Repórter: Ana Lia Freitas, Cinthya Santos, Yanna Carmo
Fotos:Ana Lia Freitas, Cinthya Santos, Yanna Carmo e Stella Goedel
Antes de conquistar milhares de visualizações mostrando looks country, bastidores de eventos agropecuários e a rotina, Stella Goedel Borges já fazia parte desse universo. Aos 23 anos, a estudante de Medicina Veterinária não precisou descobrir o agro: nasceu nele. Filha de uma família gaúcha, cresceu cercada pelos valores, costumes e tradições que hoje aparecem naturalmente em seus conteúdos nas redes sociais.
A relação com a internet veio depois. Enquanto acompanhava a expansão das plataformas digitais e a transformação da moda country em um fenômeno que ultrapassou porteiras, rodeios e fazendas, Stella começou a compartilhar fragmentos do próprio cotidiano. O que inicialmente era apenas uma forma de mostrar a rotina acabou encontrando identificação do outro lado da tela. Um vídeo gravado sobre um cavalo, seguindo uma tendência do momento, viralizou e ajudou a consolidar um caminho que ela já percorria intuitivamente.
Atualmente, Stella reúne mais de 90,3 mil seguidores no Instagram (@stellagoedell) e 110,7 mil seguidores no TikTok (@stellagoedell), plataforma em que acumula mais de 2 milhões de curtidas em seus vídeos. Ao contrário de muitos influenciadores que adaptam suas vidas ao conteúdo, Stella afirma que prefere o movimento inverso: produzir conteúdo a partir da própria vida. Entre aulas da graduação, eventos agropecuários, visitas a exposições e a convivência com animais, ela construiu uma presença digital baseada na autenticidade. “Eu gosto de trazer aquilo que faz parte de quem eu sou”, resume.
Em um momento em que a estética western core ganha espaço nas passarelas, nas redes sociais e no guarda-roupa de jovens, Stella acompanha de perto a expansão desse universo. Para ela, a força da moda country está justamente na capacidade de se reinventar sem perder suas raízes, dialogando com diferentes públicos e estilos de vida.
Nesta entrevista, Stella Borges fala sobre a influência do agronegócio na moda, o crescimento da estética country entre os jovens, o papel das redes sociais na popularização das tendências e os desafios de construir uma imagem pública em um ambiente cada vez mais marcado pela exposição e pelos julgamentos.

“Eu gosto de trazer aquilo que faz parte de quem eu sou.”
Imperatriz Notícias: Em 2026, a moda country está entre as tendências mais fortes do Brasil. Na sua opinião, por que as pessoas estão buscando esse tipo de vestimenta?
Stella Goedel Borges: Porque ela une estilo, personalidade e conforto. Além disso, hoje o country conversa com vários públicos diferentes, o mundo country está inserido em tudo. Se vocês perceberem, é no São João, tudo tem um pouco, até na praia o chapéu está bem em alta também. Então, eu acho que é um mundo que dá para inserir em tudo, que combina com tudo também. Eu sou suspeita para falar.
IN: O que o agronejo trouxe de novo para a forma como as pessoas se vestem?
SGB: Trouxe uma mistura interessante entre o country tradicional e tendências da moda atual, deixando o estilo mais versátil.
IN: Como eventos como AgroBalsas, Expoimp e vaquejadas influenciam a forma de vestir dos jovens?
SGB: Com total certeza eles influenciam, até porque, por exemplo, uma vaquejada está interligada com outras questões do agro. Vai muito além da vestimenta, esses eventos acabam sendo vitrines de tendências. As pessoas observam, se inspiram e adaptam as referências para o dia a dia.
IN: Quais são as peças-chave que são a cara desses eventos?
SGB: Bota, chapéu, calça também eu acho perfeito. Calça jeans, sabe? Dá para estruturar, fazer de várias formas, com franjas, igual eu já fiz também. Um vestido também bem feminino, mais rodado, eu acho que cai muito bem. Mas uma bota e um chapéu não podem faltar não. O cinto também.
IN: A moda country em Imperatriz acompanha tendências nacionais ou cria características próprias da região?
Eu acredito que acompanha as tendências. As pessoas observam e trazem para o estilo delas. Eu acho isso muito bacana porque cada pessoa tem um estilo, então usa da forma que quiser e pode abusar nas ideias, usar de diversas maneiras. Tem gente que gosta com lenço, que está super em alta. Você pode usar no pescoço, pode usar na cintura, pode usar de diversas maneiras. Então as pessoas vão se adaptando mesmo de acordo com as tendências.

“É possível ser você mesma e construir sua própria identidade.”
IN: A influência de cantoras e influenciadoras do universo country tem aumentado a cobrança por um determinado tipo de corpo e aparência?
SGB: Hoje no mundo a parte estética é muito julgada. Mas eu acredito que cada pessoa tem que se sentir bem com você mesma. Então, se a pessoa gosta de ser mais magra, vai ser mais magra, se uma pessoa gosta de um cabelo liso, vai ficar liso, se quiser um cabelo cacheado, vai ficar cacheado. Eu acho que isso é muita individualização, as pessoas não podem só colocar um estereótipo e pronto. Eu acredito que cada pessoa é linda da forma que é e tem que se sentir bem, para mim, é o mais importante.
IN: E você como figura pública, você sente essa pressão?
SGB: Sinto, já sofri muito. Pode até não parecer, mas já tive muito problema com a autoestima, mas eu sinto, sim, essa opressão na internet, comentários e, querendo ou não, de muitas mulheres também. Às vezes, quando eu estava mais cheinha, eu sentia muitos comentários assim: “eita, vamos emagrecer”, “essa roupa não te valorizou”. Tem muitos comentários de homens também, de todas as pessoas. Querendo ou não, a gente trabalha com a nossa imagem, então isso é muito transparente.
IN:Por causa desses comentários, você procurou procedimentos estéticos?
SGB: Olha, eu sempre procurei me sentir bem comigo mesma, independente dos comentários das pessoas. Quando eu comecei a me cuidar cada vez mais, foi por conta de mim, não por conta das outras pessoas. Mas, querendo ou não, esses comentários fazem com que a gente se olhe e fale: “Meu Deus, será que tem um defeito aqui? Será que eu realmente sou assim?” Entende? Então faz a gente se olhar e perceber coisas que talvez a gente nunca olharia por comentários das outras pessoas. Mas eu sempre segui me sentindo bem comigo mesma, independente dos comentários das pessoas.
IN: O que você espera transmitir para quem acompanha o seu trabalho?
SGB: Que é possível ser você mesma, correr atrás dos seus objetivos e construir sua própria identidade. Eu gosto muito de trazer conteúdo e ser verdadeira com aquilo que estou indicando e mostrando. Passar realmente informações da Medicina Veterinária, que eu acredito que são informações que nem todo mundo tem acesso. Então, ajudar com algumas informações, porque hoje eu vejo que as pessoas são muito leigas em muitas coisas.
IN: Você acredita que sua presença nas redes sociais pode abrir portas para sua carreira na Medicina Veterinária?
SGB: Com certeza vai. Eu tomo muito cuidado com tudo aquilo que eu trago para a internet, porque eu acredito que hoje em dia isso é muito importante. Querendo ou não, é a minha imagem, eu gosto de passar credibilidade, então tenho muito cuidado com tudo aquilo que eu indico, que faz parte da minha rotina, com as parcerias e com tudo que está no meu meio. Faz parte de quem eu sou, aquilo que eu realmente uso e usufruo para poder indicar o que está inserido na minha rotina e que eu gosto que faça parte.