A estudante Dulce Maria Bezerra, de 13 anos, desenvolveu um projeto sobre bonecas negras a partir da sua experiência pessoal. A pesquisa foi desenvolvida para a feira de ciências da escola em que Dulce estuda e o objetivo é, através das bonecas, fomentar a discussão sobre racismo e representatividade.  A exposição trás uma reflexão sobre os padrões europeus na produção de bonecas, a marginalização do negro, em emponderamento feminino e como isso afeta a auto-estima da criança negra.

Dulce conta que quando menor tinha problemas de auto-estima por acreditar que deveria ser branca com olhos claros, assim como a mãe, e que quando ganhou sua primeira boneca negra, aos oito anos, sua auto-estima melhorou.  “A boneca me ajudava a me aceitar. Eu me via representada naquela boneca, porque eu me achava parecida com ela”, ela conta. A estudante diz que é difícil encontrar bonecas com traços africanos e que isso atrapalha a representatividade do negro.  Hoje a coleção conta cerca de 50 bonecas de diferentes lugares do país.

O stand chama atenção de muitas meninas que visitam o Salimp. A estudante do ensino médio Jeniffer Silva, de 15 anos, conta que ficou muito feliz com a exposição: “Acho muito importante a propagação dessa ideia; quando eu era pequena eu não via bonecas da minha cor e eu questionava pra minha mãe por que eu só tinha bonecas brancas. A minha irmã de quatro anos já tem bonecas negras e eu acredito que isso vai ajudar na auto-estima dela”.

É a primeira vez que Dulce Maria apresenta a exposição no Salimp. As bonecas irão viajar até o Rio Grande Sul onde o projeto será apresentado na Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia.