“Nós temos competência para realizar uma eleição em qualquer que sejam as circunstâncias”, avalia o presidente do TRE-MA, Tyrone José Silva

Por Felipe da Silva Sousa, Paulo Henrique Alves Maciel e Pedro Henrique Oliveira Sousa

As eleições de 2020, em meio à pandemia, foram marcadas por mudanças. Além do cuidado e proteção contra o vírus da Covid-19, locais de votação e os órgãos responsáveis pela apuração e divulgação dos resultados foram alterados. Segundo o Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA), Tyrone José Silva (foto), o balanço geral da eleição foi positivo.

“Foram realizadas campanhas de conscientização sobre a proteção a Covid-19 em rádios e televisão, assim como foi disponibilizado álcool em gel nos colégios eleitorais”, disse o presidente do TRE-MA. Segundo Tyrone, os locais de votação foram alterados por conta da diminuição no número de urnas e os eleitores foram auxiliados nos locais de votação por fiscais e mesários.

O atraso na apuração e divulgação do resultado ocorreu por conta do grande número de dados que foi gerado para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), causando sobrecarga no sistema. Segundo presidente do TRE, o atraso foi pequeno e não teve prejuízo à população.

As eleições de 2020 tiveram menos presença de eleitores, cerca de 30% deixaram de votar. O senhor acredita que esse número mais baixo  foi por conta do coronavírus?

Tyrone José Silva: De fato, realmente a ausência em percentual um pouco maior que os anos anteriores foi em razão das preocupações com a pandemia, que assola todo o mundo e estar evidentemente causando certa preocupação nas pessoas.

Qual a avaliação que o TRE do Maranhão tem em relação às eleições de 2020, levando em conta o período de pandemia em que estamos?

Tyrone José Silva: A avaliação foi a mais positiva, com toda essa pandemia, conseguimos fazer uma eleição tranqüila, dentro de tempo razoável, considerando também essa questão da pandemia e, portanto, a avaliação é positiva, porque a expectativa é que seria um tempo bem maior e poderíamos ter alguns problemas e não tivemos.

Quais foram as medidas tomadas para alertar a população sobre as alterações de locais e  cuidados ao acesso a cabine de votação?

Tyrone José Silva: As providências foram divulgadas em rádio e televisão sobre as mudanças de locais e também sobre cuidados contra a Covid. Pedimos ao eleitor para verificar o seu local de votação antes de sair de casa. Colocamos placas nas sessões que tiveram alguma mudança. Alertamos sobre a segurança que estávamos disponibilizando nas sessões, inclusive com álcool em gel, recomendando que fossem votar com máscara, sua caneta e evitasse aglomerações.

A urna eletrônica é referência mundial quando falamos em segurança no voto. Neste ano, houve atraso no resultado das eleições e uma tentativa de invasão do sistema por hackers. O TSE e TRE estão prontos para enfrentar outros ataques ?

Tyrone José Silva: Eu diria que foi um atraso relativo, até porque com a mudança sistemática, em termo de totalização, que antes a totalização das eleições municipais eram feitas nos tribunais regionais eleitorais e essa eleição agora a totalização passou a ser totalmente do Tribunal Superior Eleitoral, então, em razão dessa grande quantidade de dados, essa demanda e evidentemente da rapidez que esses dados são transmitidos para o Tribunal Superior Eleitoral, teve uma sobrecarga. Em razão disso, houve alguma dificuldade para se transmitir, fornecer o resultado das eleições com o tempo que era esperado, mas o atraso foi pequeno, não teve prejuízo a ninguém, inclusive a proposta dessa invasão ou tentativa de invasão, porque teve invasão, não houve invasão ou qualquer tipo de acesso aos dados, ao sistema do tribunal superior eleitoral, muito menos do tribunal regional eleitoral, portanto, isso é uma prova que estamos preparados realmente para qualquer tipo de investida dessa natureza, portanto, a segurança continua garantida das urnas, do sistema, portanto nenhum temor.

Quais foram as conseqüências do ataque hacker no TSE que afetaram o TRE?

Tyrone José Silva: Nenhuma conseqüência. Na verdade, não foi ataque, foi uma tentativa. Inclusive o atraso não foi conseqüência disto (ataque). O atraso foi conseqüência de uma mudança sistemática e o sistema terminou não correspondendo  com as informações em tempo previsto.

O TRE-MA enfrentou  algum problema na apuração?

Tyrone José Silva: Não tivemos problemas nenhum. Evidentemente que tivemos dificuldade em razão de algumas mudanças de locais de votação, mas isso foi resolvido porque colocamos informações, placas, fiscais, mesários para informar os eleitores sobre sua sessão e, portanto, não teve qualquer tipo de prejuízo.

Ultimamente está havendo muitas críticas em relação ao voto impresso como acontece nos Estados Unidos. Aqui no Brasil, o senhor acha que esse sistema daria certo com mais de 147 milhões de eleitores? Seria mais rápido e seguro?

Tyrone José Silva: De maneira alguma. O nosso sistema é o mais moderno e perfeito do mundo. Então, não há porque se cogitar em voltar atrás, através de voto impresso. Isso não tem qualquer sentindo, ao contrário, nós estamos modernizando ainda mais. Nós estamos pensando em avançar ainda mais no que se refere ao que já temos que são votos por biometria e já pensamos até em avançar e realizar o voto de forma remota.

O que essa eleição, em meio a uma pandemia, vai deixar de aprendizado para a próxima de 2022?

Tyrone José Silva: Eu diria que o grande aprendizado foi que nós temos competência para realizar uma eleição em qualquer tipo de dificuldade, se já vínhamos realizando eleições em situações normais da forma mais positiva, organizada e conseguimos fazer isso diante de uma pandemia, evidente que isso quer dizer que estamos preparados para realizar eleições em qualquer que sejam as circunstâncias da dificuldade.

*Atividade realizada na disciplina Técnicas de Reportagem (2020.1), do Curso de Jornalismo da UFMA Imperatriz

* Foto: Assessoria de comunicação/TRE-MA

 

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