Livro-reportagem conta a história de um dos maiores criminosos do Nordeste

Jornalista Rafael Barbosa se surpreendeu com a repercussão do livro

Jornalistas Rafael Barbosa e Paulo Nascimento relatam a trajetória de Valdetário Carneiro

Texto: Andréia Liarte

Fotos: Divulgação

O jornalista potiguar Rafael Barbosa, 31 anos, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), escreveu junto com seu colega Paulo Nascimento, o livro “Valdetário Carneiro: A Essência da Bala” (2013), que conta a história de um dos maiores bandidos do Nordeste. Rafael já trabalhou em muitos veículos de comunicação, mas, para ele, o jornalista encontra mais liberdade no universo de produção do livro-reportagem. “A redação era o trabalho e o livro-reportagem era recreação. Porque no livro-reportagem a gente tem muito mais liberdade e tempo para pensar as coisas e produzir algo mais elaborado. No dia a dia de reportagem, primeiro que a gente não escolhe a matéria que vai fazer”, diferencia Rafael Barbosa.

De acordo com o jornalista, muitas pessoas não queriam tocar no assunto por temor de represálias. “Muita gente não quis falar por medo. Até hoje, pois esse cara é muito famoso no estado. Ele saiu no Linha Direta na Globo, na época e até hoje as pessoas tem ele como uma lenda urbana. Então algumas pessoas não quiseram falar”. Rafael diz que ele e seu parceiro, Paulo Nascimento, enfrentaram algumas dificuldades no processo de apuração. “Tem uns advogados na família e conversei com esses caras, dizendo que não era nada grande, que não íamos ganhar rios de dinheiro com isso. E pessoas mais distantes, que não tinham nem relação de proximidade dele, já estavam pedindo até direito autoral… Infelizmente é difícil ganhar dinheiro com literatura”, lamenta Rafael.

O jornalista relembra que o livro teve uma boa repercussão. A história de Valdetário Carneiro chamava muita atenção porque muitos no Rio Grande do Norte tinham curiosidade de saber a trajetória real do criminoso. “No lançamento, a governadora e o prefeito de Natal foram. Comandante da polícia, delegados, familiares, companheiros de crime em liberdade, familiares distantes, pessoas de diferentes classes sociais”, explica Rafael, ao comentar a repercussão da obra.

Livro no Nordeste

O escritor fala sobre as dificuldades que muitos escritores encontram nas vendas dos livros. “Você só ganha uma grana se você for um best-seller, mas se vende dois mil exemplares é nada. Tem uns caras que vivem e publicam grandes obras. No Ceará a gente tem Lira Neto, que é biografo de Getúlio Vargas e antes dele ele tinha feito a biografia do Padre Cícero, que são grandes nomes do Brasil, e aí você tem um nicho”, compara.

Para Rafael, relatar a história de um personagem famoso em sua região é preservar um pouco a história do seu estado. “A gente cumpriu o papel de contar a história de Valdetário, que todo mundo queria saber e a gente soube disso depois da penetração que o livro teve. E também de fazer um recorte histórico do Rio Grande do Norte, já que a gente carece aqui de que mais pessoas contem histórias do estado”.

A entrevista original com o jornalista foi feita no contexto da pesquisa Jornalistas escritores de livros-reportagem no Nordeste, desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo de Fôlego, do curso de Jornalismo da UFMA de Imperatriz, pelo estudante e pesquisador João Marcos dos Santos Silva. 

 

 

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