Bancada do MA sob pressão: Redes sociais de deputados viram “muro de cobranças” após emendas à PEC 6×1

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho na escala 6×1 ganhou novos capítulos de tensão na bancada federal do Maranhão. Nos últimos dias, perfis oficiais de deputados maranhenses no Instagram e no X (antigo Twitter) foram inundados por milhares de comentários de eleitores cobrando posicionamentos firmes sobre o projeto.

​O estopim para a nova onda de cobranças foi a nota de repúdio emitida em conjunto pelo Sindehotéis-MA e pela Fethemapi (Federação dos Trabalhadores no Comércio e Serviços). As entidades expuseram publicamente os deputados maranhenses que registraram apoio formal à Emenda modificativa 01/2026 uma proposta articulada por partidos do Centrão e da oposição para flexibilizar o texto original da deputada Erika Hilton. Os alvos do manifesto sindical e das cobranças digitais no estado são: ​Josivaldo JP (União Brasil-MA), ​Aluisio Mendes (Republicanos-MA), ​Márcio Honaiser (Solidariedade-MA), Hildo Rocha (MDB-MA)

​Parlamentares que defendem a emenda e interlocutores ligados ao setor produtivo argumentam que uma mudança abrupta na Constituição, sem o devido período de transição ou contrapartidas fiscais, poderia asfixiar economicamente os pequenos comerciantes do interior do estado. A principal linha de defesa do bloco de apoio à emenda sustenta que o texto original foi desenhado sob a realidade das grandes metrópoles, ignorando a fragilidade financeira do comércio de rua em municípios maranhenses, o que poderia resultar em demissões em massa e no fechamento de postos de trabalho.

​Além disso, os defensores da proposta de alteração apontam que a redução da jornada para 40 horas semanais deveria estar condicionada a incentivos governamentais reais, tais como a redução temporária da folha de pagamento e o corte parcial na contribuição do FGTS por parte das empresas para novos vínculos. De acordo com essa vertente política, o caminho ideal para tratar o tema seria dar protagonismo às convenções coletivas de cada categoria via sindicatos, permitindo que os limites de carga horária fossem decididos de forma setorial, evitando engessar a economia nacional sob uma única regra imediata.

​Reação Sindical e Recuos no Congresso

​Para as lideranças sindicais maranhenses, por outro lado, as justificativas econômicas apresentadas não se sustentam e configuram uma grave afronta à saúde física e mental da classe trabalhadora. No manifesto divulgado, as entidades acusaram o bloco parlamentar de tentar desidratar e esvaziar o espírito da proposta original, transformando um avanço de direito social em moeda de troca por benefícios fiscais e desonerações para o setor patronal.

​A forte pressão popular já começou a surtir os primeiros efeitos em Brasília. Diante da enxurrada de críticas nas plataformas digitais, diversos deputados federais de diferentes estados recuaram e iniciaram pedidos formais para retirar o apoio à emenda modificativa. Em Imperatriz e na Região Tocantina, movimentos sociais prometem manter a vigilância digital e organizar atos nas bases eleitorais para pressionar os parlamentares maranhenses a seguirem o mesmo caminho de recuo.

 

Texto Por Felipe Carneiro

foto retirada do perfil "vlogsaobento"