Tereza Bom Fim: Voz literária de Imperatriz

Por: Lara Sofia e Elda Carvalho

Entre livros, festas juninas, histórias em quadrinhos e tardes no cinema, a infância de Tereza Bom-Fim foi marcada pela curiosidade e pelo encantamento com a arte. 

Nascida em 13 de novembro de 1960, em Grajaú, no interior do Maranhão, a escritora cresceu entre engenhos, banhos de açude e estradas de terra.

Ainda criança, mudou-se para Caxias para estudar na casa de parentes e, desde cedo, desenvolveu uma relação intensa com a leitura.

Revistas, palavras cruzadas e histórias em quadrinhos ocupavam boa parte dos seus dias e do pouco dinheiro que conseguia guardar. “Tudo que eu ganhava era pra ir pra livraria”, relembra.

Foi apenas aos 18 anos que Tereza chegou a Imperatriz, após ser aprovada no curso de Letras da então UEMA.

A cidade se tornou o espaço onde construiu grande parte da própria trajetória profissional e acadêmica.

Depois da graduação, deu aulas particulares, trabalhoucom artesanato, decoração e animação de festas infantis, além de fundar uma escola de reforço escolar.

Em 1998, tornou-se professora concursada do curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão, instituição onde permanece até hoje formando leitores, pesquisadores e novos profissionais da educação.

A carreira acadêmica de Tereza atravessou diferentes estados do país. Entre 1994 e 1996, cursou o mestrado na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo.

Anos depois, seguiu para o doutorado na Universidade Federal do Ceará, concluído em 2004.

Em 2016, realizou pós-doutorado pela Universidade Estadual Paulista, em Araraquara.

Hoje, além da atuação como professora e pesquisadora, ocupa a cadeira número 8 da Academia Imperatrizense de Letras e se destaca pela produção voltada à literatura infantil e à formação de leitores.

Mãe de dois filhos e conhecida carinhosamente como Teca, Tereza Bom-Fim transformou as experiências simples da infância em matéria-prima para a escrita.

Em obras como “Um Lobo Totalmente Mau?”, “Asas da Imaginação” e “Parte de Mim, o Sim!”, a autoramaranhense constrói narrativas atravessadas pela imaginação, pela memória e pela sensibilidade. 

Entre a sala de aula e os livros, segue fazendo da palavra um espaço de encontro, afeto e permanência.

Ao longo da trajetória, Tereza Bom-Fim construiu uma relação profunda entre educação, literatura e formação humana. 

Como professora do curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão, participou da formação de diferentes gerações de estudantes em Imperatriz, atuando também como subcoordenadora do programa de mestrado. 

Na sala de aula, tornou-se conhecida pela valorização da leitura, da escuta e da imaginação como ferramentas fundamentais para a construção do conhecimento.

A escrita, no entanto, sempre caminhou ao lado da docência.

Inspirada pelas próprias memórias de infância, pelas vivências no interior maranhense e pelo contato constante com os livros, Tereza desenvolveu uma produção literária marcada pela delicadeza e pela valorização do universo infantil.

Suas obras abordam fantasia, afetividade e descoberta,dialogando não apenas com crianças, mas também com adultos que reconhecem nas histórias ecos das próprias lembranças.

Em livros recentes, como “Você sabe, Você viu?”, lançado em 2023, a autora reafirma o compromisso com a formação de leitores e com a preservação da imaginação.

Mesmo após décadas dedicadas à educação e à literatura, Tereza continua encontrando nas palavras um lugar de pertencimento.

Entre aulas, pesquisas, lançamentos e encontros literários, mantém viva a mesma menina que economizava moedas para comprar revistas e passar horas folheando livros nas livrarias. 

Hoje, a escritora que cresceu entre engenhos, bibliotecas e sessões de cinema ocupa um espaço importante na cultura imperatrizense e maranhense, transformando memórias pessoais em histórias capazes de atravessar gerações.

Livro “Você sabe você viu?”