Elson Araújo: O radialista que virou imortal da Academia Imperatrizense de Letras

Repórter: Williana Costa

Fotografia: Williana Costa

 

Casado, pai de dois filhos, formado em Direito pela Unisulma (Unidade de Ensino Superior do Maranhão) e em Pedagogia pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Elson Mesquita de Araújo, atualmente assessor parlamentar junto ao senado federal e colunista no Jornal O Progresso, é o mais novo membro da Academia Imperatrizense de Letras (AIL), que este ano completou 30 anos de fundação na cidade.

A cerimônia aconteceu em abril de 2021 na sede da AIL, e contou com a presença dos imortais já empossados, do vice-prefeito Alcemir Costa, representantes de organizações e movimentos em prol da literatura, além de admiradores da memória cultural de Imperatriz. A solenidade foi transmitida ao vivo via internet, possibilitando que todos pudessem acompanhar, pois em decorrência da pandemia a quantidade de pessoas no local foi limitada.

A AIL fica localizada na Rua Urbano Santos, em frente à Praça da Cultura, no Centro de Imperatriz, e foi totalmente revitalizada pelo Governo do Estado do Maranhão, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secma), que marcou presença na inauguração das novas instalações durante o evento.

Elson Araújo, o único imortal negro da academia, disputou a cadeira com inúmeros concorrentes. O estatuto da AIL estabelece que para concorrer a uma vaga é necessário que o candidato seja brasileiro nato e ter publicado, obra reconhecida em qualquer gênero da literatura. E a cadeira só é declarada vaga, após o falecimento de um dos acadêmicos, e a partir de então os interessados têm 2 meses para se candidatar, por meio de carta enviada ao Presidente, e a eleição ocorre sessenta dias após a declaração da vaga.

 

IN: Como você se apresenta para aqueles que ainda não conhecem o seu trabalho?

EA: Quando iniciei no rádio em 1988 era conhecido como Elson Mesquita, mas por orientação de um colega chamado Nonato Soares, adotei Elson Araújo. Meu primeiro trabalho foi na extinta Rádio Carajás, em João Lisboa. No entanto, oficialmente era professor de Educação Física e também atuei como técnico de times escolares, pois nessa época haviam no máximo cinco profissionais habilitados com nível superior para atuar na área, e todos eram de fora da cidade, vindos de outros estados, de maranhense havia apenas eu.

Pela manhã me dividia entre as aulas de educação física e a locução no rádio. Passados alguns meses, fui contratado para trabalhar na Rádio Imperatriz, para o Jornal 890, que foi o pioneiro nas transmissões ao vivo, e era transmitido direto da delegacia. Tratava-se de um programa policial que parava a cidade. Posteriormente, passei a escrever textos jornalísticos para o jornal O Estado do Maranhão, no qual permaneci durante nove anos, tendo inclusive uma de minhas matérias publicadas no livro Maranhão Reportagem, tratava-se sobre a Guerrilha do Araguaia.

Desde criança só dormia depois que minha mãe ou meus irmãos mais velhos Margarete e Otaviano Neto me contavam uma história, ficava imaginando toda aquela narrativa

IN: Como surgiu o interesse pela leitura e qual sua relação com o ato de escrever?

EA: A cada dia tenho percebido o poder da leitura na vida das pessoas. Não existe nada superior a leitura para o desenvolvimento e a expansão intelectual do indivíduo.  Desde criança só dormia depois que minha mãe ou meus irmãos mais velhos Margarete e Otaviano Neto me contavam uma história, ficava imaginando toda aquela narrativa. Então passei a escrever em um caderninho que infelizmente se perdeu no tempo, mas as histórias ficaram gravadas na memória.

Através da escrita podemos expressar nossos sentimentos. Gosto de falar principalmente sobre a natureza e questões sociais, ressalto que passei a ser mais confiante sobre meus textos literários, após submetê-los à AIL. Hoje, ocupo a cadeira de Nº 02, que foi ocupada por Sálvio Dino e que tem como patrono Passondas de Carvalho, é uma imensa honra.

IN: Você tem algum escritor maranhense o qual sempre indica aos leitores?

EA: Além de advogado, historiador e político, Sálvio Dino também era jornalista, e poucas pessoas falam sobre esse atributo dele. Em seu livro sobre Passondas de Carvalho expressa bem essa característica. Sempre que surge a oportunidade, sempre recomendo a leitura desta fabulosa obra.

Também considero fantástico o autor da obra Tambores de São Luís, Josué Montello. Sua narrativa sobre a história da capital maranhense é única e primorosa, após a leitura deste livro ninguém volta a enxergar São Luís com o mesmo olhar, embora seja uma obra de ficção, faz uma contextualização sobre a história da capital que nos faz viajar no tempo.

IN: Como você visualiza a cena literária imperatrizense? E quais as principais dificuldades enfrentas pelos escritores locais?

EA: Já dizia Adalberto Franklin, proprietário da extinta Ética editora, o qual ajudou muitos escritores locais a publicarem suas obras: “A cidade de Imperatriz possui mais escritores do que leitores”, essa é a grande verdade, faltam leitores. O desejo de se tornar escritor em Imperatriz tem um custo e este é alto, e em virtude dessa dificuldade muitos têm migrado para as plataformas digitais. Hoje, as redes sociais facilitam a concretização do sonho de quem quer se tornar escritor em realidade, e de forma mais rápida. É importante ressaltar que atualmente existe a possibilidade de publicar livro impresso na cidade, através do selo da Editora Estampa.

Não possuo livros publicados, apenas participações em antologias, inclusive uma delas foi premiada pela AIL em 2016, trata-se da obra Quintessência.  Para mim, é motivo de alegria e satisfação quando chega alguém e diz que leu um texto meu, seja crônica, ensaio ou texto jornalístico.

“Não possuo livros publicados, apenas participações em antologias, inclusive uma delas foi premiada pela AIL em 2016, trata-se da obra Quintessência.  Para mim, é motivo de alegria e satisfação quando chega alguém e diz que leu um texto meu, seja crônica, ensaio ou texto jornalístico”

IN: Recentemente você foi reconhecido pelo seu trabalho, tornando-se um imortal da Academia Imperatrizense de Letras. O que isso significou?

EA: Como sempre flertei com o universo literário, acompanho o trabalho da AIL desde a sua fundação. Assistia palestras, reuniões e observava os acadêmicos. Já cheguei a ser estimulado a concorrer a cadeira anteriormente, porém, não me sentia seguro para ocupá-la. Acreditava que sempre existia alguém melhor que eu e a altura do cargo. Já cheguei até a me esconder para não me inscrever. Fui instigado inclusive pelo saudoso Sálvio Dino, até que chegou o momento em que tive que encarar o desafio de frente e concorri com outros quatro candidatos, diga-se de passagem, pessoas bastante notáveis e inteligentes. É uma emoção indescritível ocupar uma cadeira criada por Sálvio Dino o qual como disse anteriormente, tinha como patrono Passondas de Carvalho.

IN: Já que não possui obras publicadas em seu nome, de que forma podemos encontrar o conteúdo que você escreve?

EA: Possuo textos publicados no site Jusbrasil, no qual utilizo uma linguagem mais técnica, nos blogs Solidão das Letras e Recanto das Letras, Prosa e Verso, publico bastante nas minhas redes sociais Facebook e Instagram. Possuo textos com mais de 30 mil leitores alcançados nessas plataformas e poder contribuir para um mundo melhor transmitindo conhecimento através da leitura me traz imensa satisfação.

IN: Gostaria de deixar alguma mensagem para os jovens leitores?

EA: Não tenham medo de escrever, leiam como se estivessem contando a história a outra pessoa, não tenham vergonha de pedir uma segunda ou terceira opinião sobre um texto, submetam suas escritas, publiquem em suas redes sociais e sobretudo, jamais deixe de acreditar em seu potencial, a leitura é transformadora de vidas, sou prova disso.

 

 

 

 

 

 

 

 

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