Literatura e Cultura: O presidente Trajano Neto comenta sobre os trabalhos e relevância da Academia Imperatrizense de Letras na pandemia

Repórter: Alicy Teixeira, Joassan Trajano e Kaylane Freire

Fotos: Imagens de arquivo cedidas pela Academia Imperatrizense de Letras

A Academia Imperatrizense de Letras (AIL), fundada em 1991, está a três décadas contribuindo para a literatura e cultura da cidade. Ela é uma instituição sem fundos financeiros e realiza eventos que reúnem cerca de 100 mil pessoas, como o Salimp.  Além disso, através da Academia de Letras muitas pessoas entram no mundo da leitura, o que dessa forma contribui para o avanço da população, ao trazer mais conhecimento para as pessoas.

O atual presidente da Academia, Trajano Neto afirma que a literatura e a cultura são de extrema importância para a sociedade maranhense. A Academia realiza reuniões em que há a participação dos alunos de outras escolas, e todos os anos promove o Salão do Livro de Imperatriz, o Salimp, uma feira do livro, que é reconhecida por lei estadual como patrimônio cultural e material. O evento conta com vários seguimentos de cultura, como dança arte e música, mas o livro é o destaque.

O evento desperta nos jovens o desejo de ler e escrever e traz pessoas de todas as partes do Brasil para prestigiar e compartilhar experiências com a literatura e cultura. Com isso, a Academia de Letras vem há 30 anos colhendo seus frutos, jovens que aprenderam a amar a literatura e hoje são escritores.

O Salimp é o 5º maior do Nordeste e recebe ouvintes e palestrantes de todas as regiões do Brasil para prestigiar as apresentações durante a semana em que é realizado. No ano de 2020, por conta da pandemia o evento adaptou-se e foi para as plaformas digitais, Instagram e Youtube. Pelo Instagram o público podia acompanhar todas as informações relacionadas ao Salimp e acompanhar os bastidores das apresentações, mesmo com os empecilhos da pandemia o evento contou com a participação de Roberto Guedes, poeta e escritor de São Paulo (SP).

Imperatriz Notícias: Quais são os trabalhos desenvolvidos pela Academia Imperatrizense de Letras?

Trajano Neto: Aqui na Academia Imperatrizense de Letras nós realizamos um trabalho constante, juntamos as escolas no sentido de incentivar e criar um ambiente mais propicio para a nossa literatura, e, a gente vê que vem dando resultado, não com o percentual que a gente gostaria que fosse, mas está acontecendo. Imperatriz inclusive é uma cidade que publica muitos livros, tem muita gente escrevendo, e não é só pessoas mais velhas, tem muitos jovens escrevendo e publicando, contam com nosso incentivo.

IN: Durante o ano de 2020 o mundo foi tomado pela pandemia de Covid – 19, que atingiu milhares de pessoas. Como tem sido esse período de pandemia para a Academia e os escritores?

TN: Olha, esse momento de pandemia causou um pânico na sociedade atual, não só no Brasil, e não seria diferente conosco. Os trabalhos na academia tiveram uma paralização, por exemplo, nas nossas reuniões que acontecem nas quintas-feiras. O período trouxe muitos prejuízos. Nos encontramos a dois anos sem produzir eventos como o Salimp na academia, mas estamos trabalhando dentro desse contexto, apesar das perdas de amigos, parentes e tantas outras pessoas que não conhecemos e lamentamos. Mas eu vejo também que não há um mal que não traga um bem. Muitos escritores nesse tempo de isolamento produziram coisas interessante. Aqui mesmo na academia temos autores que escreveram durante esse ano da pandemia três/quatro livros.

IN: As reuniões mencionadas na resposta anterior são abertas para o público?

TN: Sim, nós sempre recebemos visitantes, mas algumas das reuniões são fechadas para que possamos discutir temas administrativos, e isso se torna cansativo para os visitantes, mas na maioria das reuniões nós recebemos com muito prazer os visitantes, para interagir conosco e estamos sempre de portas abertas. Esperamos que retorne logo as reuniões e normalize tudo.

IN: A literatura é de extrema importância para a cultura de uma nação. Qual a relevância da literatura em tempos de pandemia?

TN:  O registro da história de uma nação está na sua literatura, envolvendo múltiplos comportamentos sociais do seu povo. A literatura, na sua universalidade, sinônimo de conhecimento e prazer, tonifica mentes e almas. Em tempos de pandemia, especialmente se tratando da Covid – 19, quando ficamos reclusos em nossos lares, o ato de ler e escrever, portanto, tem sido, para muita gente, um bálsamo para o cérebro, a alma e o corpo, excelente terapia que proporciona prazer e conhecimento.

IN: Como a população recebe o Salimp, um dos eventos organizados pela Academia?

TN: Bem. É um evento esperado e muito cobrado pela sociedade Imperatrizense. Nós recebemos livreiros e escritores de diversas partes do Brasil e do mundo para participar, uns vem como comerciantes para vender os livros, outros como palestrantes e aproveitam e deixam seus autógrafos. Essa feira tem o livro como carro chefe, mas nós acoplamos dentro dela vários seguimentos da cultura, como arte plástica, dança, música e artesanato. Mas o livro é o destaque. O Salimp é reconhecido por lei estadual como patrimônio cultural e material para o Estado do Maranhão. Então, é uma feira muito relevante, e como nós costumamos dizer, é o embaixador da cultura Imperatrizense, nós nos orgulhamos muito desse trabalho que realizamos sem fins lucrativos para a Academia.

IN: Atualmente, muitos jovens tem trilhado o caminho da literatura escrevendo livros sobre diversos temas. O que a Academia tem a dizer sobre as produções dos jovens escritores nesses últimos tempos? Você como Presidente da Academia tem alguma crítica a fazer?

TN: Tenho, mas uma crítica positiva. Por que temos que entender a crítica como uma proposta de contribuir para que as pessoas encontrem o melhor caminho, no caso, um escritor, sobretudo quando é um escritor jovem que vem com entusiasmo, mas que precisa ainda ser lapidado. É como se viesse como uma pedra bruta que precisa ser lapidada. Mas temos muitos jovens bons e interessantes, que fazem isso muito bem. Nós da Academia vemos com muito carinho os jovens escritores, vamos incentivando e dando conselhos e buscamos enfatizar o melhor para quem pretende entrar nesse mundo da literatura como escritor.

IN: A pirataria tem crescido muito, na literatura “pirataria” é o acesso aos textos sem permissão do autor ou da editora, por lei é proibida. Em um levantamento realizado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria, mostra que o Brasil perdeu cerca de R$ 287 bilhões para o mercado ilegal. Com relação aos escritores da Academia, como eles passaram a sobreviver com a chegada da pirataria?

TN: Concordo com você quando diz que a pirataria tem crescido cada vez mais no Brasil. Mas o amor pelos livros e pela literatura nos faz continuar escrevendo. A Academia presa por livros autorais, de cunho legal. E incentiva através do diálogo as pessoas a não comprarem produtos, livros ou outras coisas piratas. Em verdade, a grandiosa maioria dos escritores brasileiros não sobrevive do que escreve. Muitos escrevem e editam pequenas quantidades de livros, mais pelo prazer do que voltados a comercialização. Num país em que se lê muito pouco, essa, infelizmente, é a nossa realidade.

IN: As redes sociais tem sido um instrumento usado por muitos escritores no período da pandemia para a divulgação dos trabalhos produzidos. Quais as contribuições das redes sociais para a literatura e para a Academia?

TN: O mundo vai se modernizando e a gente não pode fugir dessa modernização, sobretudo, aproveitando aquilo que há de bom. Hoje a internet nos favorece para que o fator comunicação seja mais rápido. Vemos com bons olhos, é um canal de comunicação, de divulgação da literatura, e ajuda na divulgação das feiras e dos eventos promovidos pela Academia.

IN: Você faz uso das redes sociais para a divulgação dos seus trabalhos?

Sim, tenho uma página no Facebook, compartilho os meus textos e de outros autores em minha página, para divulgar a nossa literatura nas redes. Mas não troco o livro, gosto da sensação de pegar no papel e de colocar o livro encima da minha prateleira.

IN: Para finalizar, o Brasil é um país que tem o índice de leitura baixo, não tem muito incentivo para seus leitores. É necessário que as prefeituras ajudem nos projetos de leitura?

TN: A gente carece disso, que as prefeituras incentivem mais através das escolas, sobretudo, ler também os nossos autores maranhenses, por que isso enfatiza mais o trabalho que muita gente realiza. Temos que focar na base para que possamos ter bons leitores e escritores.