Texto de Isaias Nascimento
Fotos de Isaias Nascimento
A biblioteca da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz, não possui obras da escritora maranhense Maria Firmina dos Reis em seu acervo. A ausência da autora, considerada a primeira romancista negra do Brasil e referência da literatura abolicionista, tem gerado questionamentos entre estudantes e pesquisadores da instituição.
Considerada a primeira romancista negra do Brasil e referência da literatura abolicionista, Maria Firmina ganhou reconhecimento nacional e internacional nas últimas décadas. Apesar disso, nenhum exemplar de suas obras está disponível na biblioteca da unidade Professor José Batista de Oliveira, em Imperatriz.

A biblioteca da UFMA em Imperatriz não possui obras da romancista Maria Firmina dos Reis
Segundo a bibliotecária Alessandra Saraiva, que atua há 15 anos no campus, a inclusão de novos títulos depende de solicitações feitas pela comunidade acadêmica, além da disponibilidade orçamentária e de doações.
A servidora informou ainda que há exemplares da autora em outros campi da UFMA, como Bacabal, São Bernardo e na Biblioteca Central, em São Luís.
A estudante de Pedagogia Denise Silva afirmou que a falta das obras dificulta o acesso ao conteúdo da escritora.
“Como não possuem obras de Maria Firmina na biblioteca, a gente precisa buscar por outros meios, através de pesquisas na internet”, relatou.

A bibliotecária Alessandra Saraivaa diz que a inclusão de novos títulos depende de solicitações
A professora e pesquisadora Maria Natividade Rodrigues avalia que a ausência das obras não ocorre apenas na UFMA de Imperatriz, mas também em outras bibliotecas da região.
“O problema não está somente na biblioteca da UFMA de Imperatriz, mas em diversas bibliotecas da região”, disse Maria Natividade.
Maria Firmina dos Reis nasceu em 1822 e é autora de Úrsula (1859), considerado o primeiro romance abolicionista escrito por uma mulher no Brasil. Entre outras produções importantes estão Gupeva, A Escrava e diversos poemas e contos publicados em jornais da época.
Nos últimos anos, a escritora tem recebido maior reconhecimento nacional, especialmente após o bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2022.
Além da relevância literária da escritora, a própria UFMA possui grupos de pesquisa ligados ao nome de Maria Firmina. A universidade mantém um grupo de estudos dedicado à autora, que já foi premiado pela UNESCO por ações de preservação e difusão da memória literária afro-brasileira.
Com acervo de 5.525 títulos e 13.901 exemplares, a biblioteca da unidade Professor José Batista de Oliveira funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h.