“Eu vim sentir preconceito aqui no Brasil, eu não sabia o que era preconceito”, diz africana Dilena Baldé

“Foi passando o tempo e eu pensei: ‘Quero ter o meu próprio negócio'”

Texto: Igor Aguiar

Foto: Arquivo pessoal Dilena Baldé

O sonho e a motivação de estudar trouxeram a africana Dilena Baldé ao Brasil e a levaram a descobrir também que podia ir além do que ela mesma podia imaginar. No ano de 2011 chegou em Recife para estudar economia, conseguindo ser aprovada para um intercâmbio em um acordo entre o Brasil e seu país, Guiné-Bissau. De lá pra cá, muita coisa aconteceu e hoje ela é dona de seu próprio negócio. “Eu sempre tive vontade de trabalhar em um banco, era o meu sonho, hoje eu não tenho mais”, explica. Morando em Imperatriz há dois anos, Dilena veio para a cidade com os dois filhos por conta do marido, que passou em um concurso na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul). Ela não conseguiu terminar o curso que começou a fazer na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), mas hoje tenta concluir administração.

“Foi passando o tempo e eu pensei: ‘quero ter o meu próprio negócio’”, afirma a empreendedora, que hoje mantém uma loja/salão com especialidade em apliques e tranças na região do Mercadinho. Apesar de sempre ter o costume de fazer cabelo e tranças, inicialmente Dilena não via isso como um trabalho e sim como uma terapia. “Todo lugar que eu ia me perguntavam: ‘quem que fez teu cabelo?’Eu!”. Foi aí que ela viu a oportunidade de se aventurar no ramo da beleza e o resultado deu super certo, fazendo sucesso entre as amantes de apliques.

Sobre ser negra e sofrer racismo, a africana admite: “Eu vim sentir preconceito aqui no Brasil, eu não sabia o que era preconceito”, diz ela, frisando que nunca tinha parado para conversar sobre o assunto em seu país, onde não havia passado por esta situação. Ela relembra um momento em que ficou extremamente chateada, quando foi comprar uma blusa em uma loja e a vendedora lhe tratou com certo menosprezo, dizendo que a roupa não estava em promoção e que iria lhe mostrar as outras peças. “Eu disse que não tinha pedido a promoção, que queria aquela blusa que tava ali na vitrine”, comenta. Dilena levou a roupa e diz que talvez se fosse hoje não compraria, mas naquele momento era importante ter mostrado sua indignação. “Eu ainda levei a blusa, e ainda dei os 10 por cento de desconto, que eles davam à vista para a vendedora, para ela ver que tem que tratar a pessoa direito”.

Dilena está muito contente com o andamento do seu negócio, pretende focar ainda mais nele e afirma que está feliz com a vida em Imperatriz, ressaltando que foi uma cidade que lhe deu uma ótima recepção. “Eu conheci muita gente. Meus clientes que tenho certa admiração, que me tratam bem e eu também sempre tratando bem. Então esses clientes acabam virando amigos”, completa a estrangeira.

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