. Atualmente, trabalha no Seminário da Diocese de Imperatriz, em São Luís, onde leciona disciplinas no curso de teologia de História da Igreja, sua especialidade.

Foi ordenado padre por Dom Affonso Felippe Gregory, em 17 de abril de 2004, na Catedral Nossa Senhora de Fátima, onde atua como pároco e vigário geral da Diocese de Imperatriz nos dias de hoje. Essa função, quando solicitado a exercê-la, lhe dá atribuições de caráter executivo, na ausência ou por delegação do bispo.
No dia seguinte à sua ordenação, padre Eliezer celebrou sua primeira missa, recebeu homenagens e comemorou ao lado de pessoas próximas. Na mesma noite, presidiu uma nova celebração na paróquia de um sacerdote amigo. “Eu tenho muitas boas lembranças dos meus primeiros anos de padre. Foi um período muito maravilhoso, cheio de contentamento e alegria. Só tem sentido ser padre se você for alegre no exercício do sacerdócio”, relembra.
Entre as diferentes responsabilidades e afeição pelos estudos, podem haver alguns momentos difíceis, que acontecem na vida de todos. Essa experiência não passa despercebida por aqueles que dedicam a vida ao próximo. Eliezer reconhece que os estudos o ajudaram a mudar certas concepções de mundo: “O mundo intelectual me ajudou muito a discernir as convicções teológicas, filosóficas e humanistas que tenho hoje. A vida acadêmica te abre a consciência para novas formas de conceber a realidade ao redor”.
Mãe da diocese
Iniciada em agosto de 2023, e concluída em outubro de 2025, a reforma da Catedral Nossa Senhora de Fátima consolidou-se como um marco na história e na arquitetura de Imperatriz. A obra contou com a liderança do Bispo Dom Vilsom Basso, empossado na diocese em 2017, e com o apoio do Padre Eliezer, nomeado pároco em 2018 após retornar de Roma. À frente da mobilização de recursos, o sacerdote coordenou ações que arrecadaram verba, como festejos, jantares, almoços e feijoadas, engajando os fiéis na realização do projeto.
O servir
Ao considerar sobre as dificuldades enfrentadas no exercício do sacerdócio, padre Eliezer reconhece que os maiores desafios costumam vir de incompreensões dentro da própria Igreja. Para ele, ambientes religiosos com maturidade espiritual podem ajudar a superar as dificuldades, quando somados ao equilíbrio psicológico, a vivência sacramental, a oração e o apoio de amizades sinceras de diversos meios e pessoas. Sem ambições por cargos ou títulos hierárquicos, seu futuro é confiar na providência de Deus. “Se eu morrer padre exercendo meu ministério numa paróquia, fazendo aquilo que é próprio do sacerdote, com zelo, amor e dignidade, já terá sido uma meta muito bem alcançada na minha vida”, reflete.
Como alguém que encontrou na fé a verdadeira realização, o religioso conta que ao entregar a vida a Cristo, não há perda, mas um ganho de felicidade e serenidade, e a oportunidade de ser transformador na vida do próximo. Diante das dificuldades do mundo contemporâneo, faz um aconselhamento para a juventude: “Não tenha medo de servir e de seguir Jesus Cristo em meio às labutas da vida”. Além disso, pede que os jovens compreendam que possuem uma dignidade que deve ser preservada e protegida.